A farra do combustível

Sempre que se fala em economizar recursos públicos ouvimos políticos falarem em “cortar na própria carne”, em reduzir privilégios e benesses dos cargos da alta administração que não interfiram na prestação do serviço ao cidadão. O Estado de Santa Catarina fala em redução de despesas, falta de recursos e dificuldade de pagar seus servidores, mas repassa para uma casta privilegiada, que já possui alto salário, o valor de um carro popular por ano (R$ 50 mil em média) em auxílio-gasolina. Um benefício sem nenhuma comprovação de uso, que é entregue inclusive para servidores com veículo do Estado à disposição.

Chama atenção o fato de o próprio secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, defensor dos cortes e da recomposição dos custos do Estado, aparecer na lista do Portal da Transparência como beneficiário. Ele deveria ser o primeiro a abrir mão do privilégio e ainda lutar para sua extinção ou uso somente em caso de necessidade. Não há ilegalidade na concessão, mas o benefício ainda ajuda quem tem os maiores salários dentro do Estado, cerca de 413 servidores, a driblarem redutores atrelados ao teto do funcionalismo e até descontos de imposto de renda.

Uma vergonha, especialmente para quem reclama da corrupção instalada no país, mas acha normal ter um valor atrelado ao contracheque para uma despesa que na maioria das vezes não é realizada. Isso não seria corrupção também? Quem discorda que comprove o uso integral da verba. Os R$ 4,5 mil podem pagar 1125 litros de gasolina a R$ 4,00 e permitem rodar 540 quilômetros por dia em 25 dias trabalhados. Não dá para aceitar. O auxílio combustível já foi denunciado pelo Tribunal de Contas do Estado, que recomenda que o governo estadual suspenda pagamentos irregulares de reembolsos por uso de carro próprio. A atual administração, no entanto, ainda analisa a situação, enquanto paga salários de até R$ 60 mil mais R$ 4,5 mil de auxílio combustível com os impostos que arrecada do contribuinte.

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