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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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A arte sem fronteiras, na visão do curador Franzoi, legitima duas exposições na Capital

“A Eterna Procura da Cidade Azul”, de Laércio Luiz, fica aberta até domingo. E na terça, no Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Cruz e Sousa, tem “nadaTudo”, de Rodrigo Ormond

Redação ND
Joinville

O artista plástico catarinense Carlos Alberto, que adotou o sobrenome Franzoi como nome artístico, curador independente que vive em Joinville, legitima duas exposições na Capital, a mostra “A Eterna Procura da Cidade Azul”, de Laércio Luiz, aberta até domingo, no Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Cruz e Sousa, e “nadaTudo”, que apresentará a produção de Rodrigo Ormond, a partir de 11 de março, na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti.

De sucessivos encontros com Laércio Luiz, cuja trajetória artística começou em Joinville, resultou “A Eterna Procura...”, projeto avalizado pelo governo do Estado, por meio do Funcultural. “nadaTudo” faz uma aposta no frescor dos trabalhos de Ormond, fotógrafo do universo da moda. Nas duas curadorias fica evidente o estreitamento de fronteiras entre arte popular e contemporânea, no primeiro caso, e entre arte e fotografia no segundo. Nesta entrevista, Franzoi fala sobre a complexa função de ser mediador entre o artista e o público.

 

 

NP Produções/Divulgação/ND
Franzoi assume o papel de entrar fundo na alma do artista e tirar de lá a essência para apresentá-la ao público

 

ND - O Laércio Luiz tem carreira marcada por um recorte bem regional, produção de certo modo ainda vitimada por certos guetos (academia, mercado e crítica). As fronteiras entre arte regional, arte popular e arte contemporânea foram consideradas quando você aceitou o convite para atuar como curador da mostra?

Franzoi - Na contemporaneidade, as fronteiras se dissipam, tudo depende de quem, onde, por quê, para que, como e em que contexto. Segundo o escritor José Saramago, vivemos em um “caleidoscópio de imagens”, no qual a imagem se multiplica de uma forma avassaladora, onde não paramos para ver o entorno. Laércio faz e propõe essa parada, essa respiração, o que me motivou a olhar melhor a sua produção. Assumir e romper a barreira entre arte regional, popular e contemporânea foi de primordial importância para a curadoria.

Como é possível definir Laércio Luiz e Rodrigo Ormond?

Laércio Luiz é um pesquisador que investiga a cultura no espaço e no tempo, entre outros aspectos relacionados à antropologia cultural. Preocupado com a sustentabilidade, as questões ecológicas e a transformação da natureza em arte ou a descoberta da arte que existe na natureza. Ormond é um fotógrafo que estreia nas artes visuais e discute a fotografia enquanto meio e não como fim. Abstrai completamente a natureza e nos permite descobrir uma paleta de cor até o momento inexistente a olhos nus. Mostra como a tecnologia pode ser utilizada para o encantamento poético.

O que é mais marcante nestas poéticas?

A exploração pictórica que Laércio Luiz obtém a partir do estudo aprofundado dos pigmentos naturais resulta numa paleta de infinitas tonalidades, algo raro quando se fala neste campo de pesquisa. Geralmente ficamos na extração de terra e poucos vegetais. Também sua produção escultórica, em conexão com a natureza que o envolve, estabelece uma sintonia com a própria cidade. Ormond usa a fotografia como técnica e não como linguagem expressiva ao dialogar com a pintura e a intervenção. Pensa o espaço como um corpo poético e coloca o ser humano diante da natureza, incrustada nas paredes da galeria, convite para um mergulho pictórico.

Como situas o papel do curador?

Não é fácil confrontar essas potências poéticas. Mas necessário para se chegar a um resultado que mostre a força do artista em questão. Não podemos ler uma produção apenas por uma obra, uma série, um período. Temos que mergulhar profundo na alma do artista, para extrair o invisível, presente em toda produção. Portanto, cabe ao curador propor uma costura entre as obras que leve o espectador a uma viagem sensorial, além de propor um diálogo com cada elemento presente na mostra. O curador ajuda a revelar o que permanecia velado.

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