Polícia não pode prender jornalista que matou namorada em SP

Policiais civis da Divisão de Capturas chegaram por volta das 18h30 desta terça-feira (24) à casa do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, na Chácara Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo, para tentar convencê-lo a se entregar. O delegado-assistente Pablo Baccin contou que ainda não tem um mandado de prisão, mas que, mesmo com ele em mãos, não pode invadir a residência em razão do horário.

“Não posso entrar na casa dele à noite. Só se fosse caso de flagrante. O importante é que ele não escape agora”, afirmou o delegado, que está acompanhado de outros investigadores. Por pelo menos duas vezes, o jornalista passou rapidamente por uma janela situada na frente da casa, mas até as 18h45 não havia aberto a porta para os policiais.

A 2ª turma do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou nesta terça-feira (24) a prisão imediata do jornalista Pimenta Neves, condenado pela morte da também jornalista Sandra Gomide. A decisão foi unânime entre os cinco ministros que apreciaram a questão, segundo nota do STF.

O R7 ainda não conseguiu contato com a advogada do jornalista.  Os ministros rejeitaram por unanimidade um recurso da defesa de Pimenta e concluíram que chegou a hora de ele começar a cumprir a pena.

Sandra foi morta no dia 20 de agosto de 2000, no Haras Setti, em Ibiúna, cidade a 64 km de São Paulo. Na época, Pimenta Neves, com 63 anos, era diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo. Sandra também trabalhava no jornal, como repórter e editora de Economia. Eles namoraram por quatro anos, mas ela terminou o relacionamento semanas antes do crime.

Réu confesso do crime, Neves foi condenado a passar 19,2 anos na cadeia, mas a pena foi reduzida pelo STJ para 15 anos. No entanto, ele cumpriu apenas sete meses de prisão e permanecia livre devido a uma outra decisão do STJ, de 2007.

Recursos “exagerados”, diz ministra

Na sessão desta terça-feira (24), os ministros confirmaram a decisão de Celso de Mello que já tinha negado um recurso da defesa do jornalista. Por sugestão da ministra Ellen Gracie, o ministro Celso de Mello determinará ao juiz de Ibiúna a imediata execução da pena. Mello comentou: “ É chegado o momento de cumprir a pena. O jornalista valeu-se de todos os meios recursais postos à disposição dele. Enfim, é chegado o momento de cumprir a pena.”

Segundo nota do STF, vários ministros se disseram indignados com o tempo que o processo levou para ser concluído. Ellen qualificou como um “exagero” a quantidade de recursos da defesa do jornalista. Porém, ela ressalvou que todos estão previstos na legislação brasileira. O ministro Ayres Britto afirmou que a quantidade de recursos beira o “absurdo”. Para o ministro Gilmar Mendes, presidente da 2ª Turma, o caso “causa constrangimentos de toda ordem”.

Brasil