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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Senadores catarinenses defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff

Dois dos três, Dário e Bauer, estão na comissão que será eleita segunda-feira

Daiana Constantino
Florianópolis

Atentos ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional, os três senadores catarinenses – Dário Berger, do PMDB, Paulo Bauer e Dalírio Beber, ambos do PSDB, – estão convencidos de que o caminho a ser seguido deve ser pela saída da petista do cargo. Nesta segunda-feira, o Senado cria a comissão especial para analisar o caso. Indicado como suplente, Dário será titular após a desistência de José Maranhão (PMDB-PB). Bauer continua na suplência.

Divulgação
Dalírio Beber, Dário Berger e Paulo Bauer

 

Em entrevista ao ND, os três senadores anteciparam as expectativas quanto ao processo de impeachment e manifestaram suas opiniões. Um dos pontos questionados foi a proposta de convocação de eleições gerais. Todos afirmaram que a prioridade é a análise do processo de impeachment. 

Bauer até é a favor de novas eleições, mas somente depois do julgamento da presidente. Berger defende esgotar todos os passos legais previstos na Constituição, enquanto Beber diz que a ideia deveria ter sido apresentada no ano passado, quando ocorreu o debate sobre a reforma política.

Dário Berger (PMDB)

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Como o senhor pretende participar do processo no Senado?

Pretendo acompanhar diretamente e com muita atenção todo o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, pois estou certo da importância dele para o país e para a vida dos brasileiros.

O senhor foi indicado para ser titular na comissão especial, como deve ser sua atuação?

Coloquei meu nome à disposição e fui indicado pelo líder do bloco do PMDB, senador Eunício Oliveira, para integrar o grupo, primeiro como suplente, depois como titular. Estou ciente de tamanha responsabilidade e afirmo que deveremos analisar o processo de todas as formas legais e jurídicas e esgotar todas as análises antes da decisão final. Devo honrar minha participação neste momento histórico do Brasil.

Qual previsão do placar de votos do afastamento e no impedimento definitivo da presidente Dilma?

Não há como definir de antemão esse placar. Da mesma forma que na Câmara, muitos votos mudarão em cima da hora. No Senado, o processo deverá ser analisado, deverá percorrer as vias legais para que depois, talvez no final, possamos ter um levantamento mais próximo da realidade. Hoje, as posições ainda são muito pessoais.

Como o resultado do processo de impeachment na Câmara pode influenciar no Senado?

A votação na Câmara do processo de impeachment da presidente Dilma deixou transparecer toda a insatisfação da sociedade brasileira com os rumos que foram tomados por esse governo. Tanto no plenário, quanto nas ruas, ficou claro esse sentimento de mudança da nossa população e os parlamentares só representaram esse sentimento por meio do seu voto e fazendo com que a responsabilidade possa seguir para o Senado, onde será analisado e julgado de acordo com os trâmites legais e jurídicos daquela Casa.

Como acha que o presidente Renan Calheiros vai se comportar em relação ao rito do impeachment? Vai acelerar?

Deveremos analisar o processo de todas as formas legais e jurídicas. O Senado Federal é uma Casa Legislativa de maior grau no país e por isso deve esgotar todas as suas análises antes da decisão final.

O que o senhor pensa sobre a tese de convocar eleições gerais?

Acho que devemos esgotar todos os passos legais previstos na Constituição. Assim sendo, devemos seguir os trâmites jurídicos para não atropelarmos o processo.

 

Dalírio Beber (PSDB) 

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O senhor tinha interesse em participar da comissão especial?

Não. Na semana passada, na reunião da bancada, foram sugeridos vários nomes. Antonio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais, deve assumir a relatoria. Não tenho preocupação ou pretensão para reivindicar espaço na comissão. As figuras mais expressivas e com larga experiência devem participar. Mas, a missão que me for incumbida, espero realizar com plena responsabilidade nesse momento histórico.

Qual previsão para o placar de votos no afastamento e no impedimento definitivo de Dilma?

