Publicidade
Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 22º C

Associação de moradores celebra 35 anos de trabalho comunitário e cultural em Joinville

Neste sábado (21), a Amorabi promove a Noite do Pastel para comemorar a data, com apresentação do Abismo Grupo de Teatro

Suelen Soares da Silva
Joinville
Fabrício Porto/ND
Presidente da Amorabi, Cristóvão Petry, em frente a sede da associação no bairro Itinga, que também abriga um centro de educação infantil

 “A gente não trabalha só com cultura, mas sabe o quanto é importante. O nosso bairro tem baixo índice de violência e também poucos registros de ligações ao 190.” O presidente Cristóvão Petry tem na ponta da língua a história de lutas e de conquistas da Amorabi (Associação de Moradores do Bairro Itinga). Ele destaca que a entidade nasceu para reivindicar necessidades básicas para o bairro, e a cultura é uma delas.

A Amorabi completou 35 anos de atuação junto à comunidade na terça-feira (17). Porta-voz dos moradores do bairro da zona Sul de Joinville, se destacou durante esses anos pelas reivindicações e pela representatividade reconhecida na produção cultural local.

Para celebrar a data, a associação promove neste sábado (21), às 19h30, a Noite do Pastel com aquilo que tem de melhor, arte e trabalho coletivo. O espetáculo de Teatro Playback: Uma comunidade, Muitas Histórias, será apresentado pelos atores do Abismo Grupo de Teatro e alunos dos cursos de teatro da associação.

O resultado do trabalho comunitário é percebido através de mudanças na vida da comunidade e das pessoas envolvidas. O Abismo Grupo de Teatro é um dos exemplos deste desempenho. Formado por Isadora Dourados dos Santos, João França, Lausivan Corrêa, Letícia Helena da Maia e Marcos Vicente, que cresceram dentro da associação e fizeram daquele espaço o seu segundo lar. Criado em 2013, o grupo é composto por atores que mesmo tendo outras atividades, como faculdade em outra cidade, estão sempre presentes nas ações culturais e artísticas da entidade.

 

Fabrício Porto/ND
Filhos da Amorabi: Letícia (esq.), João e Isadora cresceram junto com as manifestações culturais da associação

 

Estudante de história e atriz, Letícia, 21 anos começou a sua história com a Amorabi aos três anos, quando estudou no CEI Professora Juliana de Carvalho Vieira - Vovó Juliana, que fica anexo à associação. Aos 12, ela participou do seu primeiro curso de teatro e assim começou o que será a sua profissão. “Mesmo quando eu ainda era muito pequena, antes do curso de teatro, eu vivia aqui, participando das sextas alternativas com os meus pais. A Amorabi é a extensão da nossa casa”, afirma.

Esse sentimento é compartilhado também pela estudante de Moda e atriz Isadora, 19. Ela chegou à Amorabi com 1 ano e 6 meses, também para estudar no CEI. Segundo Isadora, crescer dentro de uma prática coletiva, aonde o envolvimento com a cultura vai de encontro às reivindicações de melhoria para a comunidade, é de grande valor para a vida dela.

Atualmente, estes jovens que aprenderam, brincaram e se profissionalizaram dentro da associação, multiplicam a sua vivência e conhecimento com crianças, jovens e adultos que chegam na Amorabi. “A gente passou tanto tempo aqui, sempre recebendo tanto, que hoje se sente na obrigação de devolver isso para a comunidade. Nós queremos que outras pessoas tenham as oportunidades que tivemos”, ressalta Isadora.

João, 18, é estudante de Licenciatura em Teatro e define os oito anos de participação na Amorabi com uma única palavra: respiração. “Nós respiramos a Amorabi. Aqui as coisas fluem. E é justamente por isso, que ela é um ponto de referência”, conclui.

Reivindicações comunitárias

No ano de fundação, as principais preocupações dos moradores do bairro eram a regularização de loteamentos irregulares, saneamento básico, posto de saúde, escola, linha de ônibus, posto policial, telefone público, entre outros. Estas e outras histórias são contadas no espetáculo playback, que será apresentado neste sábado.

Ter um CEI funcionando gratuitamente na associação é comemorado como uma vitória para os moradores. “Amorabi é a associação mais antiga da cidade e eu acredito que sejamos os únicos que tem uma circulação diária de 100 crianças, por conta do CEI”, acrescenta Cristóvão Petry.

Em 2009, a instituição recebeu o título de Ponto de Cultura do governo federal. Em 2011, foi condecorada com a Medalha Cruz e Sousa de Honra ao Mérito Cultural. O convênio terminou em 2013, porém o reconhecimento como Ponto de Cultura continua.

Ao todo aproximadamente 25 pessoas participam da associação. De acordo com o presidente, existem outros problemas no bairro que precisam ser resolvidos. Na cultura, ainda não foram executados projetos por falta de recursos e voluntários,. “Nós temos grandes projetos e temos batalhado para isso. Eu percebo também que se tivéssemos mais Amorabis e Casas Iririús, nós teríamos avançado bastante. Às vezes, o que falta é um espaço que seja um centro de participação social”, conclui Cristóvão Petry.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade