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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Foyer do Teatro Juarez Machado recebe exposição que usa porcelana para criar um universo feminino

“E nāo ligue se as coisas nāo fizerem sentido: a vida, pode acontecer em recortes… Agora nāo sabemos como juntá-los, mas um dia saberemos. Por isso, Alice, nāo jogue os retalhos fora, viver é uni-los, um a um.”

Ana Paula Keller
Joinville
Fotos Fabrício Porto/ND
Giovana Casagrande e Leila Alberti trazem pela primeira vez a Joinville a exposição que montaram em Curitiba

 

 

 

Crochê e bordados coloridos em fio de seda revestem as porcelanas e retiram as peças da função utilitária. O objeto, a princípio branco, frio e brilhoso, se torna acolhedor na representação de um universo de realidade e fantasia, ao mesmo tempo em que aprisiona o corpo da mulher. E com esse discurso, no foyer do Teatro Juarez Machado, a exposição contemporânea “Coisas de Alice” brinca com a dualidade.

As artistas plásticas Leila Alberti e Giovana Casagrande, residentes em Curitiba, basearam-se na obra de Lewis Carrol [Charles Lutwidge Dodson] para construir a dialética. Razão e emoção, sanidade e insanidade, menina e mulher, fantasia e realidade, liberdade e prisão. No centro da exposição – há instalações distribuídas no espaço – está a garota Alice, que passa por um momento de evolução.

Rodeada por seres, atrelados à simbologia do ser feminino, ela se transforma em uma rainha ainda em busca de soluções e cheia de dúvidas. Como em um jogo de xadrez, calculado, encontra um equilíbrio frágil, no qual a sociedade ainda impõe uma série de cortes e aprisionamento. Outros elementos da exposição continuam a representar a metamorfose. Por fim, um imenso painel têxtil, em tons escuros, com aspecto de umidade, leva o espectador à imaginação infinita.

Ao visitante, a provocação das artistas é essa: dar voz e liberdade ao imaginário. “Temos de resgatar a liberdade de criar os sonhos”, diz Leila. Com exceção do corpo de Alice, encomendado pelas artistas, todas as demais peças de porcelana foram garimpadas em Campo Largo, no Paraná. O trabalho em assemblage - técnica baseada no princípio que todo e qualquer material pode ser incorporado a uma obra de arte, criando um novo conjunto, sem que esta perca seu sentido original - levou dois anos para ficar pronto.

Sob a curadoria de Walter Guerreiro, a instalação permite uma reflexão filosófica, psicanalítica. O universo místico está representado em bordados com cartas de copas e espadas. “Em termos de arte contemporânea o trabalho é minucioso, cuidadoso. A peças são trabalhadas até o final para dar o sentido que se pretende”, avalia o crítico de arte.

 

 

O crochê cobre peças frias de porcelana, em um universo pessoal e que exala feminilidade

 

 

“Coisas de Alice” está sendo exposta pela segunda vez. A primeira foi em outubro do ano passado, no Museu Alfredo Andersen, em Curitiba. Aos apreciadores da arte contemporânea, o trabalho pode ser conhecido até o dia 15 de junho, no espaço expositivo Juarez Machado, de segunda a sexta, das 8 às 17h, gratuitamente.

Giovana Casagrande e Leila Alberti são graduadas pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Giovana é especialista em história da arte moderna e contemporânea e tem obras estão em acervos no Brasil e nos Estados Unidos. A artista plástica Leila se especializou em poéticas no ensino da arte e acumula exposições em Paris e Nova York.

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