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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Projeto Sabores e Histórias da Imigração resgata o legado da culinária dos imigrantes em Joinville

Em novembro um evento reunirá todas as receitas do projeto em uma partilha nos jardins do museu da imigração e no ano que vem o livro será lançado

Suelen Soares da Silva
Joinville
Fabrício Porto/ND
Produtoras compartilharam suas receitas com os acadêmicos do curso de Tecnologia em Gastronomia da Univille

Uma manhã de sábado com muito sol e recheada de delícias, de histórias e de partilhas. O projeto “Sabores e Histórias da Imigração – Partilha de Saberes” reuniu o melhor das receitas das famílias descendentes de imigrantes, que residem na zona rural de Joinville. O projeto foi apresentado na Casa Krüger em Pirabeiraba.

As produtoras apresentaram os seus pratos para a degustação principalmente dos acadêmicos, e também explicaram o significado que cada uma das receitas tem para as suas famílias. A produtora rural Marilda Hotz de Lima, reside na Estrada Quiriri e levou um bolo de banana com farinha de rosca, que já está na sua família há anos e hoje assim como outros saberes, ela repassa para a filha Mariele, 8 anos. “São receitas feitas pelos nossos avós e é muito importante que elas sejam passadas para frente. Porque tem muita coisa que não foi registrada e se perdeu com o tempo”, destaca.

De acordo com a especialista cultural e educadora do MNIC (Museu Nacional de Imigração e Colonização), Elaine Machado, através desse projeto se reconhece a importância da cozinha na vida das pessoas, especialmente destas famílias que tratam a sua gastronomia como um legado cultural. “São saberes e fazeres tão presentes no cotidiano destas famílias que nós queremos redescobrir, através desta proposta”, afirma.

Elaine conta que a ideia surgiu em uma das suas pesquisas no Arquivo Histórico de Joinville. Em que o contato com receitas publicadas em 1970 nos periódicos da cidade, despertou a sua curiosidade.  Além disso, ela também explica que o MNIC também possui em seu acervo utensílios de cozinha e livros de receitas antigos. “Todo o processo de conhecimento é feito a partir das memórias e isso acontece muito no museu, quando as pessoas visitam a casa enxaimel. Quando elas veem os utensílios e se identificam, acabam partilhando conosco estas memórias”, ressalta.

O projeto é realizado pelo MNIC, pelo curso superior de Tecnologia em Gastronomia da Univille e as famílias que integram o projeto “Viva Ciranda”, da Fundação Turística de Joinville e Fundação 25 de Julho.

Preservação de um patrimônio

Para a coordenadora do “Viva Ciranda”, Anelise Rosa, o projeto auxilia na preservação destas tradições e do meio ambiente, porque as famílias também abrem as suas propriedades para visitantes. Em novembro um grande encontro, nos jardins do MNIC reunirá todos os envolvidos para uma partilha das receitas do projeto. “Esse evento em novembro será durante a Festa das Flores e será uma oportunidade de mostrar que Joinville tem outros atrativos e um deles é a gastronomia”, ressalta.

 A última etapa do projeto será o lançamento de um livro com a reprodução das receitas publicadas nos jornais, nos livros antigos de receitas e também das delícias produzidas pelas produtoras, que vão desde a culinária alemã, italiana, até a árabe e suíça. A previsão, segundo a professora da Univille, Yoná da Silva Dalonso, é que ele seja lançado no ano que vem.

 A professora explica que, como a maioria das receitas acaba ficando apenas entre os familiares, o livro será uma forma de registro, que estará ao alcance de todos. E por intermédio dos profissionais formados pelo curso de Tecnologia em Gastronomia, poderá chegar a outros espaços, como restaurantes. “No curso já existe esta prática, nós já introduzimos o estudo das receitas no currículo de algumas disciplinas. O livro ficará como um patrimônio das famílias”, conclui.

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