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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Startups joinvilenses se destacam no cenário nacional

Conta Azul, Asaas, Curupira e Meus Pedidos são exemplos de startups locais que deram certo e estão conquistando mercado no país inteiro

Isabella Mayer de Moura
Joinville

Ágil, inovadora e com um grande risco. É assim que as startups funcionam. E Joinville, segundo o Sebrae, é um dos principais celeiros de empreendimentos digitais no Estado.

As startups, segundo o gestor do Programa de Capacitação Startup SC, do Sebrae Santa Catarina, Alexandre Souza, são formadas por um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios que permita atingir um grande número de clientes e gerar lucros em pouco tempo, sem haver um aumento significativo dos custos.

Um dos exemplos mais conhecidos é o ContaAzul, uma companhia de gestão on-line que tem como alvo micro e pequenas empresas. Ela nasceu em 2012 e é líder de mercado no segmento no Brasil. Outras seguem caminho semelhante, como a Asaas, o Curupira e  o Meus Pedidos.

Eles tiveram uma ideia inovadora e a coragem de colocá-la em prática, o que, segundo Souza, é o mais importante. “Uma ideia na cabeça não vale absolutamente nada. O que vale é pegar essa ideia, validá-la com o potencial cliente para verificar se ele pagaria para ter essa solução proposta e colocá-la em prática”, observou.
Entretanto, as startups brasileiras encontram dificuldades em relação à captação de investimentos. Os investidores daqui ainda têm um caráter conservador, enquanto que em países como EUA a cultura de capital de risco está mais consolidada.

No país, encontram mais chances os projetos inovadores e que, de preferência, já tenham clientes e gerem receita. O diretor de mercado da Acate (Associação Catarinense das Empresas de Tecnologia), Daniel Leipnitz, afirma que as altas taxas de juros fazem com que os investidores tenham opções mais seguras para aplicar seu dinheiro.

A solução encontrada é buscar investimentos fora do país. Conta Azul, Asaas, Meus Pedidos e Curupira já foram ao TechCrunch Disrupt, no Vale do Silício (EUA), o maior evento de empreendedorismo digital do mundo. No programa Startup SC, o Sebrae leva empresas para participar do evento, uma grande oportunidade de fazer networking e quem sabe, no futuro, conseguir um bom investimento.

Conta Azul

A ideia da Conta Azul, um software de gestão para pequenas empresas, surgiu ainda em 2007, quanto o CEO, Vinícius Gonçalves, trabalhava como funcionário de uma empresa.  O mercado de software de gestão estava consolidado, e não existia um produto que fosse ótimo, simples e barato para as empresas menores. As condições eram boas para o negócio, mas a ideia acabou ficando na gaveta. “Não tínhamos o conhecimento necessário naquela época”, comentou Gonçalves.

Somente no fim de 2011 o projeto saiu da gaveta para se concretizar. Gonçalves e seus sócios foram selecionados por uma aceleradora americana para um programa de capacitação, onde ficaram por quatro meses aprendendo sobre design, distribuição on-line e métricas. A partir de lá, o negócio deslanchou. Hoje, no papel, eles são uma empresa que emprega cerca de 90 pessoas, mas a cultura startup permanece na filosofia da Conta Azul. “Gostamos de ter um ambiente leve, descontraído com liberdade e valorizando sempre o nosso time”, observou ele. A Conta Azul já passou por cinco rodadas de investimentos e soma no seu portfólio 350 mil empresas que já utilizaram seu produto.

Asaas

O Asaas é um parente bem próximo da Conta Azul, pois nasceram na mesma empresa de software. A ligação entre as duas startups vai além, porque o Asaas surgiu de um problema que a Conta Azul estava enfrentando. “Eles estavam tendo dificuldade em fazer a cobrança das mensalidades dos clientes da Conta Azul e por isso pensamos em um sistema que solucionasse esse problema e agilizasse o processo”, contou Diego Contezini, CMO do Asaas.

Com isso, eles criaram um sistema de geração de boletos. No início, o público- alvo eram empresas de software, mas a ideia acabou não dando certo quando foi lançada no mercado. Mas foi então que os sócios perceberam um potencial de vender esse produto para autônomos, micro e pequenas empresas. “Fizemos ajustes no projeto e criamos o Asaas como ele é hoje e no primeiro mês já tínhamos cerca de 30 clientes”, disse Piero Contezini, CEO do Asaas. O Asaas completou oito meses e hoje já tem 300 clientes. Eles passaram por duas rodadas de investimento e, em janeiro, devem captar mais recursos.

Meus pedidos

Diferente do Asaas e da Conta Azul, que buscaram investimentos para consolidar e fazer crescer os empreendimentos, o Meus Pedidos utilizou de recursos próprios para nascer e se concretizar. Segundo o CEO, Tiago Brandes, o Meus Pedidos é um sistema de pedidos e catálogo digital para representantes comerciais, distribuidoras e indústrias. “A ideia surgiu a partir da necessidade do pai de um dos nossos sócios, que era representante comercial e tinha dificuldades em administrar as vendas e os pedidos. Foi quando eu larguei o meu emprego, em 2011, para me dedicar totalmente a este novo projeto”, lembrou.

Brandes e os sócios tocaram o negócio por conta própria em um pequeno espaço. Hoje o Meus Pedidos já tem três escritórios em Joinville. O que colaborou para esse rápido crescimento foi a participação da startup em alguns eventos como TechCrunch Disrupt, no Vale do Silício. “Fomos para lá com o apoio do Sebrae SC e também participamos de um fórum de capital de risco para que investidores possam conhecer startups brasileiras. Com isso, conseguimos ter uma boa vitrine para o nosso produto”, comentou Brandes.

 

Curupira

Pegando carona na sustentabilidade, Guilherme Quandt e seus sócios criaram o Curupira, uma startup que planta árvores com o objetivo de recuperar e proteger biomas brasileiros. O cliente compra uma árvore que será plantada e monitorada pela equipe do Curupira e poderá acompanhar seu crescimento.

Com a tendência cada vez maior de que as empresas se tornem sustentáveis, o crescimento da startup é algo que vem se consolidando. “O perfil de consumo das pessoas está mudando, elas querem não somente um produto, mas algo que acrescente experiência em sua vida. As marcas que estão ligadas à sustentabilidade tem mais aceitação”, observou Quandt.

E é por esse motivo que a maior parte dos clientes do Curupira são empresas. Elas plantam árvores por meio da startup e assim promovem uma ação de sustentabilidade sem despender tempo e nem pessoal para isso.

O Curupira começou com investimento inicial dos sócios e no ano passado recebeu o primeiro aporte de uma aceleradora, de Porto Alegre. “Fazer o networking é fácil, mas a ideia precisa ser boa e viável”, lembrou Quandt.

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