Publicidade
Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

Um exemplo dos perigos no trânsito em Joinville

Colisão na madrugada de segunda-feira mostra os estragos provocados pela direção perigosa aliada ao excesso de velocidade

Sandro Alberto Gomes
Joinville
Sandro Gomes/ND
Com a violência do impacto, Fiat Palio ficou com o rodado para cima

 

 

A arrancada foi violenta, mais ainda a colisão uma quadra depois. Um Fiat Palio que trafegava pela rua Otto Boehm chegou a voar sobre uma floreira e capotou no terreno ao lado da Secretaria Regional de Desenvolvimento, na esquina com a rua 9 de Março, no Centro de Joinville. Foi atingido em cheio por um Astra Chevrolet que participava de um racha com um Peugeot 307 pela rua Blumenau, em torno de 1h de segunda-feira (11). A condutora do Pálio ficou presa às ferragens e está internada. As autoridades avisam: racha dá até dois anos de cadeia.

 O Astra e o 307 desciam a Blumenau em altíssima velocidade. O ronco podia ser ouvido à longa distância, inclusive de dentro dos apartamentos da região. Os motoristas pararam no cruzamento com a rua 15 de Novembro e continuaram o ritual de provocação com suas máquinas turbinadas. Quando o sinal abriu, arrancaram novamente com o pé no fundo.

O barulho causado pelos cilindros chegou a acordar um morador do edifício NR – iniciais de Norberto Rost -, na esquina das ruas 15 com a Henrique Meyer, como a rua Blumenau passa a ser denominada a partir deste ponto. Logo em seguida o homem pulou da cama ao ouvir a pancada. “Acordei com os carros arrancando”, disse, já no local do acidente. “Eles vinham moendo. Aqui na esquina o Astra pegou o Palio. O carro voou e caiu aqui”, disse um morador de rua que viu toda a cena.

Elizângela dos Santos, 25 anos, que dirigia o Palio, placas MGB-8480, de Joinville, ficou presa às ferragens, de cabeça para baixo. O carro capotou e parou com as rodas para o ar. Sua porta ficou destruída. Bombeiros e socorristas do Samu tiveram trabalho para retirá-la das ferragens. Apesar da pancada, o médico do Samu informou que a mulher não teve problemas mais sérios. Elizângela foi levada para o Hospital Regional, com contusão na face e no tórax. Continua internada, sem risco de morte.

Sem um arranhão, o motorista do Astra, placas MET-0024, de Araquari, Thiago Rodrigues Garcia, 23 anos, alegou à Polícia Militar que “estava parado, quando o Palio avançou o sinal vermelho e bateu contra a frente” de seu carro. A informação é contestada por várias testemunhas, inclusive moradores das adjacências e dois motociclistas que vinham logo atrás dos “racheiros”.

Pena de até dois anos de cadeia

O delegado de trânsito de Joinville, Abel Mantovani Bovi, diz que deve ser instaurado procedimento “para apurar se houve racha ou não” descrito no artigo 308 do Código Brasileiro de Trânsito, com pena de detenção de seis meses a dois anos de reclusão além de multa e suspensão ou proibição da Carteira Nacional de Habilitação.

No Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, diz-se que a motorista do Palio teria avançado o sinal vermelho, interceptando a frente do Astra. Em tese, segundo o delegado, se os participantes do racha estivessem em baixa velocidade, o acidente poderia ter sido evitado. “Mas não podemos acreditar na conduta do terceiro. Não se pode exigir do condutor que esteja passando no verde, que se atenha ao condutor que vai passar no vermelho. É o princípio da confiança. Está passando na confiança que os demais condutores estejam respeitando a sinalização de trânsito”, ensina.

Apesar da possibilidade dos motoristas estarem realizando racha, segundo o delegado “a conduta da motorista não deixou de ser imprudente, por mais que não tivesse passando ninguém ali, é infração gravíssima”.

Por outro lado, se for confirmado “que eles estavam em alta velocidade, aparentando a competição não autorizada, saíram bruscamente do semáforo e tudo mais, este procedimento vai para o Fórum e o promotor é quem vai decidir qual será o prosseguimento na ação”. À Polícia Militar, em se deparando com motoristas nestas situações, cabe a prisão em flagrante.

Blitze noturnas

A Conurb (Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville) já colocou em seu plano de ações a implantação do quarto turno, das 23 às 6h30 da manhã, para a realização de blitz noturnas com o intuito de coibir os excessos de motoristas, principalmente em relação ao álcool ao volante e excesso de velocidade no trânsito. Mas ainda não há definição de quando isto será implementado.

“Estamos tentando viabilizar, trabalhar em conjunto com a Polícia Militar. Ver a questão de velocidade e consumo de bebida”, destaca Renato Godinho, diretor executivo da Conurb, que responde interinamente pela diretoria de trânsito. “A gente vê barbaridades nas madrugadas. Essa liberdade de beber é justamente pela falta de fiscalização. Não costuma ter fiscalização noturna. Nossa idéia é fazer barreiras, juntamente com a PM”.

Para colocar o plano em prática é preciso aumentar o número o efetivo de fiscalização, formado atualmente por 77 Agentes de Trânsito. “Ainda tem 13 agentes que podem ser chamados do último concurso. Eles já supririam a necessidade. Depende disso. Até o momento os agentes trabalham das 6h30 às 23h”.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade