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Oscar, neste domingo, deve ser político e realista

O musical “La La Land: Cantando Estações” deve ser consagrado em um ano com produções melhores na disputa

Alessandra Ogeda
Florianópolis
24/02/2017 às 19H49

 

Emma Stone e Ryan Gosling em “La La Land”; filme, atriz e diretor são favoritos - Divulgação/ND
Emma Stone e Ryan Gosling em “La La Land”; filme, atriz e diretor são favoritos - Divulgação/ND



No ano em que um musical, gênero geralmente fantasioso, lidera a disputa do Oscar em 13 categorias, o realismo insiste em predominar entre as produções de uma safra quase excepcional escolhida a dedo pelos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. As polêmicas envolvendo a indústria cinematográfica americana nos últimos anos e as ameaças que a eleição de Donald Trump trazem para Hollywood são fatores decisivos em 2017 para a premiação mais badalada do cinema mundial.

Que ninguém tenha dúvidas de que “La La Land: Cantando Estações” será o grande premiado do ano. O filme – impecável na técnica e um tanto pobre na proposta e na história, apesar de ser um musical e ter um “final feliz” – tem um rompante de realidade ao mostrar que o caminho do sucesso é cheio de pedras e que a frustração com a falta de preocupação com a qualidade faz parte do jogo. Mas, apesar de uma certa “crítica” no corpo da produção, a mensagem que fica é o fascínio da máquina de sonhos de Hollywood.

E é exatamente por isso que “La La Land” deve papar quase todos os prêmios da noite do Oscar, neste domingo à noite, a partir das 21h. Apesar de ser independente, com um faturamento anual que superou os US$ 11 bilhões nos últimos dois anos, Hollywood sente que precisa defender, mais do que nunca, os seus interesses em um país governado por Donald Trump. Na temporada de premiações pré-Oscar, os discursos dos astros contra o presidente começaram a proliferar, e isso deve ser visto na cerimônia de entrega dos prêmios da Academia.

Para os artistas e executivos de Hollywood, Trump é uma ameaça tanto pelas políticas de restrição de estrangeiros nos EUA quanto pelas estratégias de combate ao livre comércio. Faz parte do DNA do cinema ser uma indústria multinacional e multicultural, e Hollywood precisa tanto de investidores estrangeiros quanto de liberdade para investir fora dos EUA. Por tudo isso, “La La Land” será consagrado em uma temporada com filmes melhores na disputa, em um raro ano em que a safra repleta de produções “baseadas em histórias reais” e que finalmente reconhecem o talento de artistas negros será eclipsada por uma produção que defende interesses da indústria cinematográfica.

 

Denzel Washington (à dir.) e Viola Davis em “Um Limite Entre Nós” - Divulgação/ND
Denzel Washington (à dir.) e Viola Davis em “Um Limite Entre Nós” - Divulgação/ND



Quase perfeito

Se grandes filmes vão perder em categorias importantes do Oscar para o "estratégico" “La La Land” e isso fará parte do histórico de injustiças da premiação, o mesmo não pode ser dito sobre três das quatro categorias que vão premiar astros e estrelas de Hollywood. Tudo indica que três grandes talentos de Hollywood vão, finalmente, ser premiados. E eles, de quebra, rompem com a crítica recente (e justificada) de que Hollywood premiava apenas brancos e não reconhecia os talentos negros.

Um dos grandes atores de sua geração, Denzel Washington deve ganhar o terceiro Oscar da carreira vencendo na categoria Melhor Ator por “Um Limite entre Nós”. A última vez que ele levou uma estatueta dourada para casa foi há 15 anos. Viola Davis, parceira de cena de Washington, deve levar o primeiro Oscar da carreira em sua terceira indicação vencendo em Melhor Atriz Coadjuvante, e o talento ascendente de Mahershala Ali tem tudo para ser reconhecido como Melhor Ator Coadjuvante. Ao lado deles, deve figurar nas fotos dos premiados a atriz Emma Stone, a mais recente "jovem aposta" de Hollywood. Mas para a premiação ser realmente justa, poderia ocorrer uma zebra e Natalie Portman ou Isabelle Huppert levarem a estatueta.

O iraniano “O Apartamento” vem de boa trajetória no Festival de Cannes - Divulgação/ND
O iraniano “O Apartamento” vem de boa trajetória no Festival de Cannes - Divulgação/ND



Boa safra

A boa safra do Oscar deste ano não se resume a oito grandes filme indicados na categoria principal - apenas Lion é mediano - e a grandes produções disputando nas demais categorias, incluindo Melhor Documentário e Melhor Animação. O caleidoscópio de estilos e de histórias do cinema pode ser visto também na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, com os interessantes “Terra de Minas”, “Um Homem Chamado Ove”, “O Apartamento”, “Tanna” e “Toni Erdmann”. Todos, mais uma vez, inspirados em histórias reais ou que tratam de temas muito contemporâneos.

Destes cinco filmes, apenas Tanna foge do padrão de qualidade mais elevado. O filme australiano poderia, perfeitamente, ter sido substituído pelo elogiado “Aquarius”, produção nacional desprezada pelo Brasil para a disputa e que tinha qualidades para chegar entre os finalistas. Ou poderia ter cedido espaço para o interessante e ousado “De Longe te Observo”, da Venezuela, ou para produções de cineastas já reconhecidos, como “Elle” (Paul Verhoeven), “É Apenas o Fim do Mundo” (Xavier Dolan) ou “Julieta” (de Pedro Almodóvar). Para o alívio dos fãs do cinema, a estatueta deve ficar mesmo com “O Apartamento”, filme que finalmente dará o primeiro Oscar para o já bem premiado diretor iraniano Asghar Farhadi.

Quem ganha e quem merece levar o prêmio. Confira:

Legenda - Arte Rogério Moreira Jr
Arte Rogério Moreira Jr/ND



 

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