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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Dois espetáculos no fim de semana em Joinville marcam despedida da Cena 10

Mostra teatral encerra a 10ª edição com um espetáculo infantil na Ajote e a "Ópera dos Vivos", no teatro do Sesc

Alexandre Perger
Joinville

O Cena 10 termina neste fim de semana, concluindo sua meta de apresentar uma série de espetáculos teatrais de qualidade e diferentes vertentes, divulgando a arte e formando plateias. Para encerrar, há uma atração de Joinville, o musical infantil  “O Mistério de Belém”, do grupo O Canto do Povo, que se apresenta neste sábado (31), às 16h, no galpão da Ajote (rua 15 de Novembro, 1383), e outra de São Paulo, “Ópera dos Vivos”, da Cia. do Latão, que se apresenta nesta sexta (30) e sábado (31), às 18h, no Teatro do Sesc (rua Itaiópolis, 470), com entrada gratuita. Porém, em função do espaço reduzido, é necessário chegar uma hora antes do espetáculo para retirar o ingresso.

 

Divulgação/ND
Divulgação/ND
Companhia de São Paulo faz reflexão sobre a cultura desde a década de 1960

 

 

“Ópera dos Vivos” é uma peça com quatro horas de duração e dividida em quatro atos, um independente do outro, mas ao mesmo tempo interligados na proposta de fazer uma reflexão e um panorama da cultura em épocas diferentes, partindo da década de 1960 até hoje, misturando música, teatro e cinema.

O texto, escrito por Sérgio de Carvalho, é fruto de um intenso trabalho de pesquisa, que durou dois anos. O espetáculo estreou em 2010, no Rio de Janeiro e rodou pelo Brasil e exterior. “Entrevistamos muita gente, é uma peça especial, nosso trabalho de dramaturgia mais importante e o meu melhor texto”, diz o dramaturgo, que também dirige o espetáculo.

A peça reflete sobre o processo de mercantilização das artes, mostrando o quanto a cultura tem a ver com o processo de produção do mundo do trabalho, acompanhando o processo de alienação e individualização. O primeiro ato, chamado de “Sociedade Mortuária”, inspirado na história das ligas camponesas, retrata um grupo de teatro inserido em um momento histórico no qual o coletivo tem importância central.

No segundo ato, “Tempo Morto”, um banqueiro começa a financiar o cinema de esquerda, ao mesmo tempo que apoia a ditadura e colabora com o golpe militar. Depois, vem a música, com “Privilégio dos Mortos”. Alguns músicos homenageiam a cantora de protesto Miranda, que entra em coma e acorda três anos diante de outro panorama, com alguns de seus amigos fazendo música pop. Ao longo dessas partes, vai sendo evidenciado o abando da ideologia.

Por fim, no ato final, “Morrer de Pé”, dentro de um estúdio de televisão, a peça representa a industrialização da cultura, quando tudo se torna apenas individual, com um trabalho cada vez mais alienado.

Proposta pedagógica

A Cia. do Latão foi fundada em 1996, pelo próprio Sérgio de Carvalho, que é formado em jornalismo, mas também é pesquisador e professor de dramaturgia e crítica na Universidade de São Paulo. Além dos espetáculos, a companhia desenvolve atividades pedagógicas e se dedica à edição da revista Vintém. A estreia do grupo aconteceu em 18 de outubro de 1996, com a peça “Ensaio para Danton”, apresentada no teatro Cacilda Becker, em São Paulo.

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