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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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O sentimento de pertencer à cultura gaúcha

Dança, poesia e hábitos ainda reforçam o movimento tradicionalista gaúcho

Alexandre Perger
Joinville

Não somente nos pampas que encobrem Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, mas até em outros Estados brasileiros, tradicionalistas celebram hoje o Dia do Gaúcho, em homenagem ao início da Revolução Farroupilha. Em Joinville, a programação de atividades e festas é extensa, iniciou no dia 14 deste mês, com a chegada da chama crioula, e vai até este sábado, encerrando com uma missa crioula na Comunidade Sagrado Coração de Jesus, em Pirabeiraba.

 

 

Divulgação/ND
Divulgação/ND
Lia e Carlos celebram a cultura tradicionalista em Joinville: dança como negócio e também paixão

 

 

Mesmo sendo algo peculiar da cultura do Rio Grande do Sul, o tradicionalismo se espalhou, se enraizando também em Santa Catarina. Em 1973, foi criado o Movimento Tradicionalista Catarinense, com sede em Lages, declarado de utilidade pública por lei estadual em 1981. A entidade conta com carta de princípios e código de ética, estabelecendo uma conduta baseada no modo de vida gaúcho, priorizando a preservação da cultura campeira.

O movimento catarinense é mais forte nas regiões Serrana e Oeste, mais próximas ao Rio Grande do Sul, em especial nas cidades de Lages e Chapecó. Mas, ainda assim, Joinville não fica de fora. A cultura gaúcha chegou por aqui com força e teve um auge em meados dos anos 2000, se transformando em uma febre, com vários bailes e uma grande busca por cursos de dança gaúcha, que tiveram papel na disseminação da cultura, pois, além da dança, ensinavam os costumes.

Foi em meio a esse período de efervescência do tradicionalismo na cidade que o casal de pedagogos Carlos Alberto Gelinski Maguerroski, hoje com pós-graduação em dança, e Liliane Nascimento Maguerroski resolveu investir e começou a dar aulas de dança gaúcha. Na realidade, conta Carlos, ele aprendeu a dança para encarar o baile de formatura. Quando começou a namorar Lia, resolveu ensiná-la a dançar.

E foi o bom desempenho dos dois na pista, aliado à efervescência do momento, que os motivou a abrir a Dança e Tradição Estúdio de Dança. Entre 2002 e 2007, foi o período de maior procura, quando eles chegaram a ter mais de 200 alunos em uma única turma. Após esse período, o movimento baixou e, hoje, há entre 40 e 50 alunos para a dança gaúcha.

Dentre as explicações para essa queda, está o surgimento do chamado tchê music, que fugiu dos tradicionais bailes e trouxe um estilo mais agitado. Além disso, segundo ela, está a concorrência desleal e a disseminação exagerada. “Alguns alunos recebem um elogio e já saem para montar a própria escola”, diz Lia. Por isso, ela e o marido não oferecem apenas dança gaúcha, mas também outros estilos.

Nem por isso, eles abandonaram as tradições. “Foi por onde começamos”, destaca. Quando conheceu a cultura gaúcha, o que mais a encantou foi o sentimento de respeito, a qualidade musical, a dança e os trajes. “O Dia do Gaúcho é primordial para valorizar a história”, sugere Lia, que também admira o sentimento de patriotismo.

 

Nem todo gaúcho anda de bombacha


O jornalista Sérgio Almeida veio de Santa Maria (RS) para Joinville há 23 anos, para fazer estágio em um jornal local e depois para trabalhar com jornalismo. Mesmo sendo gaúcho, tendo o sentimento de pertencer à cultura, ele não se sente representado pela cultura tradicionalista, pois acredita não ser necessário usar lenços e bombachas para ter identidade e alma gaúchas. “Não é uma bota e uma bombacha e um lenço, um cavalo, que faz você pertencer”, pontua. “As pessoas deturparam a sensação de pertencimento a uma identidade, uma raiz, para coisas mais alegóricas.”

Sérgio é descendente de espanhóis ouros mesclado com guaranis. “Sei da minha história, sei de onde eu vim e como formou-se a minha mistura toda”, conta o jornalista. Ele acredita que se um dia acabarem as fronteiras, permanecerá uma nação, a dos gaúchos, independentemente da territorialidade. Para ele, o sentimento de pertencer é o aspecto mais importante. “As alegorias são como bandeiras que as pessoas usam para mostrar que pertencem”, diz. No entanto, Sergio deixa claro que não é contra a essas manifestações, pois até se emociona com desfiles. “Deve estar no DNA”, acredita.

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