Saturada, rodovia SC-401 necessita de reformas de adaptação ao grande fluxo de veículos

Os congestionamentos frequentes e o fluxo diário de 80 mil veículos durante a alta temporada na SC-401 têm revelado a necessidade de revitalização da rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina. A Prefeitura de Florianópolis já apresentou ao governo do Estado uma proposta de municipalização, mas a iniciativa depende de recursos para execução das obras necessárias.

A SC-401 está dividida em dois trechos. O primeiro, batizado de rodovia José Carlos Daux, foi inaugurado em 1972 e está compreendido entre os bairros Itacorubi e Canasvieiras, na principal ligação entre o Centro e o Norte da Ilha. É o trecho que merece mais atenção, pois concentra o maior número de ocorrências devido ao grande fluxo de veículos em direção às praias. O segundo trecho é a Via Expressa Sul. Inaugurada em 2004, a rodovia vai do túnel Antonieta de Barros até a SC-405, no elevado da Seta, ligando o Centro ao Sul da Ilha.

SC-401 recebe até 80 mil veículos por dia na alta temporada - Foto: Marco Santiago/ND
SC-401 recebe até 80 mil veículos por dia na alta temporada – Foto: Marco Santiago/ND

De acordo com o tenente-coronel Mauro Rezende, chefe de operações do CPMR (Comando do Policiamento Militar Rodoviário), a SC-401 está “saturada” no trecho entre Itacorubi e Canasvieiras. “A quantidade de veículos é muito superior já considerando a duplicação. É uma rodovia que precisa ser repensada e planejada”, avalia.

A falta de acostamentos em alguns trechos e de terceiras faixas auxiliares nas subidas de morros e o acesso direto a praias sem marginais são alguns dos problemas apontados por Rezende que poderiam ser corrigidos com obras de revitalização. “A SC-401 precisa ser atualizada”, insiste.

A necessidade de adequação da rodovia é compartilhada pelo doutor em engenharia de transportes, José Leles de Souza, do Icetran (Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte). “A cidade acabou transformando a via que era rural numa região muito urbanizada. Então, no mínimo, é preciso fazer uma municipalização ou um trabalho integrado entre Estado e município de modo que se possa atualizar as condições de circulação daquela área”, afirma.

De acordo com dados do CPMR, 55 acidentes foram registrados este ano, causando ferimentos em 16 pessoas, mas sem mortes. Porém, no ano passado, 588 acidentes foram registrados, com 219 feridos e 13 mortes, três a mais em relação a 2017. Apesar dos dados, a perspectiva é otimista para até o final do ano, graças às ações de fiscalização, que buscam coibir o excesso de velocidade e a condução sob efeito de álcool. “As pessoas têm deixado de transitar alcoolizadas e isso se reflete nos números. O que a gente espera é que o condutor crie essa consciência”, completa Rezende.

Projeto já existe no Deinfra

O projeto de revitalização da SC-401 está nas mãos do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura). O documento elaborado há dois anos está defasado e depende de nova análise técnica. A estimativa é de que sejam necessários R$ 33 milhões para todas as intervenções, mas não há prazo para sair do papel.

De acordo com o secretário de Infraestrutura da Capital, Valter Gallina, a municipalização da rodovia é a solução. “A prefeitura consegue fazer a melhoria e a revitalização mais rápido, com mais eficácia, melhor e mais barato, mas obviamente precisamos de recursos para a revitalização e depois para a manutenção mensal”, argumenta.

Para o governo do Estado, a prioridade é dar prosseguimento às obras que estão paralisadas. “Concluir o que está em andamento é o nosso foco. Dedico mais de 90% do tempo para destravar o que está parado. O que está parado é mais prejuízo ainda”, diz o secretário de Estado de Infraestrutura, Carlos Hassler.

João Paulo Felix troca pneus diariamente por conta dos buracos na SC-401 - Foto: Marco Santiago/ND
João Paulo Felix troca pneus diariamente por conta dos buracos na SC-401 – Foto: Marco Santiago/ND

Enquanto as obras não saem do papel, motoristas seguem no enfrentamento diário dos problemas na SC-401, como congestionamentos e buracos. Motorista de aplicativo, Artur Nascimento já não aguenta mais conviver com as filas na subida do morro do cemitério Jardim da Paz, em direção ao Centro. “Tem uma terceira faixa, mas ela acaba no meio da subida. Não entendo porque não fazer até o final, pois não há casas para desapropriar”, afirma.

O borracheiro João Paulo Félix atesta os problemas no asfalto, principalmente no trecho mais antigo das pistas, entre o Itacorubi e o trevo de acesso a Jurerê. “Está todo mundo reclamando. Por causa do calorão, a borracha do pneu fica mais mole e quando bate no buraco não aguenta”, relata Félix, que apenas na manhã de ontem teve que arrumar quatro pneus danificados por buracos.

Balanço

2019 (até 11/02)

  • 55 acidentes
  • 16 feridos

2018

  • 588 acidentes
  • 219 feridos
  • 13 mortes

2017

  • 655 acidentes
  • 259 feridos
  • 10 mortes

Cidade