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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Atriz de Joinville tenta financiamento para viabilizar projeto "Só uma palhaça só"

Bia Alvarez decidiu abandonar o serviço público para seguir sua vocação

Alexandre Perger
Joinville

Em cena, a palhaça Everline Flore vive um conflito pessoal e não sabe se “tenta se adaptar a uma verdade pré estabelecida” ou “aceita e segue sua verdade individual”. Esse é o mote da história do espetáculo que está sendo montado e será encenado pela atriz Beatriz Costa Alvarez, ou somente Bia Alvarez, da Cia. Joinvilense de Teatro e do coletivo de palhaços Ospáli, de Itajaí. O projeto se chama “Só uma palhaça só”. A estreia da peça está prevista para março deste ano, no galpão de teatro da Ajote (Associação Joinvilense de Teatro).

Luciana Pivan Costa/Divulgação/ND
Há quatro anos, Bia vem estudando a "palhaçaria" enquanto descobre a própria palhaçada

 

No projeto, Bia conta com parceria de Karla Concá, palhaça, atriz, diretora e sócia-fundadora do grupo As Marias da Graça, do Rio de Janeiro. Na assistência de direção está Charles Augusto, ator, palhaço e coordenador do Ospália. A montagem do espetáculo já começou, apesar da distância. Mas isso deve ser amenizado no dia 12 deste mês, quando Bia embarca para o Rio de Janeiro, onde permanecerá em trabalho intenso junto com Karla até o dia 15 de fevereiro, quando retorna a Joinville. “Trabalharei de segunda a sexta oito horas por dia, no levantamento do espetáculo. Trabalho pesado mesmo”, conta Bia.

Por enquanto, a atriz está tocando o projeto sem verba. Por isso, Bia recorreu ao site de financiamento coletivo Catarse para conseguir levantar os recursos necessários. O dinheiro arrecadado será utilizado para pagamento dos cachês de direção, assistência de direção, impressão de programas, banners e cartazes, aluguel da sala de trabalho, figurino, cenário, alimentação e despesas operacionais para a realização da estreia. O valor total solicitado é de R$ 12.371 e o prazo final para atingir o objetivo vai até 14 de fevereiro. Por enquanto, 12 apoiadores se interessaram no projeto e contribuíram com pouco mais de R$ 1.100. Quem quiser ajudar, pode entrar em catarse.me/umapalhaca.

Além do valor do site, Bia recebeu apoio para criação da arte do material gráfico, para fotografias e para hospedagem durante o período em que ela e o assistente de direção estiverem no Rio de Janeiro, na casa de amigos e parentes.

Os dilemas de uma vida

Bia decidiu desenvolver o projeto de solo para um palhaço em 2012, quando esteve em Florianópolis para participar de um encontro internacional de mulheres que fazem teatro. Lá, participou de uma oficina ministrada por Karla e Vera Ribeiro, além de conhecer de perto o trabalho do grupo As Marias da Graça.  Depois do evento, Bia manteve contato com Karla e fez o convite para a direção, que foi aceito na hora.

O espetáculo fala um pouco da vida da atriz, se entrelaçando com seus dilemas próprios. “A linha que vem norteando a ideia do espetáculo tem muito a ver com minha história de vida e com o que percebo ser um dos grandes temas da humanidade, seguir sua verdade ou se adaptar ao que está posto no mundo”, explica a atriz.

Bia trabalhou como funcionária pública por dez anos e viveu um dilema nesse período, tentando se equilibrar entre o que parece ser a verdade pessoal e o queria seria “correto a fazer”. Ele teve de decidir se mantinha “uma carreira no serviço público ou se saltava no abismo e me dedicar ao teatro com todas as minhas entranhas”. A opção foi pelo teatro e Bia entregará a carta de exoneração nos primeiros dias de janeiro.

Natural de Nova Iguaçu-RJ, Bia vive em Joinville desde 1991. Aqui se formou em direito pela Univille. Se apaixonou pelas artes cênicas logo na infância. Estudou teatro na escola, mas precisou parar por um tempo para se dedicar ao trabalho no serviço público. Voltou há sete anos e desde então continua. Há aproximadamente quatro anos pesquisa a palhaçaria, mas não diz que atua como palhaça, prefere dizer que descobre a própria palhaça dia após dia, com muito trabalho, dedicação e entrega.

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