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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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A história do escultor da Catedral da Sé é despertada em Joinville, onde moram sua filha e netas

Obra do sueco Ferdinand Frick, que esculpiu a maquete e criou as estátuas que ornamentam a entrada da igreja de São Paulo, está compilada em livro que será lançado nesta terça, pelo escritor e artista plástico Wilson Gelbcke

Suelen Soares da Silva
Joinville
Fabrício Porto/ND

Autor do livro, Wilson Gelbcke, e Carmem Frick Reu, uma das netas do artista homenageado, satisfeitos com o trabalho de pesquisa que resgata parte da memória do artista que tem obras espalhadas pelo mundo

 

O escritor e artista plástico Wilson Gelbcke lança nesta terça (9), às 19h30, na Livraria Midas, em Joinville, o livro “Obras do escultor F. Frick na Catedral da Sé”. Neste livro, o autor resgata, como ele mesmo diz, “um tesouro centenário” que estava há pelo menos sete décadas em Joinville, sob a guarda de Vera Ingrid, 94 anos, e de Carmem Frick Reu, 69, respectivamente filha e neta do artista sueco Ferdinand Frick.

A história de Frick no Brasil começou em 1913, quando o escultor, aos 34 anos, chegou a São Paulo. As recentes impressões do artista sobre os trópicos foram enviadas ao seu país de origem e publicadas em forma de carta em um jornal local da Suécia. 

Em pouco tempo no Brasil, ele já figurava entre os escultores mais reconhecidos da época, quando surgiu o convite de Adolpho Augusto Pinto, secretário da comissão executiva das obras daquela que seria nova Catedral da Sé, no centro de São Paulo, para fazer a maquete do futuro templo, de forma que a comissão conseguisse levantar recursos para a monumental obra.

Além da maquete sob encomenda em 1:40, o escultor fez oito imagens em gesso como molde para, posteriormente, serem transformadas na grande obra da vida dele: as estátuas gigantes que ornam a parte da entrada da catedral. Uma obra que ele levou 20 anos para fazer e não conseguiu ver totalmente concluída, já que a obra foi inaugurada em parte para as comemorações dos 400 anos de São Paulo, em 1954.

 

Reprodução do livro/ND
A maquete da Catedral da Sé, primeira obra do escultor Ferdinand Frick no Brasil, feita em 1913

"O trabalho exposto é, na verdade, belíssimo e merece ser visto por todos os que acompanham com interesse as grandes obras do país".

Texto extraído do Jornal Diário Popular, de outubro de 1915, sobre a maquete exposta

 

O irmão zeloso ajudou a

compilar parte do material

Ernfrid Frick, irmão do artista, que veio para o Brasil dez anos depois de Ferdinand, o ajudava a guardar tudo aquilo que era publicado na imprensa brasileira e sueca da época sobre o seu trabalho. Cada nota, fotografia, artigo e reportagem era cuidadosamente arquivado.

No total, são 180 páginas de jornais que registram 25 anos da arte de Frick no Brasil e que deram todo o suporte de informações ao livro, que não fala apenas do trabalho na Catedral da Sé, mas também de outras obras e da vida do artista no Brasil. “Eu quero que as pessoas conheçam a história desse artista e da importância das obras dele, que quase ninguém conhece”, enfatiza Gelbcke.

O livro “Obras do escultor F. Frinck na Catedral da Sé” tem patrocínio do Simdec (Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura) e será vendido no dia do lançamento a R$ 30. Após o lançamento, os exemplares estarão disponíveis na Livraria Midas e parte será distribuída gratuitamente em escolas e universidades, como contrapartida do Simdec.

 

Reprodução livro/ND
Os evangelistas São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João: as estátuas em cantaria de mármore foram a obra da vida de Frick, que quando veio para o Brasil já era um artista premiado nos salões internacionais

 

Um tesouro guardado em Joinville

“E como toda esta documentação em torno da vida de Ferdinand Frick veio para Joinville?” indaga o autor do livro, Wilson Gelbcke. Ele mesmo responde: “veio por conta do amor”. A única filha do escultor, Vera Frick, casou-se em São Paulo com o farmacêutico joinvilense Mário Reu, e em 1946 mudou-se para Joinville com o marido e a filha Carmem, de apenas um ano, trazendo todos os guardados do pai, que havia falecido em 1939, aos 60 anos.

Nem ela nem a neta Carmem ou a outra neta, Sônia, tinham noção da preciosidade que tinham em mãos e que ficou esquecida por quase 70 anos. A história, hoje resgatada, e que pretende mostrar o verdadeiro valor de Frick na arte é resultado de uma pesquisa feita na internet pelas netas Carmem e Sonia. Nesta pesquisa, elas descobriram obras do avô em Berlim e até catálogos de leilões da Europa com preços das obras dele. “Alguma coisa sabíamos da história dele, mas não tínhamos noção do tamanho da obra do meu avô”, conta Carmem.

A curiosidade das irmãs estimulou Carmem a rever antigos guardados da mãe, que aos 94 anos está bastante debilitada. Em um jantar entre amigos, ela contou sobre a pesquisa ao amigo Wilson Gelbcke. Encantado com a documentação, ele se propôs a escrever o livro. 

Por coincidência, ou “obra divina” como diz Gelbcke, neste mesmo jantar estava o sueco Carl Amén, que se propôs a traduzir algumas publicações internacionais para que o livro fosse concretizado.

 

Reprodução livro/ND
Vera Augusta, também escultora e mãe da única filha de Frick, Vera Ingrid, morreu no momento do parto. Por dois anos, o artista cuidou sozinho da filha em seu atelier, enquanto trabalhava, até casar-se com Hilma, sempre chamada de "a segunda mãe" de Vera. Hilma também morou em Joinville com a enteada

 

Reprodução livro/ND
Cena familiar no Natal de 1923, com Ferdinand Frick entre a filha Vera com seus presentes e o irmão, fotografados pela esposa Hilma

 

Serviço:


O quê: lançamento do livro “Obras do escultor F. Frick na Catedral da Sé” de Wilson Gelbcke

Quando: nesta terça, às 19h30

Onde: Livrarias Midas (rua João Colin, 475)

Quanto: R$ 30

 

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