Tapete Vermelho

Estive oficialmente em missão sobre o turismo em Miami, Flórida, há alguns anos. Como representante do governo brasileiro fui recebido por diversas instituições governamentais e privadas. Numa delas, na sede do Convention & Visitors Bureau, vieram 20 pessoas, representando mais de 15 instituições. Manifestei nosso interesse em conhecer seus processos e logo me ensinaram a primeira lição. Lá as instituições públicas cooperam entre si e trabalham para facilitar a vida dos empreendedores.

Pode soar estranho para nós, mas é assim mesmo, porque a crença dos capitalistas da Flórida é muito simples: com regras claras e transparentes, construídas em conjunto, governo, empresários e moradores, organiza-se o território na direção do desenvolvimento econômico.

Me ensinaram também que, na questão dos licenciamentos, desde uma marina até um túnel, o tempo médio de análise é de três meses. Me apresentaram três páginas de um tipo de ‘compliance’, termo em inglês que significa agir de acordo com uma regra, de conformidade com leis e regulamentos externos e internos. Ou seja, as lógicas são invertidas, considerada a nossa realidade em Florianópolis, ambientalmente mais rica. Por lá, aonde pode, pode; aonde não pode, não pode. Não pode haver ocupação irregular, por exemplo, porque senão o invasor vai preso. Outro exemplo: podem ser construídas marinas nas áreas dedicadas a esse fim, simples assim.

O modelo funciona. Andei de barco observando os manatees, o peixe-boi da Flórida, nadando ao nosso lado. Na marina que visitei, a concessão era para 90 anos, com retorno imediato para a comunidade de 10% sobre o faturamento bruto, além de 4 centavos de dólar por galão de gasolina vendido no perímetro do empreendimento. Isto é, um ganha-ganha, inverso do nosso perde-perde.

Dez anos atrás, ainda no Governo Luiz Henrique, recebemos uma missão de grandes investidores norte-americanos, que solicitaram o plano do estado e de Florianópolis para a localização de equipamentos turísticos, hotéis, resorts, parques e marinas. Não tínhamos, e não temos. E, mesmo se tivéssemos, será que valeria alguma coisa diante da insegura jurídica vigente?

Voltando a Miami, os americanos nos receberam de “tapete vermelho”, sempre de olho na perspectiva de que continuemos a investir bilhões de dólares na região – pois lá estamos entre os maiores investidores. Finalizaram com algumas perguntas: quando formos ao Brasil e a Florianópolis, quem vai nos receber? Quem faz o trabalho que aqui fazemos quando lá quisermos investir? Quem são os facilitadores? Minha vontade foi responder: Estamos em falta, temos só ‘dificultadores’.

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