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Enquanto aguarda duplicação, avenida de Joinville já soma 11 mortes

Número é de vítimas fatais registradas na avenida Santos Dumont desde junho de 2013, início das obras de duplicação, que estão paradas

João Batista (JB)
Joinville
Germano Rorato/ND
Protagonista: Cristiane Renate Jung de Oliveira Santos sobreviveu a um acidente neste trecho da avenida Santos Dumont

 

As duas mortes registradas na avenida Santos Dumont em fevereiro deste ano lembram, além da necessidade de prudência no trânsito, também sobre a importância da duplicação da via pela segurança de motoristas, pedestres e ciclistas. Enquanto as obras seguem paralisadas, a avenida vai se transformando num corredor de fatalidades e de impasses. Entre 7 de junho de 2013, quando as obras iniciaram no local, até esta quinta (5), foram confirmadas pelo menos onze vítimas fatais de acidentes na avenida, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. A última fatalidade envolveu o motociclista Reginaldo dos Santos. Ele colidiu contra um caminhão próximo ao Centro de Distribuição das lojas Millium, na tarde desta quinta (5), não resistiu aos ferimentos e faleceu ao dar entrada no hospital São José.

A retomada da duplicação tem esbarrado nas desapropriações de imóveis. Até o ano passado, os trabalhos, mesmo em ritmo lento, ocorriam em trechos liberados. Foi feita uma parte de pavimentação no trecho em frente à Transtusa, outra parte de drenagem próximo ao Joinville Square Garden e outros serviços no trecho com mais áreas liberadas, entre a rua Tuiuti e o aeroporto. O que andou, no entanto, representa apenas 8% do projeto. E a expectativa não é animadora.

Neste início de ano, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) havia condicionado a liberação dos recursos para as próximas etapas da obra à realização das desapropriações necessárias ao longo dos oito quilômetros da avenida. As indenizações – estimadas em R$ 57 milhões – são a contrapartida da Prefeitura no projeto, mas o município não tem os recursos. O Estado até poderia ajudar, mas não teria condições de pagar a conta sozinho.

O impasse prejudicou a retomada das obras em 2015, mas foi resolvido após reunião do secretário estadual de Infraestrutura, João Carlos Ecker, com representantes do BNDES, em Brasília (DF), na semana passada. A prioridade era garantir que as obras de duplicação pudessem voltar nas áreas liberadas, enquanto se avança nas negociações dos demais terrenos. Apesar do sinal verde do banco, a obra não deve ser retomada de imediato. A empreiteira responsável quer renegociar o contrato de execução.

Liberação do setor Norte

O secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico, Jalmei Duarte, tem acompanhado a situação e mantido diálogo com o governo estadual. Ele destacou que a liberação do chamado setor Norte (da rua Tuiuti até o aeroporto) estava dentro da expectativa, o que permitirá também o lançamento da ordem de serviço para construção do viaduto do cruzamento da avenida com a rua Tuiuti, embora ainda sem prazo.

“Da parte do município, o setor Norte está pronto para ser duplicado, inclusive o viaduto. Providenciamos tudo o que o governo do Estado nos solicitou e ficamos na expectativa de o secretário (João Carlos Ecker) tratar o assunto com o BNDES e com a empreiteira que faz a obra para liberação.” Segundo Duarte, era importante que o banco entendesse adequadamente a proposta de se permitir as obras no trecho com áreas totalmente liberadas enquanto se busca as desapropriações nos demais trechos.

“Tem toda uma conotação de importância realizar a obra no trecho Norte, que vai com certeza dar um novo ânimo e um novo gás para os outros dois trechos”, destacou Jalmei, em referência ao setor Sul e trecho central da avenida, ainda com áreas pendentes. “Os outros trechos são mais difíceis mas, com a aprovação do trecho Norte, ganha-se um novo momento propositivo para a gente negociar”, completou.

Difícil lembrança

Antes da fatalidade desta quinta (5), as últimas mortes na avenida Santos Dumont envolveram as mortes de Bruna Eduarda Schmitz, 18 anos, em 8 de fevereiro, quando o carro em que estava colidiu contra um poste e pegou fogo, e do motociclista Rodrigo Vieira, 30, no dia 18, em batida contra um carro. Já o acidente mais trágico no período da duplicação ocorreu em setembro de 2014, quando pai e filho morreram numa colisão entre dois carros. Avanor Luiz Braz, 36, e o filho Matheus, 5, estavam num Gol e voltavam para casa, no Jardim Paraíso. O veículo teria invadido a pista contrária, batendo de frente contra um táxi.

