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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Três histórias de trabalhadores de Joinville que adoram a profissão

Ildinéia é a única mulher na cidade que atua na coleta de resíduos orgânicos, João Carlos Cerny salva vidas no Samu e Jorge Luiz Rosa realiza adestramento de animais

Suellen Dos Santos Venturini
Joinville

O trabalho está presente na vida da maioria das pessoas e por vezes toma mais tempo do que o dedicado à família ou aos momentos de descanso. O feriado do Dia do Trabalhador, instituído no Brasil em 1924, é comemorado hoje. A data já era celebrada em diversos países e surgiu após manifestações trabalhistas nos Estados Unidos, em 1886. Para homenagear os trabalhadores de Joinville, o Notícias do Dia traz histórias de três pessoas com profissões distintas, mas que têm algo em comum. Eles amam o que fazem e dão o melhor de si a cada dia.

Sem descuidar da aparência

 

Germano Rorato/ND
Ildinéia da Silva, 35 anos

 

É maquiada, bem arrumada, perfumada e com a pintura do cabelo castanho avermelhado em dia que Ildinéia da Silva, 35 anos, gosta de ir e voltar do trabalho todos os dias. Como toda mulher vaidosa, ela se dedica a manter a boa aparência mesmo que o seu trabalho não seja o dos mais fáceis para isso. “Não é porque eu trabalho com lixo que eu vou me descuidar”, resumiu Ildineia.  A coletora de resíduos que cria sozinha os dois filhos – um de 15 anos e outro de 13 – é a única mulher em Joinville que trabalha no caminhão de orgânicos, recolhendo aquilo que as pessoas colocam no lixo com destino ao aterro sanitário. Uma atividade em que se lida com cheiro ruim e sujeira.

As lixeiras também são locais para se tomar cuidado, porque muitas pessoas ainda deixam nos sacos com objetos cortantes, como vidros. Outro desafio da profissão é lidar com os animais. Ildinéia, que é coletora há três anos, muitas vezes teve que correr de cães pouco amistosos nos quintais e já chegou a ser mordida. O clima também é uma adversidade. “O mais difícil é o dia de chuva, que o caminhão fica liso, o chão fica liso, tudo molhado”, disse.

Se na chuva é complicado, com as temperaturas elevadas o trabalho fica mais cansativo. Para diminuir os riscos, os profissionais têm que andar de óculos e boné em dias de sol e luvas protetoras.  Os coletores passam a maior parte do tempo de jornada de trabalho correndo. O desgaste físico é grande, já que o menor percurso em Joinville é de 22 quilômetros. E mesmo sendo um exemplo de força e um prestador de serviço indispensável no dia a dia das pessoas, os coletores ainda têm que lidar com o preconceito. “Já teve caso de eu pedir para usar o banheiro e a pessoa não deixar porque eu estava com a roupa da coleta”, conta.

Situações que Ildinéia e os colegas de trabalho aprenderam a contornar. “Eu não dou bola para isso, continuo o meu trabalho e pronto”, disse. E com a consciência de que seu trabalho é essencial para a cidade, ela conta que gosta do faz e não pensa em mudar de profissão. “Enquanto me aguentarem aqui eu vou ficar”.

Socorrista do Samu

 

Germano Rorato/ND
João Carlos Cerny, 47 anos

 

Quando era criança, o motorista de ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Joinville, João Carlos Cerny, 47 anos, não sonhava que poderia ajudar a salvar vidas. Natural de Mercedes (PR), teve várias profissões antes de começar a ser condutor de ambulância, há três anos. No Paraná trabalhou em uma empresa agrícola e em Joinville foi cobrador de dívidas, vigilante e jardineiro. Ele afirma que sempre teve facilidade em dirigir,  mas nunca se interessou pela profissão de motorista e só mudou de ideia quando soube que se tratava de prestar socorro. “Quando fiz o concurso (da Prefeitura de Joinville) e me chamaram eu não me empolguei. Só aceitei quando fiquei sabendo que era no Samu”, contou Cerny.

Como trabalha em uma escala de 12 horas trabalhadas por 36 de descanso, ele consegue manter uma segunda atividade, como jardineiro, para ajudar no orçamento. A rotina de atender as ocorrências mudou algumas coisas na vida de Cerny. A forma como ele passou a dar mais valor para a segurança no trânsito foi uma delas. “A primeira coisa que eu fiz foi parar de andar de moto. Eu não vou vender, mas também não ando mais”, disse Cerny, lembrando que a maioria das ocorrências que atende são acidente envolvendo motociclistas. “Todo dia alguém se arrebenta de moto”, conclui.

O condutor tem a responsabilidade de dirigir a ambulância, mas também presta os primeiros socorros às vítimas. Para isso, ele recebeu treinamento como todo socorrista e fez um curso de direção de veículos de emergência com duração de 60 horas. Para salvar vidas Cerny precisa ser rápido no trânsito, mas nem por isso ele acelera em excesso quando a sirene da ambulância está ligada. Ele garante que não passa de 50% acima do limite permitido na via. “Se uma pista é de 60 (quilômetros por hora) eu não vou mais que 90, porque se tu lá na frente bate em outro carro, a ambulância vai ficar parada um bom tempo e outras pessoas vão ficar sem atendimento”, disse.

Além de sabedoria no volante e paciência no trânsito, Cerny afirma que nesta profissão é preciso gostar de lidar com pessoas. “O cara que trabalha no Samu, como em outra profissões, tem que entender que é um prestador de serviço. As pessoas querem ser bem atendidas”.

Sintonia com os animais

 

Fabrício Porto/ND
Jorge Luiz Rosa, 56 anos

 

Dog Walker, ou passeador de cães em português, é o termo usado para as pessoas que exercitam cães como profissão. A atividade que ainda está ganhando espaço no Brasil pode ser o sonho de qualquer pessoa que gosta de cães, mas precisa ser feita com muita responsabilidade. Jorge Luiz Rosa, 56 anos, que trabalha na área há 38 anos, defende que não basta ter afinidade com cães, sair passeando com eles e receber por isso. A profissão exige conhecimento e dedicação. “Tem se especializar para ter um conhecimento de comportamento dos cachorros, porque eles vão precisar de um pequeno adestramento”, disse Rosa.  

E conhecimento sobre o assunto Rosa tem de sobra. Ele foi 22 anos adestrador de cães na Polícia Militar em São Paulo. Em 2008, veio para Joinville e colocou em prática algumas ideias no trabalho com cães. Na prática, passeador de cães e adestrador podem ser dois nomes para a mesma função, porque para deixar o cachorro bem exercitado geralmente um passeio não basta. “A gente costuma dizer que cão feliz é cão cansado e dificilmente ele vai cansar com um passeio. Ele tem que interagir com outros cachorros, tem que brincar como cachorro”. Para isso, os adestradores precisam saber que raças podem ser deixadas no mesmo ambiente e tem domínio sobre eles.

Existem várias técnicas para adestrar cães, mas cada profissional acaba criando sua própria maneira e se identificando com determinados tipos de cães para trabalhar. Em uma jornada de oito horas, um passeador pode cuidar de vários cães ao mesmo tempo, caminhando ou em circuitos com rampas, subidas e obstáculos que são ótimos para exercitá-los. Rosa, que tem dois cães em casa, conta que só foi mordido em trabalho uma vez e procura manter o cuidado sempre. “É preciso ter respeito”, comentou. Ele trabalha em Joinville com quatro adestradores. 

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