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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Violência doméstica

Redação ND
Joinville

Guilherme Guimbala Júnior

 

Em tempos conturbados de crise econômica, radicalismos e mudanças de paradigmas morais no Brasil, presenciamos no mês passado o lançamento do núcleo de assistência à mulher que sofre de violência doméstica pela Faculdade de Direito da ACE/FGG. Foi um momento de cidadania e comprometimento com as vítimas de violência doméstica aqui em Joinville.

Foi um ato de coragem e respeito para quem sofre agressões físicas, morais e psicológicas covardes de quem tem na segurança da submissão da pessoa agredida uma quase certeza de que um pedido de desculpas ou um arrependimento vão ser uma certeza de impunidade.

Nossa fama de brasileiros bonzinhos virou lenda. Segundo sociólogos, vivemos em um país repleto de pessoas violentas, mal-educadas e intolerantes. Números divulgados no ND mostram que só em Joinville de quase 5.000 boletins de ocorrência, 70% são provenientes de violência doméstica clássica. Dados do mapa da violência apontam que 38,72% das vítimas sofrem agressões diárias, na sua maioria por homens com quem tiveram algum vínculo afetivo ou familiar. Mas estes números certamente não são reais, muitas destas vítimas sofrem de maneira velada e não chegam a sequer a procurar ajuda ou registrar um boletim de ocorrência.

No evento de abertura do projeto, a palestra de abertura com a doutora Sandra Lia Bazzo Barwinski acrescentou um tema essencial para os operadores do Direito que militam na área da família, que é a necessidade do diálogo das ciências Psicologia e Direito.

Se juridicamente estes operadores parecem resolver as necessidades protetivas ou financeiras destas vítimas, psicologicamente não estão aptos por falta de formação específica, a acompanhar os lutos, traumas, momentos de depressão e sofrimento destas vítimas.

Urge um olhar multidisciplinar que busque dialogar com a Psicologia com encaminhamentos e orientações nesta área, um exercício de quebra de paradigmas. A possibilidade de estudos interdisciplinares neste projeto vão em breve resultar em um perfil deste agressor, e inúmeros dados relevantes para futuras políticas públicas eficazes para combater este tipo de crime. O encontro de saberes destas áreas possibilita às vítimas um atendimento acolhedor, humanizado, digno e de grande diferencial.

 

*Guilherme Guimbala Junior é professor

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