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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Samir mantém silêncio, mas advogado espera reverter acusações

Depoimento de prefeito afastado de Barra Velha faz parte de inquérito da Polícia Federal

Rogemar Santos
Joinville

Rogerio da Silva/ND
Samir Mattar (PMDB) na saída da sede da Polícia Federal, na tarde de quarta-feira (13), em Joinville

Foram duas horas de depoimento na Polícia Federal de Joinville, mas nenhuma declaração sobre o suposto desvio de recursos federais na Prefeitura de Barra Velha. Foi assim que procedeu Samir Mattar (PMDB), prefeito afastado por determinação da Justiça Federal durante a Operação El Niño, deflagrada no dia 7 de julho, que afastou ele e
mais cinco pessoas da administração municipal. No depoimento na tarde de quarta-feira (13) Samir estava
acompanhado do advogado Omar Antônio Fasolo. O prefeito afastado justificou que por orientação do seu advogado não comentaria nada sobre o caso. Antes de entrar na delegacia para prestar o depoimento, Samir apenas comentou que “iria provar sua inocência”.

Na saída do interrogatório, Samir Mattar demonstrava abatimento e evitou novamente comentar o caso. O advogado Omar Antônio Fasolo destacou que o depoimento de ontem serviu para que a própria defesa tivesse conhecimento dos fatos que levaram ao afastamento do prefeito e de outros cinco funcionários de suas funções públicas. “Estamos tendo ciência das acusações para que possamos entrar com a defesa correta. Posso adiantar que observei que não existe crime contra o prefeito e que os recursos enviados para a Defesa Civil não chegaram até a administração municipal”, afirmou. Fasolo adiantou que tratará de buscar uma ação que possibilite o
retorno de Mattar ao cargo.

Na terça-feira (12), já compareceram para depor quatro suspeitos de desvio de recursos da Defesa Civil nacional, no valor aproximado de R$ 3 milhões: o secretário de Planejamento, Eurides dos Santos, o presidente da Câmara
Municipal, Valdir Tavares (DEM), e o vereador licenciado Eurico dos Santos (PSDB). A maioria optou por responder às acusações somente em juízo. O depoimento do coordenador da Defesa Civil, Marcelo Metelski, deve ocorrer entre hoje e amanhã. Os depoimentos conduzidos pelo delegado Alessandro Vieira Neto serão anexados ao
inquérito que será enviado à Procuradoria da República.

Enquanto as investigações da Operação El Niño prosseguem, o agora prefeito de Barra Velha, Claudemir Matias Francisco (PSB), afirmou na quarta-feira que continuará com as reformas administrativas. Claudemir Matias anunciou que pretende anular o concurso público da Prefeitura realizado em 2010. “Vou estudar com a assessoria jurídica a possibilidade de anular o concurso. Houve denúncias sobre diversas irregularidades que não deixaremos
passar. Já existe questionamento junto ao Ministério Público e até ação na Justiça”, afirmou.

Claudemir também revelou que deseja romper o contrato com a empresa Enops, responsável pelo abastecimento de água de Barra Velha. Ele lembrou que o contrato com a empresa está em regime de urgência há mais de dois anos. “Quero romper o contrato, abrir a contratação em regime de urgência com outra empresa e abrir licitação ou até uma autarquia para cuidar da água do município”, comentou. O prefeito espera que dentro de duas semanas
tenha um projeto elaborado pela equipe da Prefeitura

Na quinta-feira (7), a Polícia Federal, com o auxílio do Ministério Público Federal, deflagrou em Barra Velha a Operação El Niño, com o objetivo de desmantelar um grupo que seria liderado pelo prefeito Samir Mattar (PMDB). Seis pessoas foram afastadas da função pública por determinação judicial.

A operação atua no combate ao desvio de recursos públicos de origem federal, fraudes à licitação pública, peculato, corrupção, falsidade documental, além de outros crimes conexos. O grupo também teria decretado estado de emergência sem justificativa para forçar a contratação de empresas sem licitação. As investigações começaram em junho de 2010, e tiveram como ponto de partida uma enchente que assolou o município em novembro de 2008 e um vendaval ocorrido em setembro de 2009.

O novo prefeito Claudemir Matias (PSB) promoveu 41 exonerações e propôs recomposição de secretarias. Nove pessoas foram nomeadas. Ele afirma que as medidas visam a economizar até R$ 200 mil/mês. Na quarta-feira (13), o prefeito afastado Samir Mattar prestou depoimento à Polícia Federal. O nome El Niño atribuído à operação remete às enxurradas que assolaram a cidade em 2008 e 2009.

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