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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Será lançada hoje em Joinville a coletânea dos Monstrinhos do Rio Cachoeira

São 96 páginas com todas as 160 tiras publicadas em jornais da cidade e mais dez histórias completas

Redação ND
Joinville
Rogério Souza Jr./ND
Criador. O ilustrador Geraldo Poerner, um dos “pais” dos monstrinhos

 

Há quem considere os Monstrinhos pessimistas, politicamente incorretos e com um sarcasmo desnecessário frente a um problema sério que afeta Joinville. Mas, vejam só, quase 25 anos deles saírem das ideias de Luciano “Luck” Rocknbach e Geraldo Poerner, o Rio Cachoeira continua poluído e os quatro seres horrendos seguem com motivo para fazer humor, principalmente agora que boa parte de suas histórias estão reunidas em livro com lançamento marcado para hoje.

A coletânea “Os Monstrinhos do Cachoeira” é resultado do esforço de um fã. Nielson Modro, professor da Univille, já havia feito um trabalho similar com “O Cão Tarado”, de Sandro Schmidt, e agora resolveu homenagear outra história em quadrinhos tipicamente joinvilense. “Considero o Poerner hiper talentoso, mas muito pouco valorizado. O livro vem para contribuir com isso, para divulgar mais o trabalho dele”, conta.

O resgate começou com o projeto “A Linguagem dos Quadrinhos: Literatura, Arte e Conhecimento”, coordenado por Modro na Univille, e resultou na publicação de “Os Monstrinhos do Cachoeira”. São 96 com todas as 160 tiras publicadas em jornais da cidade e mais dez histórias completas – como novidade, os quatro monstros que antes tinham a vida em preto e branco agora ganharam cores.

“Nós poderíamos ter feito um livro maior, mas resolvemos colorir os originais para que ficasse algo bem feito para os colecionadores guardarem mesmo”, conclui Modro.

Poerner, claro, topou a ideia de reavivar os monstrinhos: como conta a primeira historieta, datada de 1987, os habitantes do Cachoeira têm mente podre, língua podre, dentre podre e bafo podre. Têm a aparência de um coelho, um sapo, um jacaré e um Gremlin, mas o contato com a poluição do rio fez com que eles ficassem deformados fisicamente e mentalmente, já que suas piadas são um tanto ácidas demais para leitores mais sensíveis.

 

O quê: lançamento do livro “Os Monstrinhos do Cachoeira”

Quando: hoje, às 20h

Onde: Auditório 2, no bloco C da Univille

Quanto: gratuito. O livro será vendido no local por R$ 15

 

A origem dos monstros

Em meados dos anos 80, quando Poerner e Luck tomavam uma cerveja perto do Rio Cachoeira, um grupo de trabalhadores passou e reclamou do mau cheiro. “Um deles falou que os monstrinhos do rio estavam acordados. O Luck gostou da ideia e sugeriu que criássemos esses personagens”, lembra Poerner.

Aproveitando a onda dos quadrinhos alternativos, como Piratas do Tietê e Geraldão, os amigos começaram com a trajetória do quarteto. Inicialmente, as histórias eram publicadas na coluna “Subterrâneos”, no jornal “A Notícia”, e depois viraram tirinhas diárias até a metade da década de 1990, quando Poerner passou a se dedicar mais aos personagens Hans & Klaus. Em 2006, quando Luck faleceu, o criador decretou o fim dos monstrinhos. “Fiquei muito chateado porque ele era meu parceiro, não tinha sentido continuar”, lamenta.

Mas a ideia de reunir tiras e histórias agradou. “Revendo o material encontrei algumas que nem lembrava mais, e até pensei ‘pô, não é que ficava legal mesmo?’”, brinca. Entre tantas piadas com políticos e personalidades da cidade, Poerner tem uma que considera especial: a sátira feita às intervenções urbanas de Luiz Henrique Schwanke. Mas, ao invés de baldes, a arte dos monstrinhos era composta por penicos. “Achei que ele ficaria brabo, mas adorou e até colocou a tirinha junto com a obra.”

 

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