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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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O taquígrafo que escreve leis

Câmara. Dorval Pretti fez história ao ser o primeiro efetivo a ser eleito vereador

Daiana Constantino
Joinville

A vida do jaraguaense Dorval Pretti, 56 anos, mistura-se com a história da Câmara de Vereadores de Joinville. Afinal, ele acumula 35 anos de serviço público e representa um caso bastante significativo no Legislativo municipal. Pretti é o primeiro servidor efetivo a ser eleito vereador.

Quando fez concurso para a função de taquígrafo da Câmara, Pretti conta que ainda sabia que a sua relação com o meio político estava apenas começando. Segundo funcionário mais antigo do Legislativo, ele recorda que, em 1979, três taquígrafos trabalhava na Câmara – quadro que foi reforçado com mais um servidor, anos depois.

Naquele tempo, as sessões tinham duração de duas horas, sendo realizadas três vezes por semana. E como não haviam câmeras, o trabalho dos taquígrafos no registro dos acontecimentos, inclusive dos pormenores, era de extrema relevância. “Havia revezamento entre os taquígrafos de cinco em cinco minutos. Assim era registrada a íntegra das sessões”, comenta. 

Ele utilizava máquina de escrever para transcrever a íntegra das sessões. Um trabalho que durava, em média, uma hora e quinze minutos. “Dependia muito do orador. Alguns falavam paulatinamente e eram mais objetivos. Outros misturavam os assuntos”, lembra.

Pretti fazia a correção gramatical na hora de transcrever o que tinha registrado no dia anterior. “O mais importante era cuidar para não mudar o sentido do discurso.” Numa época que YouTube não existia nem na ficção científica, o taquígrafo de carreira conta que alguns parlamentares consultavam as atas mais antigas para relembrar discursos feitos por outros vereadores. Para evitar que alguém voltasse atrás no que havia falado, Pretti gravava as sessões em fita e tirava a prova real. “Sempre era usado quando havia questionamentos, contestações.”

A paixão pelo que fazia era tanta que Pretti, formado em História, chegou a fazer um estudo sobre a década de 1980 na Câmara de Joinville, a partir dos registros taquígrafos, em seu trabalho de conclusão de curso.

A taquigrafia foi substituída pela gravação em áudio e em vídeo. “Lamento pelo quadro de taquígrafo não ter melhorado e por ter sido extinto. A taquigrafia registra a história de Joinville. Com o fim da função, perde-se a história escrita”, diz. Segundo Pretti, todo o documento taquigráfico se encontra hoje no arquivo histórico da cidade.

 

Carlos Junior/ND
Servidor. O segundo efetivo mais antigo da Casa se  prepara para a aposentadoria, em junho

 

O último dos taquígrafos

A taquigrafia ou estenografia é um sistema rápido de escrita que usa sinais e abreviaturas específicas. Apesar de ter sido extinto na Câmara de Joinville, o método ainda é usando em casas Legislativas, como o Senado Federal e a Câmara dos Deputados.

No legislativo, Pretti exerceu a função por 20 anos. “Quando chegou o computador, tudo modernizou”, lamenta. 

Dos quatro taquígrafos da Casa, dois se aposentaram, um foi transferido para o setor de cerimonial e Pretti passou a atuar no setor de Divisão de Assuntos Legislativos. Hoje em licença prêmio, o servidor Pretti se aposenta em junho. O vereador Pretti continua. 

 

Arquivo Pessoal/ND
Antes do computador. O jovem Pretti, um dos três taquígrafos da Câmara  de Joinville em 1980 enda

 

Gosto pela política

Depois de três décadas no serviço público, Dorval Pretti pegou tanto gosto pela política que decidiu se candidatar a vereador, em 2012, pelo PPS. Percebeu que poderia contribuir mais com ações voltadas para a população se tivesse o poder de fazer leis. Poder que ele conquistou nas urnas. Concorrendo com o número 23.222, somou 2.439 votos.

Apesar de ser sobrinho do vereador Roberto Bisoni (PSDB), Pretti diz que “nunca teve apadrinhamento político e que fez campanha sem dinheiro”. O taquígrafo de carreira disputou com o tio voto a voto, já que ambos têm o mesmo reduto eleitoral – os bairros Comasa, Espinheiros, Iririu e Jardim Iririu.

A disputa nas urnas, garante Pretti, não estremeceu os laços familiares. Quando era  jovem, Pretti morou de pensão na casa de Bisoni.

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