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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Sérgio Moro, juiz da operação Lava Jato, trabalhou em Joinville e julgou casos na região

Magistrado atuou na comarca da cidade entre 1999 e 2002 e tem uma filha joinvilense

Windson Prado
Joinville
ABr/divulgação/ND
Entre os casos que Sérgio Moro julgou quando atuava em Joinville está o da Cipla

 

Em tempo de operação Lava Jato, investigação do ex-presidente Lula, processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e manifestações populares, um profissional da Justiça brasileira ganhou notoriedade. Sérgio Moro vem se tornando, para muitos, uma espécie de herói popular.

Nas ruas e nas redes sociais, o nome e a foto do magistrado responsável pela 13ª Vara Federal do Paraná – onde correm as investigações da operação Lava Jato - estão em cartazes, apelos e citações. Mas o que muita gente não sabe é que o juiz, natural de Maringá, no Paraná, já morou e atuou em Joinville e que tem uma filha (Júlia) nascida na cidade.

Moro esteve à frente da 3ª Vara Federal entre 1999 e 2002. Em Joinville, atuou em casos de grande repercussão, como a determinação da saída de pessoas que tinham ocupado de forma irregular a Ilha dos Remédios, em Balneário Barra do Sul. A ação indica que a ilha é de propriedade da União e que as ocupações estavam sendo feitas sem a devida autorização. Na época, as pessoas citadas no processo não chegaram a deixar a ilha, mas também não houve novas ocupações.

Outro caso importante de Moro na região Norte foi referente à interdição do lixão de Araquari. Em Joinville, o magistrado julgou o caso da indústria Cipla. Na época, a empresa ficou por um período de quatro anos e sete meses sem recolher impostos e os administradores não atendiam às decisões da Justiça. Em 2002, os funcionários entraram em greve por conta dos salários atrasados e a situação levou acionistas a entregar a gestão aos trabalhadores. Moro determinou que a Justiça tomasse a posse das empresas que faziam parte do grupo.

O advogado Carlos Adauto Virmond Vieira, 49 anos, colunista do jornal Notícias do Dia, teve bastante contato com o magistrado quando ele atuava na cidade. “Nos quatro anos em que Moro comandou a 3ª Vara Federal em Joinville, tive a oportunidade de ter processos julgados por ele. Depois, quando ele foi assistente da ministra do STF Rosa Weber, também participamos juntos de audiências”, comenta Adauto.

Na condução dos processos, segundo o advogado joinvilense, o juiz Moro é bastante sério. “Ele é rigoroso na produção das provas processuais e na apreciação dos processos. Ele também presta muita atenção na condição social da parte envolvida, garantindo ao que eles sejam bem atendidos pelo judiciário”, completa.

Segundo Adauto, foi Moro quem deu início aos trabalhos do Juizado Especial Federal Criminal na cidade. “Joinville sempre teve um corpo de juízes federais excelentes, com muito conhecimento e muito corretos. Moro integrou este time e teve um papel importante na promoção da Justiça na cidade”, finaliza o advogado.

 

Perfil

Filho de um professor de geografia e uma dona de casa, Sérgio Fernando Moro, 44 anos, é casado e tem um casal de filhos, ainda em idade escolar.  Moro é descendente de uma família de classe média, nasceu e foi criado na cidade de Maringá, no Norte do Paraná. Para muitos, é tido como uma pessoa séria e reservada, mas amigos próximos ao juiz garantem que ele tem um afinado senso de humor.

Moro cursou direito em uma das mais conceituadas instituições públicas do Paraná, a UEM (Universidade Estadual de Maringá). A graduação ocorreu em 1995. No ano seguinte, aos 24 anos, ele se tornou juiz federal, após passar em um concurso público. Depois disso, o magistrado fez mestrado e doutorado e também cursou um programa da instrução de advogados da Harvard Law School, nos Estados Unidos. Foi na América do Norte que ele fez um estudo de combate à lavagem de dinheiro, promovido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Antes de chegar a comandar a 13º Vara Federal, em Curitiba, ele passou por Cascavel, no Paraná e por Joinville. Hoje, além dos trabalhos na Justiça Federal, Moro dá aulas de processo penal na Universidade Federal do Paraná. Quando não está trabalhando, vai ao clube, gosta de ir a restaurantes e frequenta a casa de amigos.

Segundo o portal R7, “relatos de pessoas próximas a Moro, revelam pequenos detalhes do perfil do juiz paranaense. No aplicativo de mensagens WhatsApp, a foto de perfil de Moro é a foto de um crocodilo grande engolindo outro menor. Seu status é sempre “Na academia”.

Entre os casos de destaque nos quais Moro atuou está o do banco Banestado. O juiz investigou a remessa ilegal de US$ 30 bilhões ao exterior entre 1996 e 2002, que resultou na condenação de 97 pessoas. Em 2004, Moro participou da Operação Farol da Colina, na qual dezenas de doleiros foram presos. Neste processo, foram decretadas a prisão temporária de 103 suspeitos de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro – entre eles, Alberto Youssef. E, em função dessas duas experiências, em 2012 foi convocado pela ministra Rosa Weber para auxiliá-la na investigação do mensalão.

 

Detalhes

Sérgio Moro foi eleito o “Brasileiro do Ano”, de 2014 pela Revista IstoÉ. No mesmo ano ele foi citado como uma das cem pessoas mais influentes do país pela Revista Época;

O magistrado foi eleito “Personalidade do Ano”, de 2014, na 12ª edição do Prêmio Faz Diferença do Jornal o Globo;

Ele também ganhou o título de “Brasileiro do Ano” de 2014 e de 2015 em enquete realizada pela revista Veja.

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