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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Comissão Municipal da Verdade começa a ouvir vítimas da ditadura na semana que vem em Joinville

Audiências públicas na Câmara de Vereadores vão compor dados sobre a violação de direito humanos na cidade, especialmente durante a Operação Barriga Verde, em 1975

João Batista (JB)
Joinville

A partir de setembro, uma série de audiências públicas da CMV (Comissão Municipal da Verdade) vai trazer luz sobre crimes de tortura, perseguição e violação de direitos humanos em Joinville durante o período da ditadura militar. Instituída em junho, a comissão divulgou nesta quarta (27) o calendário de atividades. As audiências estão agendadas para ocorrer semanalmente, na Câmara de Vereadores.

Na primeira reunião, na próxima terça, cinco pessoas vítimas da repressão devem prestar depoimentos. No segundo encontro, no dia 8, está previsto um resgate histórico sobre os reflexos do regime militar na cidade, onde pelo menos 70 pessoas foram presas e torturadas.

A proposta da comissão é que, com a divulgação das informações, mais vítimas possam ser ouvidas. O foco das ações está nas pessoas perseguidas e presas na Operação Barriga Verde, realizada entre outubro e dezembro de 1975.

“Precisamos ouvir essas vozes para dar visibilidade à questão. A Operação Barriga Verde foi a principal operação militar orquestrada em Santa Catarina”, comentou Maikon Jean Duarte, o professor de história e representante do Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Braz no CMV. Os dados a serem apurados pelo grupo vão complementar os trabalhos da Comissão Estadual da Verdade, a serem juntados às sindicâncias de âmbito nacional do órgão até o fim do ano.

 

Mauro Schlieck/ND
Reunião. A partir da esquerda, os membros da comissão Wagner Baggio, Rossana Cunha, Luiz Henrique Lima, Maikon Duarte, Denilson Rocha de Oliveira e Silvio Melatti

 


Vítimas em Santa Catarina

No Estado, a comissão registrou 42 pessoas vítimas de violação de direitos, sendo nove delas de Joinville. “A nossa proposta é auxiliar a Comissão Nacional da Verdade na apuração de violação de direitos entre setembro de 1946 e outubro de 1988”, observou o advogado Luiz Henrique Lima, coordenador da CMV, destacando que a cidade é a única no Estado com uma comissão de atuação municipal.

Caça a militantes políticos de esquerda, prisões inconstitucionais e prática de tortura para forjar confissões estão entre as principais ações dos militares na cidade, que afetaram também familiares, testemunhas e amigos dos acusados. Para o professor Silvio Melatti, coordenador do curso de Comunicação Social do Bom Jesus/Ielusc, o conselho vai servir para que as vítimas se sintam encorajadas a falar. “O número de pessoas ouvidas é muito pequeno em relação aos envolvidos nesse período”.

 

Membros da comissão
Por órgão de representação

Poder Executivo
Titular: Luiz Henrique Lima (coordenador)
Suplente: Wagner Baggio

Poder Legislativo
Titular: Denilson Rocha de Oliveira
Suplente: Marlon Fernando da Silveira

OAB
Titular: Maurício Alessandro Voos
Suplente: Eugênio Pacelli Paz Vieira da Costa

CDH (Centro de Direitos Humanos) Maria da Graça Braz
Titular: Maikon Jean Duarte

Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos
Suplente: Fernanda Brandão Lapa

Departamento de História da Univille
Titular: Iara Andrade Costa

Curso de Jornalismo do Instituto Superior e Centro Educacional Bom Jesus/Ielusc
Suplente: Silvio Melatti

 

Cronograma de audiências
Na Câmara de Vereadores, sempre às 19h
Dia 02/09, 19h
Dia 08/09, 19h
Dia 15/09, 19h
Dia 22/09, 19h
Dia 29/09, 19h

Contatos com a CMV
Luiz Henrique Lima (coordenador): comissaodaverdade@oab.org.br
Rossana Cunha (secretária): rossana.cunha@gmail.com

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