Pedro Parente pede demissão da presidência da Petrobras

ANAÏS FERNANDES E NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão na manhã desta sexta (1º), em reunião com o presidente Michel Temer. Parente estava na empresa desde junho de 2016.

Parente vinha sendo criticado pela insistência com a política de preços dos combustíveis implantada durante sua gestão, que levou a aumentos que culminaram com a paralisação dos caminhoneiros.

Em fato relevante, a Petrobras informou que um presidente interino será escolhido pelo conselho de administração da companhia nesta sexta. Disse ainda que não haverá mudanças na diretoria.

Ao assumir, disse que recebeu garantias de Temer de que a Petrobras praticaria preços de mercado e não sofreria interferência política. Nas últimas semanas, porém, sua política de preços esteve no centro do debate, com críticas partindo inclusive da base aliada do governo. Para tentar aliviar a pressão grevista, a Petrobras chegou a reduzir em 10% o preço do diesel em suas refinarias.

Nos últimos dias, Parente se dedicou a defender as mudanças na política de preços e na gestão da área de refino da estatal, que entraram no foco do debate eleitoral após o início da greve dos caminhoneiros, no último dia 21. Promoveu duas teleconferências com analistas e gravou vídeos para convencer os empregados que a política é melhor para a empresa.

Em julho de 2017, a Petrobras autorizou a realização de ajustes diários nos preços, alegando que precisava combater importações de derivados de petróleo por terceiros. A partir do início de 2018, porém, a escalada das cotações internacionais do petróleo e a desvalorização do real pressionaram os preços internos dos combustíveis.

As ações da Petrobras estão em intervalo

Quando chega um fato relevante de empresa, é normal as negociações dos papéis daquela empresa serem suspensas por 20 minutos. As ADRs (recibos de ações negociadas nos EUA) caiam 7,93% às 11h50 (horário de Brasília).

Em demissão, Parente sugere que Temer siga regras corporativas; leia carta

Parente estava na empresa desde junho de 2016. Ele vinha sendo criticado pela insistência com a política de preços dos combustíveis implantada durante sua gestão, que levou a aumentos que culminaram com a paralisação dos caminhoneiros.

Leia abaixo, na íntegra, sua carta de demissão. 

“Excelentíssimo Senhor Presidente da República,

Quando Vossa Excelência me estendeu o honroso convite para ser presidente da Petrobras, conversamos longamente sobre a minha visão de como poderia trabalhar para recuperar a empresa, que passava por graves dificuldades, sem aportes de capital do Tesouro, que na ocasião se mencionava ser indispensável e da ordem de dezenas de bilhões de reais. Vossa Excelência concordou inteiramente com a minha visão e me concedeu a autonomia necessária para levar a cabo tão difícil missão.

Durante o período em que fui presidente da empresa, contei com o pleno apoio de seu Conselho. A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas. Os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços.

Faço um julgamento sereno de meu desempenho, e me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue, graças ao trabalho abnegado de um time de executivos, gerentes e o apoio de uma grande parte da força de trabalho da empresa, sempre, repito, com o decidido apoio de seu Conselho.

A Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada, indicadores de segurança em linha com as melhores empresas do setor, resultados financeiros muito positivos, como demonstrado pelo último resultado divulgado, dívida em franca trajetória de redução e um planejamento estratégico que tem se mostrado capaz de fazer a empresa investir de forma responsável e duradoura, gerando empregos e riqueza para o nosso país. E isso tudo sem qualquer aporte de capital do Tesouro Nacional, conforme nossa conversa inicial. Me parece, assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a Petrobras estão lançadas.

A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do País desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento. Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no País. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel.

Tenho refletido muito sobre tudo o que aconteceu. Está claro, Sr. Presidente, que novas discussões serão necessárias. E, diante deste quadro fica claro que a minha permanência na presidencia da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente. Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público. Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas.

Sendo assim, por meio desta carta, apresento meu pedido de demissão do cargo de Presidente da Petrobras, em caráter irrevogável e irretratável. Coloco-me à disposição para fazer a transição pelo período necessário para aquele que vier a me substituir.

Vossa Excelência tem sido impecável na visão de gestão profissional da Petrobras. Permita-me, Sr. Presidente, registrar a minha sugestão de que, para continuar com essa histórica contribuição para a empresa -que foi nesse período gerida sem qualquer interferência política — Vossa Excelência se apoie nas regras corporativas, que tanto foram aperfeiçoadas nesses dois anos, e na contribuição do Conselho de Administração para a escolha do novo presidente da Petrobras.

A poucos brasileiros foi dada a honra de presidir a Petrobras. Tenho plena consciência disso e sou muito grato a que, por um período de dois anos, essa honra única me tenha sido conferida por Vossa Excelência.

Quero finalmente registrar o meu agradecimento ao Conselho de Administração, meus colegas da Diretoria Executiva, minha equipe de apoio direto, os demais gestores da empresa e toda força de trabalho que fazem a Petrobras ser a grande empresa que é, orgulho de todos os brasileiros.

Respeitosamente,

Pedro Parente”

Ações da Petrobras reabrem despencando mais de 14%

Após terem as negociações interrompidas por alguns minutos, as ações da Petrobras reabriram em forte queda por volta do meio-dia desta sexta (1º).

As ações caem mais de 14% na Bolsa brasileira. Os papéis preferenciais foram para R$ 16,20, enquanto os ordinários estão em R$ 19.

