Publicidade
Sábado, 27 de Maio de 2017
Descrição do tempo
  • 23º C
  • 18º C

Pesquisador procura rastros dos imigrantes tchecos em Joinville

A viagem integra a pesquisa de doutorado que Petr Polakovic está realizando pela universidade de Karlova, em Praga

Redação ND
Joinville
Fabrício Porto/ND
Profissão. Petr trabalha no departamento de vendas de uma companhia de aviação

 

Um dia eles saíram do seu país de origem, deixando para trás a neve e a falta de condições para plantar. Migraram em busca de um futuro mais promissor, atraídos pelas promessas da industrialização. A história é conhecida e recontada nos relatos sobre migrações, mas pouco se ouve em relação à imigração tcheca para o Brasil. Esse é o objeto de pesquisa de doutorado do tcheco Petr Polakovic, que está fazendo um tour por Joinville e Região à procura de alguns rastros de seu povo.

Ele conta que uma das razões para que essa identidade tenha se apagado é a perda de documentos e o desaparecimento do idioma com o passar das gerações. Os primeiros imigrantes que vieram da Boêmia, uma das três províncias da antiga Tchecoslováquia, para Joinville, a partir de 1862, teriam se estabelecido nos bairros Boehmerwaldt e Itaum.

Chegando aqui, os boêmios se misturaram entre os alemães. “Na Boêmia se falava duas línguas: o tcheco e o alemão, mas nas colônias foi o alemão que predominou. Aí acontece que, quando você não fala a língua, a sua língua morre. Menos e menos pessoas falavam o tcheco aqui”, contou.

Ele então está correndo atrás de documentos. Tarefa que foi dificultada com a proibição do idioma alemão durante a Segunda Guerra: “Sob a pressão da guerra, esses documentos foram se perdendo. Funcionava assim: se você fala alemão, você é alemão. Então eles queimavam os documentos, como passaportes e cartas.”

Petr não começou a estudar ainda sobre qualquer participação diferenciada na colonização boêmia em relação a outros imigrantes que povoaram a cidade. Mas está coletando personalidades que marcaram a vinda dos tchecos para o Brasil. Em Joinville, descobriu nomes como Eduardo Krisch, que atuou na colônia Dona Francisca e na direção da colonização em Corupá, Doubrawa e o pastor evangélico Hölzel.

A idéia de Petr é reunir a maior quantidade de vestígios. “Talvez isso seja um pouco tarde, mas ainda pode ser feito. Não está destruído, eles ainda podem ser encontrados”, disse. Por isso, quem tiver intenção em contribuir na pesquisa ou tiver informações a respeito, pode escrever, em português mesmo, para info@emigrationmuseum.cz.

 

Intercâmbio

Pela segunda vez em Joinville, Petr Polakovic, 48, traçou para essa viagem um roteiro que integra as cidades de Corupá, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul e, fora de Santa Catarina, Brasília e São Paulo. Na Capital, vai conhecer o memorial do ex-presidente Juscelino Kubitschek e entender como seus ancestrais tchecos chegaram para o Brasil. 

A viagem integra a pesquisa de doutorado que está realizando pela universidade de Karlova, em Praga. Petr trabalha no departamento de vendas de uma companhia de aviação. Por prazer, agencia o Museu dos Compatriotas Emigrantes no Brasil, na cidade de Ralsko.

Descobrir cidades que tiveram imigração da Boêmia não foi especialmente difícil. Amigos puderam indicar cidades, a começar pela própria família de Petr, que migrou para o Rio Grande do Sul em 1867, para cidades como Cachoeira do Sul e Agudo.

Publicidade

0 Comentários