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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Acervo sob a guarda da família Rosskamp deve ser transferido para o Palacete Niemeyer

Por enquanto, esta é a saída encontrada para manter as obras que Raulino e amigos reuniram ao longo de décadas

Ana Paula Keller
Joinville
Rogério Souza Jr./ND
Palacete Niemeyer deve receber provisoriamente o acervo de cerca de 2.000 livros em alemão que estão sob a guarda da família Rosskamp, até que o destino dos livros seja definido

 

 

Além dos cerca de 2.000 livros que estão sob a guarda do professor Raulino Rosskamp, 74 anos, à espera de um destino digno, no momento em que ele precisa desocupar a casa da família, há mais 1.000 exemplares guardados no sótão da Casa da Memória, no Centro - onde está instalada a Scaj (Sociedade Cultural Alemã). Os acervos esperam uma definição dos órgãos públicos para a criação da biblioteca alemã. Enquanto a definição não sai, a FCJ (Fundação Cultural de Joinville) decidiu transferir as obras para o Palacete Niemeyer. O que deve ocorrer no dia 28.

Desde 2001 a Scaj está instalada na rua 15 de Novembro. Ali, uma sala estava reservada para receber a biblioteca germânica. No entanto, a FCJ usou o espaço para guardar outros tipos de materiais. A sociedade surgiu em 1999 para preservar e difundir a cultura germânica do município. São cerca de cem associados entre pessoas físicas e jurídicas. Entre as atividades, grupos de conversação com média de 40 pessoas por semana e os domingos matinais, uma vez ao mês com 200 participantes em cada evento.

“Desde a fundação da sociedade, existe o projeto de criação de biblioteca alemã”, comenta o presidente da Scaj, Carlos Adauto Virmond Vieira. Ele complementa: “O local ideal são espaços que preservem a história do município e que sejam polo de difusão”. Entre os exemplares sob a guarda de Rosskamp figuram os autores alemães Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich Schiller, Hans Dominik, E. G. Stahl. Há até mesmo livros escritos em alemão do russo Fiódor Dostoiévski.

“Nós vamos buscá-los e colocá-los no Palacete Niemeyer”, informou Guilherme Gassenferth, gerente de Difusão Cultural da FCJ. O acervo poderá permanecer no espaço ou ser transferido para a Casa da Memória e formar ali a biblioteca alemã. “Até dia 28, decidimos o destino correto dos livros”, garante. Na Casa da Memória há um funcionário que poderia catalogar o material e estaria no mesmo espaço onde funciona a Scaj (Sociedade Cultural Alemã de Joinville).

Rodrigo Bornholdt, cônsul honorário da Alemanha em Joinville, considera o acervo importante e torce por empenho dos órgãos públicos, em conjunto com os privados ligados à cultura, para destinaram correto. “É preciso fazer uma triagem e avaliar o valor cultural, literário e histórico”. De acordo com o cônsul, na década de 70 teve redução das pessoas que falavam o idioma na cidade, porém a procura está aumentando.  “Isso vai ficar mais nítido com instalação da BMW e de empresas alemães”.

Nesta semana, Bornholdt participou de um encontro na Embaixada da Alemanha, em Brasília. Nos dois dias de evento foram discutidas questões que permeiam a preservação da cultura, a relação econômica e política entre os país e as cidades com consulado. “Tem de se levar em consideração de que o acervo é transmitido de gerações”, pondera.

O acervo

Os romances, os clássicos da literatura, os dicionários e os didáticos escritos em alemão estão sob guarda de Raulino Rosskamp há dez anos. São obras dele e dos amigos Wally Schossland; Anneliese Martha Grosse; Eva Maria e Egon Beckmann; Úrsula e Lothar Eckhoff; Ingrid Zimmermann; Anneliese Ilse Mokross; e Carina Keller. “Eles se mudavam e eu permanecia como guardião dos livros”, revela. A publicação em alemão Brasil – Post e aproximadamente duas centenas de mapas também estão sendo doados.

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