A Petrobras informou na manhã desta sexta que o presidente da estatal, Pedro Parente, pediu a renúncia do cargo. 

As ADRs (recibos de ações negociadas nos EUA) caiam mais de 13%, cotadas a US$ 10,28.

A Petrobras entrou em leilão na Bolsa logo após o anúncio -é normal que as negociações de uma empresa sejam suspensas por 20 minutos após ela emitir algum comunicado ao mercado.

“A situação demonstra uma fragilidade gigantesca do governo. Isso vai refletir não só nas ações da Petrobras, que devem reabri em torno de R$ 16 [estão em R$ 19 agora], mas também em câmbio, juros futuros”, diz André Perfeito, economista-chefe da Spinelli Corretora. 

O dólar sobe neste momento ante o real. O dólar comercial avança 0,37%, para R$ 3,75, enquanto o à vista ganha 0,63%, cotado a R$ 3,752

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Pedro Parente pede demissão da presidência da Petrobras

Atualizado

ANAÏS, NICOLA PAMPLONA E MAELI PRADO

SÃO PAULO, SP, RIO DE JANEIRO, RJ e BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Pressionado pela defesa da política de preços dos combustíveis implantada em sua gestão, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão na manhã desta sexta (1). A decisão foi comunicada aso mercado enquanto o executivo estava reunido com o presidente Michel Temer, em Brasília.

Implantada em outubro de 2016 e revista em julho de 2017, a política de preços dos combustíveis entrou no centro do debate econômico após o início da greve dos caminhoneiros, recebendo críticas tanto da oposição quanto da base do governo.

“Diante desse quadro, fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”, afirmou o executivo, em carta enviada a Temer nesta sexta.

Na quinta (31), Parente havia se reunido em São Paulo com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

Em fato relevante, a Petrobras informou que um presidente interino será escolhido pelo conselho de administração da companhia nesta sexta. Disse ainda que não haverá mudanças na diretoria. As ações da Petrobras negociadas em Nova York despencaram: às 11h54, a queda era de 11,55%.

Parente assumiu a presidência da Petrobras em junho de 2016, em substituição a Aldemir Bendine, hoje preso pela Operação Lava Jato. Ao chegar à empresa, disse que recebeu garantias de Temer de que a Petrobras praticaria preços de mercado e não sofreria interferência política.

Em julho de 2017, autorizou a realização de ajustes diários nos preços, alegando que precisava combater importações de derivados de petróleo por terceiros. A partir do início de 2018, porém, a escalada das cotações internacionais do petróleo e a desvalorização do real pressionaram os preços internos dos combustíveis.

Nas últimas semanas, sua política de preços esteve no centro do debate, com críticas partindo inclusive da base aliada do governo.

Com a disparada dos preços, a política da estatal ficou sob duras críticas e foi apontada como justificativa para a greve dos caminhoneiros que parou o país nas últimas duas semanas.

“A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do país desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento”, escreveu Parente.

Nos últimos dias, Parente se dedicou a defender as mudanças na política de preços e na gestão da área de refino da estatal. Promoveu duas teleconferências com analistas e gravou vídeos para convencer os empregados que a política é melhor para a empresa.

“Poucos conseguem enxergar que ela [a crise] reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país”, continuou. “Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel.”

Para tentar aliviar a pressão grevista, a Petrobras anunciou no dia 24 a redução de 10% no preço do diesel em suas refinarias, com congelamento por 15 dias, medida que gerou em investidores temor de retorno da ingerência estatal. Parente disse que havia sido uma decisão interna, pensando no melhor resultado da companhia.

Nos dias seguintes, porém, o governo ampliou o corte de preço e o prazo para o congelamento. Nesta quinta (31), anunciou que os subsídios serão bancados com cortes de gastos em áreas como saúde e segurança.

As ações da Petrobras estão em leilão -quando chega um fato relevante de empresa, ou seja, um comunicado da companhia ao mercado, é normal as negociações dos papéis daquela empresa serem suspensas por 20 minutos. As ADRs (recibos de ações negociadas nos EUA) caiam mais de 10% às 12h (horário de Brasília).

REAÇÃO DOS MINISTROS

Os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Carlos Marun, se negaram a comentar nesta sexta-feira (1º) a demissão do presidente da Petrobras. “Não temos poder autoridade pra tratar de algo que está sendo rigorosamente tratado pela presidente da República”, afirmou Padilha.

Os ministros falaram à imprensa após reunião do gabinete de crise que trata da greve dos caminhoneiros, mas se recusaram a responder perguntas sobre a demissão do presidente da Petrobras ou a possibilidade de mudança da política de preços da empresa.

No ápice da crise, na segunda (28), o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou a jornalistas que a saída de Parente não estava na pauta do governo. “Não está na pauta do governo sequer analisar a possibilidade de o ministro sair do cargo.”

Padilha havia elogiado a atuação de Parente à frente da estatal e disse que sua gestão está alinhada com o que pensa o governo.

“Sob o ponto de vista de gestão, [Parente] mostrou que está afinado com a intenção do presidente Michel Temer e, portanto. Não podemos analisar sequer qualquer pressão para demissão do Pedro Parente. Para nós, ele é um gestor eficaz, eficiente e tem apresentado rodos os resultados em um tempo curto”, afirmou.

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