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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Livro discute adaptações da literatura anglófona para o cinema

"Ensaios sobre literatura, teatro e cinema” foi lançado na Fundação Cultural Badesc, na Capital

Carol Macário
Florianópolis
Divulgação
Filme. "Sonho de Uma Noite de Verão" manteve nas telas a condição teatral

Nas adaptações da literatura para o cinema, o que se quer ver na grande tela é o nosso sonho, aquilo que imaginamos a partir de nossa leitura. A experiência pode ser tanto prazerosa e satisfatória quanto frustrante. “Claro que é diferente: afinal é uma adaptação ou uma nova obra?”, reflete a diretora de teatro e professora Maria Brígida de Miranda. Ela é uma das organizadoras do livro “Ensaios sobre literatura, teatro e cinema”, que foi lançado na Fundação Cultural Badesc, na Capital, e reúne 16 textos que discutem as adaptações da literatura para o cinema.

A obra é organizada por Anelise Reich Corseuil, Daniel Serravalle de Sá, Leon de Paula, Maria Brígida de Miranda e Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho e reúne ensaios e artigos de professores, diretores e artistas que participaram dos encontros mensais do projeto Cinema, Chá e Cultura, realizado desde outubro de 2008 na Fundação. Dedicado à exibição de filmes adaptados de obras literárias escritas em inglês, o programa conta com um convidado a cada encontro, que apresenta e debate as relações entre literatura, especialmente a dramática, e cinema.

“A adaptação acaba sendo uma outra construção”, comenta Maria Brígida. “A questão é: em que medida o texto literário ou teatral encontra a linguagem cinematográfica? Em que medida um filme está mais próximo do texto literário ou alça novos voos?”, reflete ela. E cita a exemplos de filmes que estão mais próximos do livro, entre eles uma versão para o cinema da obra de William Shakespeare (1564 – 1616) “Sonho de uma Noite de Verão”, de 1935, dos diretores Max Renhardt (1873 – 1940) e William Dieterle (1893 – 1772).

 “’Sonho de uma Noite de Verão’ já teve inúmeras adaptações. Esse filme de 1935, no entanto, em preto e branco, de tão teatral, foi aplaudido pelos espectadores depois da sessão na FCBadesc”, conta Maria Brígida. Isso porque os diretores tinham experiência com teatro, inclusive fizeram inúmeras encenações dessa obra, escrito pelo dramaturgo inglês entre 1590 e 1596, e a versão para o cinema não fugiu das características teatrais.

Ensaios sobre literatura, teatro e cinema (2013).

Organização: Anelise Reich Corseuil, Daniel Serravalle de Sá, Leon de Paula, Maria Brígida de Miranda e Maria Cecília de Miranda N. Coelho.

Edição: Fundação Cultural Badesc e Cultura Inglesa. 114 págs.

Gratuito

Relação com o teatro

Nos encontros regados a chá feito ao modo inglês, participantes e convidados do projeto Cinema, Chá e Cultura fazem comentários dos filmes exibidos sob perspectivas amplas, que podem servir de motivação a outros estudiosos, professores, artistas e educadores que queiram discutir e utilizar o cinema também como ferramenta pedagógica. Os artigos apresentam abordagens sob o ponto de vista da literatura, filosofia, teatro, pintura, artes visuais e artes marciais.

Segundo o ator Leon de Paula, que também organizou os textos para a publicação, nos primeiros anos a ideia do projeto era debater e exibir filmes que tivessem relação direta com o teatro e cultura anglófona. “Nos últimos dois anos é que se abriu para outras abordagens”, comenta ele.

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