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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Arte barroca que sai do lixo

Pátio da Escola Tufi Dippe, do bairro Iririú, se transformou em palco de um desfile de modas pra lá de criativo

Alexandre Perger
Joinville

O desfile realizado na manhã de quarta (11) na Escola de Educação Básica Dr. Tufi Dippe era de moda. Mas, além do local inusitado, os padrões também foram deixados de lado para esta atividade educacional, a começar pelas roupas, confeccionadas com materiais recicláveis. Os modelos entravam na passarela improvisada no pátio cada um com seu jeito. Meninos e meninas desfilavam sorridentes, descontraídos, tímidos, uns com pouca e outros com mais desenvoltura, mas todos aplaudidos pelos colegas. O objetivo era unir arte barroca, educação, moda e ecologia.

 

Luciano Moraes/ND
Luciano Moraes/ND
Vestido usado por Letícia dos Santos foi um dos destaques do desfile

 

No pátio, em volta da passarela, a escola parou. Os alunos se acomodaram como podiam, uns sentados no chão, outros em mesas e alguns em pé mesmo. Tudo valia para ver os colegas desfilarem e soltarem gritos dos mais variados, zombando ou incentivando, além dos elogios à desenvoltura e à beleza dos modelos.

Antes de iniciar, a ansiedade típica da adolescência tomava conta do ambiente. Quando a primeira modelo foi anunciada, o barulho foi amplificado e ganhou eco pelo pátio. Na passarela, quem desfilava tentava esboçar alguns trejeitos típicos de modelos profissionais. Outros davam um toque mais pessoal, com caras, bocas e gestos, provocando risadas e alvoroço.

Perdendo a timidez na passarela

Um dos modelos mais tímidos era Andrews Fuscolin, 16 anos, aluno do 2º ano do ensino médio. Com uma roupa dourada, representando o ouro de minas, quando chegou na ponta da passarela, momento de reproduzir as poses dos grandes desfiles, ele sugeriu estar mostrando os músculos. Apesar de nervoso, saiu satisfeito com a experiência. “É bom para melhorar minha desenvoltura em público”, disse. A roupa, ele levou duas semanas para deixar pronta.

Ao contrário de Andrews, Graice Kelli Witt, 17, é a típica aluna extrovertida que adora fazer graça para os colegas. Mesmo assim, subiu nervosa na passarela. Vestida de bailarina, inspirada no filme Cisne Negro, ela chegou no meio do caminho mais solta e arriscou tímidas piruetas.

Gabriele Zuchi, 16, assim como a maioria, usou jornal e papelão para montar a roupa. O tema dela foi o amor e a missão era pesquisar e remontar uma peça de época. Por isso, usou o vermelho e o dourado. “Foi muito bom montar essa roupa, usando o material reciclado”, afirma, ao descobrir a riqueza do lixo.

Uma das peças que mais chamou atenção foi um vestido azul apresentado pela modelo Letícia dos Santos, 16. Para montar a roupa, o grupo de seis alunos utilizou películas de raio-x, lonas, sacos de lixo e mangueiras, que serviram como armação do vestido. Um sucesso na passarela!

Trabalho com meio ambiente e arte

O trabalho foi coordenado pela professora de artes Maria Cristina. Como o conteúdo da vez era a arte barroca, os alunos tiveram que pesquisar sobre o tema e desenvolver roupas de acordo com a época. A atividade durou dois meses e foi a avaliação do bimestre.

A opção por utilizar material reciclável se deu pela facilidade, já que são roupas descartáveis e dão menos trabalho que dariam se fossem tecidos. Além disso, foi importante para trabalhar o tema meio ambiente com os alunos, aproveitando os projetos que a escola tem nessa área. “A ideia foi bem recebida. Foi realizado ano passado já e também ficou muito lindo”, conta a professora. Ela só lamenta a falta de tempo para executar a tarefa, pois tem apenas uma aula por semana.

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