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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Quinze modelos da Obesimor se preparam para viver um dia de glamour

Pacientes que passaram por redução radical de peso participam de desfile em Joinville que enfatiza, mais do que a moda, um estilo de vida

Suelen Soares da Silva
Joinville

Quinze modelos sobem na passarela na semana que vem para um desfile de modas especial. A seleção do grupo não levou em conta os mais altos, os mais magérrimos nem os mais famosos do mundo da moda. Aliás, nenhum dos modelos passou por um casting de agência ou tem experiência com passarela. O desfile do qual eles vão participar, mais do que moda, beleza e tendências da estação, pretende enfatizar é a alegria de viver e suas histórias de superação.

 

Fabricio Porto/ND
Janaina, Vera e Alessandra (em pé), Maria Isabel e Sandra (sentadas) vestidas de luxo para o desfile

 

Os modelos, todos pacientes pós-operados de obesidade mórbida no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, irão desfilar suas alegrias e histórias de superação, no evento agendado para quinta (5), às 19h, na Sociedade Recreativa Alvorada, em Joinville. O desfile, que está em sua sexta edição, busca compartilhar e levar a conhecimento de familiares, comunidade e para as pessoas que estejam se preparando para a cirurgia, o trabalho que a Obesimor (departamento que cuida dos tratamentos de obesidade do hospital) realiza com os pacientes.

Todos os anos, no mês de janeiro, as inscrições são abertas para o desfile. No dia, todos passarão por um tratamento digno de um SPA, conforme explica Nailza M. A. Fião Villa, técnica de enfermagem e organizadora do desfile. Os “modelos” terão direito a cabeleireiros, maquiadores, massagistas, além do

lanche que será servido em um camarim. Para este ano, a novidade será a inclusão de duas coreografias ensaiadas pelos pacientes no estúdio de dança Dois pra lá, dois pra cá. O tango e o forró foram os ritmos escolhidos por eles.

A Obesimor faz parcerias para o evento. Todos os serviços ofertados aos pacientes no dia e antes do desfile são feitos por voluntários, inclusive as roupas em trajes sociais e esporte chique, que são cedidas pelas lojas Nossa Senhora Aparecida e Dellmann Trajes. “Eles vão até lá, selecionam as roupas que melhor se encaixam ao corpo deles e no dia do desfile, a loja leva tudo”, comenta a organizadora.

Segundo Nailza, os pacientes antes da operação viviam uma vida oprimida, a maioria estava fora do mercado de trabalho, sem vida social e enfrentando o preconceito pelo excesso de peso. “Eles entendem esse desfile como um renascimento. Como se a lagarta, enfim, virasse borboleta”, diz, emocionada.

 

O prazer de bem viver e andar na moda

 

Escolher os modelos proporcionou um reencontro entre amigas. Elas se ajudam, trocam opiniões sobre o que fica melhor no corpo da outra. Toda esta amizade entre pessoas que mal se conhecem é resultado da empatia e reciprocidade entre seres que passaram por situações muito parecidas. Por esse motivo, os pós-operados acabam criando afinidade.

Alessandra Ponick, 35 anos, é uma das mais novas do grupo. É também a mais atenciosa com as colegas. Ela ajuda nas escolhas, arruma o cabelo das amigas para a foto e busca o melhor ângulo para esconder partes do corpo que ainda não estão como gostariam. Aliás, o desfile é feito nesta época de temperaturas mais frias porque nem todas passaram pelas cirurgias plásticas que necessitam para retirada do excesso de peles. Então, o figurino mais reservado é o preferido.

Uma das mudanças mais evidentes é de Vera Lúcia Ferreira. Ela tinha 127 quilos e atualmente está com 68. A mudança não foi exclusivamente na parte externa, mas internamente. “Eu não sorria, não tinha vida, hoje me sinto bem”, destaca. Sandra Podewils compartilha do mesmo sentimento “Hoje estou maravilhosa, mas antes passei muita dificuldade”, relembra.

Sandra, além do peso em excesso, também estava com a pressão alta, colesterol elevado e diabete, consequências da obesidade mórbida. Hoje, ela pode se dar ao luxo de escolher um vestido amarelo bem justo ao corpo. Coisa que há dois anos não aconteceria.

O simples movimento de entrar em uma loja e escolher o que vestir, no caso das novas modelos não é futilidade. Comprar roupas faz com que elas sintam-se mais incluídas socialmente. “Nós mudamos o jeito de ver a vida. Nos cuidamos mais e queremos nos sentir mais bonitas”, relata Alessandra, que perdeu até o momento 36 quilos.

 

Mais saudáveis e consumistas

 

É fato que a vida das ex-gordinhas mudou. Elas estão mais saudáveis, praticam exercícios e, garantem, bem mais consumistas. Janaina pesava 135,5 quilos e hoje está com 80. Ela conta que comprar roupas ficou mais barato, já que a moda plus size tem o preço bem mais elevado. “Acho tudo maravilhoso, ando na moda e gasto menos”, explica.

A moda plus size cresceu no Brasil junto com o número de obesos. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010 apontam que o peso dos brasileiros vem aumentando nos últimos anos. O excesso de peso em homens adultos teve um salto de 18,5% para 50,1%%, ou seja, metade dos homens adultos está acima do peso. O excesso em mulheres foi de 28,7% para 48%.

Mas o pessoal da Obesimor não quer mais fazer parte desta estatística. Excesso, agora, só de felicidade. E nas pequenas coisas, como ter prazer de vestir-se com o que quiser, sair do uso rotineiro de camisetas, leggings, túnicas, batas ou outras roupas sem um corte mais trabalhado. O momento da escolha dos vestidos para o desfile, mais do que divertido, tem uma simbologia que só estas pessoas conseguem sentir e explicar.

A paciente Maria Isabel Coelho agora pode desfilar com a roupa que mais lhe agrada. “Me sinto maravilhosa”, diz ela, que passou dos três dígitos para dois e se diz feliz com o resultado. “Fui de 100 quilos para 59. Não me olhava no espelho. Agora, eu sou feliz e posso andar na moda!”, comemora.

Como a obesidade mórbida não tem cura, os pacientes que já foram operados devem manter o cuidado sempre, pois a cirurgia apenas os ajuda a emagrecer, mas o tratamento na Obesimor os ensina a ter uma qualidade de vida melhor, lembra Nailza.

Serviço

O quê: 6º Desfile de Pacientes Operados da Obesimor – Hospital Regional Hans Dieter Schmidt

Onde: Sociedade Esportiva e Recreativa Alvorada (rua Iririú, 1.073, Saguaçu)

Quando: 5 de junho, às 19h

Quanto: entrada gratuita

Informações: telefones 47/ 3461-5589 ou 3461-5587

 

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