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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Novos alunos do Bolshoi participam do primeiro dia de aula em Joinville

Escola de dança mais conceituada do país recebe, este ano, 75 calouros

Alexandre Perger
Joinville

São todos ainda pequenos, com idade entre 9 a 12 anos, inexperientes, ansiosos, curiosos e cheios de expectativa para o novo mundo que se abre. Vieram de vários Estados do Brasil e de outros países – de diferentes culturas. Desde esta segunda (10) e pelos próximos oito anos, esses pequenos viverão o universo da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, com estudo intensivo de dança.

 

Fabrício Porto/ND
Calouros aproveitaram o primeiro dia para dar uma espiadinha no treino dos veteranos.

 

Dos 75 novos alunos que ingressam no Bolshoi, 40 deles iniciam na 1ª série. Durante esta semana, a programação das crianças será diferente. No primeiro dia, receberam uniformes, conheceram a escola, pegaram os armários, entre outras rotinas básicas. A primeira bateria de atividades ainda terá conversa com assistente social, palestra e aula de banho, em que os alunos receberão orientações sobre higiene pessoal.

Como é típico da idade, os alunos estavam inquietos no primeiro dia, uns mais e outros menos. Perguntavam bastante, davam um pouco de trabalho na hora de serem organizados em filas. Chegaram a espiar a aulas dos colegas mais velhos e esbanjaram energia para o início das aulas.

Professora do Bolshoi, Larissa de Araujo explica que, no começo, as aulas serão focadas na alfabetização dos alunos para o método russo. “É o início da gramática”. A maioria deles não tem conhecimento nenhum em dança, fato que, segundo Larissa, ajuda no aprendizado porque eles ainda não têm os vícios e fica mais fácil absorver o conhecimento. A idade também contribui, pois as crianças são mais curiosas.

Alguns vieram para Joinville com os pais. Outros ficarão com as mães sociais e com famílias que acolhem alguns alunos. Nos primeiros dias, a saudade de casa é amenizada pela adrenalina proporcionada pelo contato com o novo e pelas descobertas. Após o momento de êxtase, é possível que eles percebam mais a distância.

 

Sotaque colombiano

A colombiana Isabella Arevalo, 14 anos, acompanhou as atividades do primeiro dia com as crianças da 1ª série, mas ela será encaixada na 2ª série por conta de seu desempenho na seletiva – trouxe de seu país de origem alguma bagagem.

Isabella mora há um ano em Joinvile. De olho em uma vaga no Bolshoi, veio à cidade para fazer aulas de ginástica. Fez o primeiro teste ano passado e passou. “Lá na Colômbia eu já tinha aulas o dia todo, mas aqui vai ser diferente. Estou ansiosa”, diz a adolescente.

Fabrício Porto/ND
Made in Colômbia. Ansiosa pelo início das aulas, Isabella é um dos estrangeiros no time de novatos.

 



De São Paulo ao Piauí

De Teresina, no Piauí, Alexsandro Pereira, 11 anos, está morando em Joinville com uma mãe social, junto com 12 alunos do Bolshoi. “Minha mãe chora todos os dias”, conta o garoto, afirmando que também chora às vezes. Com experiência de cinco anos na dança, ele não faz ideia do que vai encontrar aqui, só sabe que será mais rigoroso. O importante é que o menino se sente preparado para o desafio.

De São Paulo capital, Kaynan Juan Oliveira, 15, tem a sorte de ter por perto sua mãe, que quis acompanhá-lo em Joinville ao menos no primeiro ano da nova jornada. “Assim fica mais fácil se adaptar”, comenta o jovem bailarino.

Oliveira entrou direto na 4ª série. Dança há seis anos e passou por três escolas diferentes, acumulando boa noção de dança. Ele fez a audição do Bolshoi com a intenção de ver como o teatro funciona e teve a felicidade de ser selecionado. Quando soube do resultado, não titubeou e logo aceitou.

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