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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Raulino Rosskamp e Carmem esperam por destino adequado a acervo de mais de 2.000 livros em alemão

Por falta de espaço físico, a Biblioteca Pública de Joinville não tem condições de receber mais do que 500 exemplares

Ana Paula Keller
Joinville
Fabrício Porto/ND
Raulino Rosskamp em meio às centenas de livros que mantém em um espaço em sua casa: cuidando do acervo que ele e os amigos reuniram ao longo da vida. Agora, ele espera um destino digno para as obras, de preferência em solo joinvilense

 

 

Economista e advogado por formação, Raulino Rosskamp, 74 anos, acumula na residência 2.000 livros em alemão. Há dez anos, ele é o guardião do acervo com exemplares particulares e também dos amigos. Em função da sua mudança, da ampla casa para um apartamento, a biblioteca está sendo doada. O desejo dele é ver os livros em um setor de alemão dentro de uma biblioteca com acesso público e comunitário.

O acervo está na primeira casa construída na rua Aquidaban, no bairro Atiradores. Passando o amplo jardim verde, com frutas e espécies da mata atlântica, aos fundos encontra-se a sala com livros em doação. Entre os exemplares figuram os autores alemães Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich Schiller, Hans Dominik, E. G. Stahl. Há livros escritos em alemão da chilena Isabel Allende e do russo Fiódor Dostoiévski.

A mulher Carmem Rosskamp, 67 anos, com quem fará bodas de ouro em 2015, detém outras duas, porém não estão sendo doadas. Uma ela chama de pessoal e a outra de referência - com dicionários e exemplares mais técnicos. A educadora é fluente no espanhol, inglês, alemão e com conhecimento sobre o italiano, ela conseguiu transferir o hábito da leitura aos três filhos e aos netos. “Dos cinco netos, temos dois que são ratos de biblioteca”, diz orgulhosa.

Rosskamp é frequentador de grupos de conversação alemã, em Joinville e em Piçarras, ele reuniu os romances, os clássicos da literatura, os dicionários e os didáticos com os amigos Wally Schossland; Anneliese Martha Grosse; Eva Maria e Egon Beckmann; Úrsula e Lothar Eckhoff; Ingrid Zimmermann; Anneliese Ilse Mokross; e Carina Keller. “Eles se mudavam e eu permanecia como guardião dos livros”, revela. A publicação em alemão Brasil – Post e aproximadamente duas centenas de mapas também estão sendo doados.

A FCJ (Fundação Cultural de Joinville) manifestou interesse. Uma ideia dos gestores do órgão é disponibilizar o acervo no Palacete Niemeyer. A outra, doar para unidades da rede municipal de ensino, duas lecionam alemão. A Biblioteca Pública Rolf Colin não tem espaço físico para receber mais de 500 exemplares, informou a coordenadora Juciana Bittencourt da Silva, 43 anos.

Na Deutsche Schule também não há espaço para esta quantidade de livros; o local tem 500 exemplares de alemão. Na unidade pública Gustavo Odhe, em Pirabeiraba, há apenas 183 livros e 35 revistas; no Centro, há 106 exemplares. No registro de empréstimos, o ultimo foi em 6 de abril de 2013, livro retirado por uma suíça chamada Simone Srehner. Enquanto isso, os municípios de Schroeder e Campo Alegre manifestaram interesse pelo acervo total. “Mas eu gostaria de que permanecesse em Joinville”, diz o guardião.

 

Escolas precisam avaliar se material pode ter fim didático

 

Nas escolas municipais Hans Müller e Carlos Heins Funk, com alemão na grade curricular e no contraturno, há uma deficiência de material didático e de literatura confirmam os gestores. “Precisaríamos de detalhes, faixa etária, que tipo de literatura”, explica Adriana Machado, a supervisora de línguas estrangeiras da Secretaria de Educação. A rede municipal possui convênio com o governo alemão desde 2004. O Arquivo Histórico de Joinville manifestou interesse nos mapas e na coleção Brasil – Post, porém o material precisa ser analisado pelo arquivista.

De acordo com uma das bibliotecárias ouvidas, ao receber uma doação é levado em consideração o estado de conservação e o teor do conteúdo. Obras raras têm prioridade. “Esses livros são de literatura mais adulta, porém há obras de pontos turísticos da Alemanha e léxicos de referência”, diz a esposa de Rosskamp.

 

Família que chegou junto com a barca Colon

 

Raulino Rosskamp é bisneto de imigrantes oriundos de Oldenburg, na Alemanha, o bisavô aportou em Joinville em 1851, na Barca Colon. Foi vereador por quatro mandatos em 1962 e 1969 - quando não havia salário. Depois em 1976 e 1982; também exerceu uma legislatura de deputado estadual em 1986. Funcionário do Banco do Brasil começou a lecionar com 26 anos. A didática de professor e a naturalidade de ensinar permanecem impregnadas no economista.

Com a sabedoria acumulada com o passar dos anos, aliada a formação acadêmica e ao hábito da leitura faz com que Rosskamp divague em segundos de um assunto para outro. As correlações sobre desempenho do governo em Joinville com o da Alemanha é feita em segundos. Logo, o raciocínio o leva ao faturamento dos bancos no ano em que passou. Rapidamente, consegue mudar a lógica e discutir o ensinamento do português e do alemão nas escolas.

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