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Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
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Corredores anônimos da Capital mostram que a prática pode ser um estilo de vida

Nem sempre a atividade é realizada para perder peso ou disputar provas

Daniel Silva
Florianópolis

Algumas pessoas correm somente para perder peso. Outras treinam para disputar provas. Há ainda as que praticam o esporte apenas para fugir da vida estressante. Mas todos têm basicamente o mesmo objetivo: superar os limites. Para o professor Carlos Antônio Queiroz, 55 anos, a corrida engloba tudo isso. Há dez anos, é mais um desses corredores anônimos, gente que dedica grande parte do seu tempo livre correndo pelas ruas, sejam elas de asfalto ou chão batido. Além da satisfação em atravessar uma linha de chegada, o esporte traz saúde, amigos e une a família.
 

Rosane Lima/ND
Rosane Lima/ND
Família da corrida: Michelle, Fernando, Jules Fabiano e Dona Eni em dia de treino

Criado no Morro do Céu, Queiroz corria com os outros meninos quando estavam construindo as pistas da avenida Beira-Mar Norte. A preocupação com os estudos só deixou o professor se tornar atleta em 2002, quando terminou um doutorado. O objetivo hoje é envelhecer bem. “A grande motivação é progredir na idade de uma maneira saudável. Os colegas são pessoas otimistas e a sensação no outro dia após fazer uma corrida é muito boa. Faz a diferença no dia a dia. A gente volta para casa leve, mais feliz”, comentou.

Hoje morador de Ratones, o corredor é privilegiado por treinar em um dos lugares mais bonitos da Ilha. Fã das meias-maratonas (21 km), Queiroz participou no ano passado de uma prova no Deserto do Atacama, no Chile, a principal experiência já vivida nesses anos de corridas. “Participei de muitas provas, mas a beleza natural do deserto é sensacional. A umidade é baixa e a prova começa numa temperatura de oito graus e vai aumentando até passar dos 30. No outro dia fiz o trajeto de bicicleta”, relembrou.

 

Família que corre unida permanece unida

O técnico em suporte de TI Fernando Griss Costa, 32, é o que pode ser chamado de superatleta. Já viajou de bicicleta até o Rio de Janeiro, já participou da São Silvestre, já correu durante 24 horas e é um exemplo para a família e amigos. Por causa dele, a esposa Michelle, os irmãos Jules Fabiano e Evandro, o primo Enio Augusto e até a mãe, Dona Eni, de 62 anos, se dedicam à corrida. Costa, que começou a correr em 1997, fica feliz em poder influenciar tantas pessoas. “Quanto mais gente saudável, mais gente feliz. E quanto mais gente feliz, menos gente incomodando. O que me deixa feliz é quando alguém vem pedir dicas, conversar comigo. Sou apaixonado pelo esporte”, afirmou.

O corredor não é daqueles obcecados em melhorar o seu tempo, terminar a prova cada vez mais rápido. Para Costa, o ideal é ir mais longe. Até por isso, o seu sonho é disputar a Ultramaratona da Antártida, competição que “tem que ser meio maluco para participar”. Enquanto essa oportunidade não se materializa, o atleta prepara-se para disputar o Desafrio, em Urubici, no dia 22. “Vamos subir o Morro da Igreja. São 50 quilômetros. Vou subir e entregar o bastão para o Fabiano, que vai descer. Será bem desafiador. Quanto mais difícil a prova, mais me empolgo. Espero o pior possível”, declarou.

 

Parceria entre irmãos

Quando estava chegando perto dos 30 anos, o autônomo Jules Fabiano Griss Costa, hoje com 39, subiu na balança e se viu com 90 quilos. Quando adolescente, era um atleta do Instituto, mas largou tudo para trabalhar. Influenciado pelo irmão mais novo, em 2008, perdeu 18 quilos em quatro meses, aliando corrida e jiu-jitsu. E não é só esse o benefício da modalidade. “A corrida te desvincula de qualquer tipo de vício. O esporte que mais cresce no mundo é a corrida. Só precisa de um bom tênis, a roupa adequada e disposição”, salientou.

A primeira prova que participaram juntos foi ainda em 2008. Entre os 70 inscritos, Fernando ficou em quarto e Jules Fabiano foi o sétimo. Os treinos em dupla foram se tornando cada vez mais frequentes e, desde 2011, eles competem em equipe. A dificuldade é a falta de patrocínio, que impossibilita a presença em muitos eventos. “Às vezes os horários não batem. Quando combinamos de treinar juntos é de duas horas para cima. Treinamos cinco vezes por semana, todos diferentes um do outro. Somos todos anônimos. Somente 10% dos atletas nas grandes provas são de elite. O objetivo é passar o teu amigo”, explicou o atleta, que organiza provas de corrida de aventura.

 

Mãe orgulhosa

Dona Eni criou quatro filhos (um já falecido) sozinha. Tem orgulho de dizer isso e ver hoje o resultado da sua dedicação. Ela teve de escolher entre pagar escola para os meninos ou colocar comida dentro de casa. Apostou na segunda opção. E não se arrepende. “Eu não tinha ideia de que o resultado seria esse. Sempre incentivei o esporte, que é barato, e alimentá-los bem. Meu sonho era ver os meus filhos bem. Hoje são pessoas boas. Eles aprenderam a respeitar os outros e você nunca verá um filho meu maltratando um animal ou prejudicando a natureza”, disse.

Faz dez anos que Eni começou a correr, sempre intercalando com longas paradas. Agora ela está de volta, mais para incentivar os filhos, já que confidenciou que tem preferência por ficar na torcida. A união da família é motivo de orgulho. Tudo por conta da corrida, o “vício do bem”. “Como mãe, para mim é um orgulho. Os criei sozinha e sinto paz em vê-los correndo juntos. Desde pequeno todos praticaram esportes. Sempre levei e busquei. Estou sempre fazendo escândalo nas corridas, torcendo por eles”, contou a mãe coruja.

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