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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Uma opção para quem quer largar o crack em Joinville

Ideia é abrigar usuários por 45 dias, desde que não usem drogas, no acolhimento transitório

Sandro Alberto Gomes
Joinville

Carlos Junior/ND
Futuro. Casa na rua Anita Garibaldi vai  acolher quem está disposto a mudar de vida

Em breve, a luta contra o crack e outras drogas vai ganhar mais uma arma poderosa em Joinville. Desta vez, os usuários em condição de vulnerabilidade social terão um lugar para passar a noite, se alimentar e fazer a higiene pessoal, desde que fiquem longe das drogas no tempo em que permanecerem na futura Casa de Acolhimento Transitório. Restam apenas alguns detalhes para que a estrutura entre em funcionamento.

A casa, que será instalada onde hoje está o CAD (Centro de Atenção Diária), no bairro Anita Garibaldi, será destinada aos dependentes químicos que estiverem em tratamento no Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), conforme explica o psicólogo Nasser Haidar Barbosa. “Queremos dar teto, comida e banho. Mas eles só ficarão no local se comprometerem-se a não usar ou portar nenhum tipo de droga lá dentro”, aponta Nasser.

O CAD ou Caps 2 será transferido para a casa 115 da rua Pernambuco. Quando isso acontecer, a casa estará a um passo de funcionar, restando apenas a aquisição do mobiliário. A equipe já foi contratada, segundo Nasser. A princípio, a equipe atenderá a 12 pacientes, com possibilidade de atender até 16 pessoas que convivem com o vício em drogas ou álcool e não têm para onde ir nem a quem recorrer.

Cada interno poderá ficar na casa por até 45 dias. Neste período, as equipes da Casa de Acolhimento Transitório e do Caps AD tentarão reaproximar o interno de sua família ou buscar uma colocação no mercado de trabalho. Enquanto isto, o interno receberá atenção psicológica e psiquiátrica. “Será um espaço de proteção social”, diz o psicólogo, coordenador do Caps AD.

Profissionais do consultório de rua tentam aproximação com dependentes

Outra medida adotada pelo Caps AD para conter o avanço do crack é o consultório de rua, que entrou em funcionamento no início de 2012, mas ainda está em fase de estruturação. Neste projeto, uma equipe multidisciplinar do Centro de atenção Psicossocial (formada por psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, médico e outros profissionais) vai até os pontos de maior convergência de usuários para tentar aproximação com os dependentes.

A intenção não é promover a internação dos pacientes, alternativa desaconselhada hoje em dia pelas autoridades psicológicas, conforme anota a psicóloga Joice Pacheco, mas entender as razões para que chegassem a tal ponto, deixando suas vidas entregues ao crack.

O consultório de rua também vai promover a política de redução de danos, tentando dar ao dependente químico a possibilidade de ao menos substituir a “pedra” por uma droga mais leve, a exemplo da maconha, que pode ser a porta de saída para a dependência química.

Neste cenário, o consultório de rua também vai distribuir protetores labiais (piteiras), para evitar que usuários de crack tenham queimaduras ou transmitam doenças uns aos outros por conta do consumo coletivo da droga em cachimbos de metal. Mas a política é tão inovadora que a Secretaria de Saúde de Joinville chegou a comprar “manteiga de cacau”, pensando que era este o protetor labial a ser distribuído, informou Nasser Barbosa.

O modelo foi trazido da Bahia, onde a política para reduzir os danos aos dependentes vai além: lá, chega-se a distribuir cachimbos de madeira aos usuários, para que não consumam a resina do crack, normalmente raspada das latas de alumínio. O resíduo é mais tóxico e prejudicial que a droga em si.

No Brasil

O Consultório de Rua de Joinville é o primeiro a entrar em operação em Santa Catarina e está entre os 300 que devem ser implantados por todo o país ainda em 2012. Faz parte do Plano Nacional de Combate ao Crack, lançado em dezembro de 2011, o governo federal planeja investir R$ 4 bilhões no combate ao crack, que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), já tem 1,2 milhão de viciados.

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