Na Câmara tinha um número grande dos indecisos. Estou convencido de que a maioria vai se posicionar a favor de um recomeço, de um governo que tenha capacidade de dialogar com todas as forças representativas do país. Podemos voltar a gerar emprego e renda para garantir o bem-estar dos brasileiros. E essa estatística de desemprego tem crescido todos os meses. Esse sentimento de responsabilidade deve tomar todos os senadores. O processo é constitucional. Não é golpe.

O senhor acredita que o resultado na votação do impeachment na Câmara influenciará no Senado?

Acho que todos os parlamentares têm larga experiência na vida pública e grande responsabilidade para com todo o momento político que se vive. O trabalho da Câmara e dos deputados que estiveram debruçados sobre o assunto deve ser considerado e valorizado. O que exige dos senadores que se debrucem com o mesmo grau de responsabilidade.

O que senhor pensa sobre a tese das eleições gerais que está sendo discutida por lideranças do governo federal?

Acho que tudo isso deveria ter sido proposto no ano passado quando se falava de reforma política. No sentido de reforma para permitir que não tivesse esse número enorme de partidos, para moralizarmos a atuação político-partidária. Hoje a Constituição estabelece que o impeachment é instrumento legal e constitucional. Outro mecanismo para fazer o julgamento é o das ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral, que estão lá desde 2014. Implantar parlamentarismo e eleição geral não soa normal. E uma ideia que não se não realiza frustra ainda mais a sociedade brasileira.

Como espera a participação catarinense em um eventual no governo Temer?

Em nível de PSDB, não estamos preocupados em participar, mas apoiar boas iniciativas. Vamos colocar um freio na geração de desemprego, criar condições para a retomada da empregabilidade, que possam vislumbrar a possibilidade dos brasileiros reconquistarem isso.

 

Paulo Bauer (PSDB)

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Como o senhor pretende participar do processo no Senado?

Além de integrar a oposição, por isso mesmo querer uma nova linha de governo, obviamente tenho a responsabilidade de fazer o julgamento desses fatos. Golpe não existe, é falácia. É desculpa do PT para iludir pessoas com pouco conhecimento para depois ficar como vítima. É um processo legal e constitucional e que deve ser usado quando um presidente comete crime de responsabilidade. Sou contador e auditor por formação, tenho juízo claro e correto que ela praticou, sim, crime de responsabilidade.

Como será sua participação na comissão especial?

Fui convidado para ser suplente pela minha condição de contador e auditor fiscal, e por ser do Sul do país. Vou usar os meus conhecimentos nesta área para ajudar na discussão.

Qual previsão para o placar de votos no afastamento e no impedimento definitivo de Dilma?

Contabilizamos 42 e 45 votos garantidos. Dilma fica morando no Alvorada, ganhando metade do salário e precisa contratar um advogado para se defender. Na segunda votação, vem o problema. É necessária maioria absoluta, 54 votos. Acredito que os 54 votos vão estar lá. Porque a Dilma conseguiu a maior proeza do mundo. No domingo, as pessoas que trabalharam com ela não votaram nela.  

Como o resultado do processo de impeachment na Câmara pode influenciar no Senado?

Muito. A manifestação dos partidos, deputados e, mais do que isso, da sociedade, por todos os meios e modos, mostra a decepção com o que está acontecendo.

Acha que o presidente Renan Calheiros vai acelerar a tramitação do processo?

Temos que entender que não é possível fazer mais depressa do que precisa ser. O julgamento não pode ser acelerado nem se tornar mais lento. Porque pode dar ao culpado, ao réu, o direito de começar de novo. É preciso que leve o tempo que precisa, mas temos que fazer juridicamente correto e exato, sem margem para interpretação e dúvida.

O senhor concorda com a tese de eleições gerais?

Antes do julgamento da Dilma, sou contra. Nem pensar.

Como o senhor espera que aconteça e que seja a participação de líderes catarinenses em um eventual governo Temer?

Não faço nenhuma especulação em torno disso. Apoiaremos politicamente o governo, mas não vamos reivindicar cargos. Trocar cargo por apoio é o maior crime político.

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