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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Perfuração corporal: especialistas falam sobre o ritual de superação durante congresso de tatuagem

Convenção Internacional de Tatuagem de Joinville atrai milhares de pessoas de diferentes tribos, que veem o corpo como uma tela pronta para receber arte

Adrieli Evarini
Joinville
Fabrício Porto/ND
Thiago e Compadrito trabalham com perfurações corporais e promoveram workshop

 

A terceira edição da Convenção de Tatuagem de Joinville, realizada de sexta-feira até este domingo na Expoville, em Joinville, além dos cerca de 800 tatuadores envolvidos no evento, que atraíram milhares de pessoas de toda a região, apresentou também performances de perfuração corporal como parte de sua ampla programação, que envolveu também concurso de pin ups, entre outras manifestações. Além das já tradicionais aplicações de body piercing, a convenção abriu na tarde de sexta com workshop para perfurações corporais com os perfuradores Thiago Rodrigo de Oliveira e Compadrito Aníbal.

Peruano e morando no Brasil há 12 anos, Compadrito classifica a suspensão corporal - o ato de suspender um corpo humano usando ganchos passados através de perfurações na pele. Estas perfurações são temporárias e são abertas pouco antes da suspensão ocorrer - como um ritual de passagem. “Algumas tribos já realizavam a suspensão e era assim que os meninos faziam sua passagem e se tornavam guerreiros”, comenta.

A primeira suspensão feita por ele ocorreu na Bolívia, em 2003, mas o profissional diz que só sentiu vontade de realizar nele próprio há oito anos. Para o perfurador, as motivações que levam as pessoas a realizarem a suspensão são diversas. “É pura diversão. Pode ser para sentir a adrenalina, para pertencer a um grupo, como um ritual de superação. Isso varia de cada um”, ressalta. “Uma coisa é certa, depois da suspensão, você nunca mais coloca os pés no chão da mesma forma”, completa.

 

Carlos Junior/ND
Muita gente aproveitou a realização da convenção para realizar o sonho de marcar-se para sempre

 

Para Oliveira, as perfurações corporais hoje estão completamente ligadas à arte. “Piercings, perfurações, tatuagem, tudo faz parte de arte”, diz.

O perfurador atua há oito anos e destaca como referência Ronaldo Sampaio. Ele diz que sua trajetória foi muito rápida. Em oito anos, além das perfurações e escarificações, já ministra palestras e workshops e realiza suspensões. Mas Oliveira se preocupa em saber o porquê das escolhas de seus clientes. “Para a suspensão é necessário estar fisicamente e psicologicamente saudável, e eu procuro sempre entender as motivações de cada pessoa”, explica.

Segundo Compadrito Aníbal, sua maior referência quando o assunto é suspensão vem do Nordeste brasileiro, o pernambucano Valnei Santos. “Não posso deixar de falar dele, falar em suspensão e não citá-lo é impossível. Um grande profissional e minha maior referência”, destaca.

O peruano ressalta ainda a importância de manter equipamentos de qualidade para que nenhum acidente aconteça durante a suspensão. “Todos os equipamentos são de escalada, a estrutura pode levantar um carro”, afirma.

Compadrito já chegou a fazer cerca de 20 suspensões em um único fim de semana em uma chácara. O maior tempo de suspensão feito por ele durou cerca de 1h30. Em toda sua carreira, nunca houve qualquer acidente durante a suspensão. “Em um evento como esse, o clima é de uma energia incrível, indescritível”, enfatiza.

No momento, o perfurador está focado em perfurações tradicionais e em compartilhar experiências em palestras e workshops.

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