Motorista acusado de atropelar e matar jornalista na SC-401 é condenado a 7 anos de prisão

O motorista que atropelou e matou o jornalista Róger Bitencourt, no dia 27 de dezembro de 2015, Gustavo Raupp Schardosim, 42 anos, foi condenado pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Florianópolis nesta quinta-feira (7) a sete anos de reclusão por homicídio consumado e tentativa de homicídio. Apesar da condenação e por ter cumprido um ano e quatro meses, a pena foi fixada em cinco anos e oito meses em regime semiaberto e Schardosim poderá recorrer em liberdade. A sentença também obriga o réu a pagar R$ 50 mil de multa à família da vítima.

Motorista Gustavo Raupp foi julgado nesta quinta-feira em Florianópolis - Marco Santiago/ND
Motorista Gustavo Raupp foi julgado nesta quinta-feira em Florianópolis – Marco Santiago/ND

O julgamento presidido pelo juiz Renato Mastella foi acompanhado por familiares e amigos de Róger Bitencourt e familiares do réu. A sessão começou com os depoimentos de seis testemunhas, entre elas os policiais militares rodoviários que atenderam a ocorrência e dois motoristas que testemunharam o acidente e evitaram a fuga de Gustavo Schardosim. Todos os quatro confirmaram que o motorista apresentava sinais de embriaguez e relataram os momentos seguintes ao acidente, quando o motorista quase foi linchado após tentar fugir do local do acidente, na SC-401.

O administrador e colega de treino Sander de Mira também foi ouvido e se emocionou ao lembrar que Róger estava gravemente ferido. Familiares também ficaram emocionados com o relato. Por fim, a fisioterapeuta Geórgia Maciel, mulher do réu, também prestou depoimento a pedido do advogado de defesa, Alexandre Neuber.

Ela não estava no país no dia do acidente e relatou os problemas que a família enfrentou decorrentes do período de um ano e quatro meses que Schardosim ficou preso preventivamente. Na sequência, foi a vez do réu prestar depoimento.

O motorista confirmou ter ingerido bebida alcoólica e fumado maconha nas horas que antecederam ao acidente e que não lembra do exato momento da batida, pois dormiu ao volante. “Eu não me lembro o que aconteceu. Eu acordei com o impacto. No que eu desci, vi que tinha uma bicicleta presa no carro e na hora vi que tinha causado algum acidente. Então alguém falou que havia matado um ciclista e fiquei em choque”, contou.

Depois do intervalo para o almoço, a sessão reiniciou com a sustentação oral do promotor Afonso Ghizzo Neto, que buscou mostrar aos jurados que o motorista já tinha antecedentes por dirigir embriagado e que, por isso, o dolo eventual estava evidenciado, pois o réu teria assumido o risco ao dirigir naquelas condições. “Ele bebeu, fumou maconha, atropelou, matou e tentou fugir. Só não foi linchado porque um argentino não deixou ele fugir, intercedeu. É um assassino”, definiu.

Na sequência, o advogado Alexandre Neuber iniciou a sustentação oral para provar que o crime praticado por Gustavo Schardosim é tipificado pelo Código de Trânsito, com pena de dois a quatro anos de prisão, que vigorava à época dos fatos. Neuber reconheceu que a pena é pequena e que o cliente cometeu um crime, mas também comparou outros casos semelhantes nos quais motoristas foram processados por homicídio culposo ao invés de doloso. “Gustavo foi injustiçado por já ter cumprido pena de um ano e quatro meses em regime fechado, sem ter sido julgado”, argumentou.

Após intervalo de 20 minutos, o assistente de acusação Marcelo de Mello apresentou aos jurados informações sobre Róger Bitencourt e o promotor Afonso Ghizzo Neto deu sequência à réplica da promotoria. Porém, o clima esquentou e Ghizzo Neto e Alexandre Neuber trocaram empurrões, para espanto dos presentes, e tiveram que ser separados por um policial militar.

O juiz Renato Mastella teve que suspender temporariamente a sessão no plenário para acalmar os ânimos. Na retomada, Ghizzo Neto voltou a citar outros casos para desmentir as informações repassadas pela defesa, e o debate técnico tomou conta do julgamento. Na réplica da defesa, Neuber também esmiuçou outros casos emblemáticos na Capital numa tentativa de explicar a diferença entre dolo eventual e culpa consciente. “É muito tênue a linha que separa o dolo eventual da culpa consciente”, alegou Neuber, antes de finalizar a argumentação.

Grupo RIC é destaque na cobertura do julgamento

O caso Róger Bitencourt ganhou grande repercussão. O Grupo RIC pensou diferente e fez a cobertura mais completa do julgamento. A sessão do júri foi acompanhada desde o primeiro momento com cobertura minuto a minuto pelo Twitter do ND Online. Além do jornalista Cristiano Rigo Dalcin, o Grupo RIC enviou ao Tribunal de Justiça o ilustrador Sandro Zambi para trazer os detalhes visuais do julgamento.

A presença do profissional foi importante para dar a dimensão das reações e gestos dos envolvidos no caso. A Justiça proíbe o registro de fotos e vídeos no tribunal. Esta opção, de levar um ilustrador ao julgamento, segue o exemplo dos jornais norte-americanos que usam esta alternativa.

As publicações foram atualizadas sempre que havia uma nova informação relevante. Além do Twitter, o conteúdo foi disponibilizado de forma integrada na RICTV Record e nas redes sociais com a #CasoRóger. Durante a tarde desta quinta-feira, as publicações tinham alcançado mais de 50 mil pessoas.

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