A intérprete de alemão Cristiane Renate Jung de Oliveira Santos, de 45 anos, e a filha Mariana, sete anos, são sobreviventes. Elas eram passageiras no táxi conduzido por Ademir Justino de Souza, que também escapou da morte. “Foi um acidente muito grave, mas eu tive muita sorte”, relembra ela, que sofreu múltiplas fraturas no fêmur da perna esquerda. A filha, que tem síndrome de Down, teve ferimentos na mão e na perna. Elas voltavam para casa depois de uma viagem à Brasília. Era 23h30 da noite de 2 de setembro, 15 dias antes do aniversário de Cristiane.

Ainda em recuperação, a mãe de Mariana precisa de muletas para caminhar. Ela aguarda uma nova cirurgia para retirada da placa de platina implantada na perna. Depois, ainda vai enfrentar uma nova fase de reabilitação. “A gente acha que nunca pode acontecer com a gente uma coisa dessas”, refletiu. Segundo Cristiane, se a avenida estivesse duplicada, com uma divisão entre as pistas, as consequências do acidente não seriam tão trágicas.

“Qualquer barreira que tivesse, no máximo o carro teria batido no canteiro central. Talvez para eles (pai e filho que morreram) não seria tão grave como foi”, comentou. Para ela, a redução de acidentes fatais no local passa pela duplicação e pela fiscalização de velocidade. “Duplicar já ajuda a evitar ou diminuir as chances de acidentes. Controlar a velocidade também iria evitar as colisões, pelo menos nos trechos de radar”, completou.

Fiscalização eletrônica

A fiscalização eletrônica poderá coibir abusos na direção e evitar novos acidentes. A implantação dos radares já passou pela fase de testes e a operação deve iniciar dentro de um mês, de forma gradativa. Dos cem equipamentos previstos na cidade, três serão instalados na Santos Dumont. Um radar no semáforo do cruzamento com a rua Tuiuti, uma lombada eletrônica (40 km) próximo à entrada do Jardim Kelly e um controlador de velocidade (60 km) em frente à Totvs, perto da esquina com a rua Iguaçu.

De acordo com o gerente de operações do Detrans (Departamento de Trânsito de Joinville), Marcelo Danner, os locais de fiscalização foram estabelecidos com base na incidência de acidentes e de infrações de trânsito. Ele destacou que, ao menos nos trechos monitorados, devem diminuir as imprudências e os acidentes. “Os radares a serem implantados ali vão coibir, primeiro, a questão da velocidade e dos avanços de semáforo. Nos pontos da fiscalização eletrônica, com certeza os motoristas vão respeitar e vai reduzir os acidentes naquele trecho.”

Além do cuidado com a velocidade, Danner ressaltou que o motorista também precisa se atentar às condições da via. “Tivemos essas chuvas constantes na cidade que acabam formando buracos, e com a velocidade do carro, são outros fatores que ajudam para que aconteçam os acidentes de trânsito”, comentou.

Binário volta à pauta

 

Secom/divulgação/ND
Implantação do binário foi abordado em reunião na quarta (4), no auditório da Univille, por técnicos da Fundação Ippuj e moradores dos bairros Bom Retiro e Santo Antônio

 

Com a duplicação parada, a proposta para implantação de um binário entre a avenida Santos Dumont e a rua Tenente Antônio João voltou a ser discutida. O tema foi abordado em reunião na quarta (4), no auditório da Univille, por técnicos da Fundação Ippuj (Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville). Moradores dos bairros Bom Retiro e Santo Antônio e representantes de empresas e de instituições educacionais da região estiveram presentes.

O projeto prevê o fluxo no sentido Centro-bairro pela rua Tenente Antônio, enquanto a Santos Dumont seguiria em sentido contrário. A proposta não é nova. Foi discutida também na gestão passada, mas teve resistência e foi descartada após o anúncio de duplicação da avenida. O impasse na obra fez reacender o debate. “O binário que hoje propomos é uma forma de melhorarmos a mobilidade enquanto a duplicação não se concretiza”, explicou Vladimir Constante, presidente da Fundação Ippuj.

Os impactos do binário sobre o comércio da região, falta de infraestrutura das vias laterais, pontos críticos e dúvidas sobre a eficiência do sistema foram levantados. Segundo a Prefeitura, as considerações serão levadas em conta na análise do projeto. Constante enfatizou que qualquer decisão será antecipadamente comunicada às entidades e pessoas que estiveram na reunião.

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