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Lillian Ross, mãe do jornalismo literário, morre aos 99, nos EUA

Ross tinha 99 anos e foi uma das repórteres mais longevas da "The New Yorker", revista conhecida por seus grandes nomes e estilo particular de escrever histórias

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
20/09/2017 às 19H18

MAURÍCIO MEIRELES/ SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando veio à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), em 2006, era comum ver Lillian Ross na sala de imprensa com os "colegas" jornalistas, checando e-mails no local, enquanto os mortais esperavam sua vez de usar o computador. Os desatentos achariam ser ela mais uma repórter entre tantos, não uma veterana do jornalismo, já com 89 anos.

A criadora do jornalismo literário morreu, nesta quarta-feira (20), nos Estados Unidos, em decorrência de um derrame. Ela tinha 99 anos.

Ross foi uma das repórteres mais longevas da "The New Yorker", revista conhecida por seus grandes nomes e estilo particular de escrever histórias. A jornalista começou a trabalhar na publicação em 1945.

Ao personificar, com seu trabalho, a imagem da "mosca na parede" -metáfora para o repórter que, invisível, tem acesso privilegiado a momentos íntimos de seus personagens- ela ajudou a criar o jornalismo literário, gênero que propunha adotar as técnicas da ficção para narrar histórias reais, unindo reportagem e estética. Um estilo que faz parecer que tudo é invenção, quando é tudo verdade.

Em 1950, Ross foi enviada para acompanhar em Hollywood as filmagens de "A Glória de um Covarde". Dali, acabou propondo a seu editor, William Shawn, escrever sua reportagem como se fosse um romance.

A série foi publicada em cinco número das "The New Yorker", em 1952, e depois reunida no livro "Filme" (Companhia das Letras) —considerado o primeiro "romance de não ficção", expressão que Truman Capote depois usaria para definir seu "A Sangue Frio".

Ross deixou outros textos que se tornaram clássicos do jornalismo, como um perfil do escritor Ernest Hemingway (que a chamava de "filha"). O texto saiu em 1950, levando seu estilo a ser tão elogiado quanto o de luminares da revista, como John Hershey e Joseph Mitchell.

Ela começou na "New Yorker" numa época em que não se contratava mulheres para as redações —e só entrou porque os homens tinham ido servir na Segunda Guerra Mundial. Ganhava menos do que eles, mas logo descobriu-se o talento que ela tinha para fazer seus entrevistados se revelarem.

Alguns tiveram a chance de vê-la em ação, em 2006, durante a Flip. No tradicional almoço que Dom João Henrique de Orleans e Bragança, o Dom Joãozinho, oferecia aos autores da festa em literária, o príncipe foi interrogado pela jornalista.

Em dado momento, ela perguntou: "É verdade que apenas 10% das pessoas no Brasil sabem que você existe?". Diplomático, Dom Joãozinho respondeu, rindo: "Bom, mas 10% é bastante, no Brasil há muita gente". Mais tarde, ela publicaria uma reportagem sobre Dom Pedro 2º na revista.

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