Publicidade
Domingo, 18 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

A agente de trânsito que notificou motorista por jogar cigarro no chão

Jovem que exerce há menos de dois anos a função na Conurb já autuou outros condutores em Joinville pela mesmo tipo de infração

João Batista (JB)
Joinville
Carlos Júnior/ND

Fernanda patrícia Raitz Schatzmann: "Mais do que uma infração, é um ato contra o meio ambiente"

 

Por trás do tradicional uniforme azul dos agentes da Conurb (Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville), está Fernanda Patrícia Raitz Schatzmann, 27 anos, que protagonizou o auto de infração contra um motorista que havia jogado um xepa de cigarro no chão na última terça (1º). Apesar dos “azuiszinhos” serem costumeiramente alvo de críticas, a monitora foi heroína da situação, por notificar, na letra na lei, ato proibido pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

Um pouco tímida, mas de olhar atento e fala segura, Fernanda já fez diversas abordagens contra o mesmo tipo de infração na cidade. Conforme registros da Conurb, em 2010 houve 53 notificações com base no artigo 53311 do CTB, sendo que 18 foram feitas pela Polícia Militar e 35 por agentes da companhia. “Não sei exatamente quantas fiz, mas os colegas de trabalho brincam dizendo que eu fui a responsável pelas 35”,  conta ela, com um sorriso que comemora a eficiência.

Acostumada com a atitude ilegal, no duplo sentido da palavra, a agente já se deparou com situações envolvendo diversos tipos de objetos atirados de dentro de veículos. “Já autuei motoristas jogando restos de frutas, latinhas e embalagens de comida, além das xepas de cigarro. Mais do que uma infração, é um ato contra o meio ambiente que pode ainda provocar acidentes com outras pessoas”, diz. Ela faz questão de lembrar que lei também vale para motociclistas, ciclistas e pedestres. “Jogar lixo no chão é uma atitude corriqueira de muita gente, não dá para notificar todo mundo”.

Fernanda trabalha nas ruas como agente de trânsito há um ano e meio, geralmente na região central de Joinville, mas está na Conurb há nove anos, onde começou como recepcionista. “Fiz concurso em 2007 e fui chamada em 2009. Tive certa facilidade por já conhecer a empresa e saber de algumas regras. Fiquei em 23º lugar na classificação”, afirma.

Nascida em São Paulo, ela chegou na cidade com um ano e meio de idade, e diz se considerar uma joinvilense de coração. Moradora no bairro Costa e Silva, ela comenta que um dos principais problemas do trânsito de Joinville é a quantidade de carros que se aglomeram em ruas muito estreitas. No dia-a-dia do trabalho, Fernanda comprova a uma tese própria de que os condutores de veículos sofrem de um “bloqueio de conhecimento” quanto às leis de trânsito.

“Os motoristas mais experientes acham que podem fazer de tudo dentro do carro e aqueles recém-saídos das auto-escolas esquecem rapidamente o que aprenderam”, avalia Fernanda, também motorista e motociclista, que estampa no rosto claro um contentamento misturado com obrigação por nunca ter recebido uma multa. “Tenho que ser o exemplo”. Segundo ela, as desculpas mais comuns durante as abordagens são os famosos “Eu não sabia”, sobre diversas infrações ou “Foi rapidinho”, sobre o tempo de estacionamento.

“Eu é que fui intimidada”

Sobre a questão de que teria abusado de autoridade durante a abordagem ao motorista Marcos Aurélio Bastos, 44, ela é enfática. “Eu que fui intimidada. Pedi para ele juntar a xepa e colocar dentro do lixeiro no carro. Ele foi agressivo e gerou todo um tumulto que atraiu a atenção de muita gente e até da polícia que chegou a ser chamada”. Para Fernanda, normalmente os condutores se valem de uma situação para poderem alimentar ainda mais um preconceito comum que há contra a companhia.

“Não temos poder de polícia. Se os agentes fossem militares as pessoas respeitariam mais e não haveria o tipo de confusão que houve”, reclama.

Repercussões

A matéria sobre o caso publicada nesta quinta-feira  repercutiu em diversos canais do jornal Notícias do Dia, como e-mails, Twitter, telefone e portal, além de alimentar histórias em mesas de bar e corredores de empresas. Leitores elogiaram ou criticaram a atitude da agente ou do motorista, manifestando reflexões sobre trânsito, meio ambiente e cidadania.

E-mails:

“Quero dar os parabéns pela agente da Conurb, pela aplicação da lei. Se o indivíduo "acha" que foi humilhado e desconhecia a infração, deveriam caçar sua habilitação e fazê-lo voltar para uma auto-escola que ensine bons motoristas.  O destaque no jornal  deveria ser o agente cumprindo seu papel e evitando que porcalhões continuem poluindo.”

Aldino José Getelina, assessor comercial

Conforme a matéria publicada, referente mais um triste episódio dos "agentes"  da Conurb, que na ocasião fui testemunha ocular do fato, onde o agente humilha perante todos um cidadão que paga seus impostos. Acompanhado de sua família, não carecia de um ato tão degradante, onde o agente obriga o cidadão recolher do chão a bituca de cigarro, dando no seu rosto aquela sensação de poder em suas mãos, expressando ares de cinismo, frio e calculista. Esses agentes são mal instruídos e mal educados para lidar com a sociedade, agora querem dar lição de moral a pai de famílias?

Onde nós estamos? Realizar a bemfeitoria para educar o trânsito sim, humilhar não! Isso acontece diariamente no Centro da cidade e em outras regiões, onde o trânsito está jogado às traças. Enfim, mais um triste episódio desses azulzinhos do poder!”

Celso Bianchini Junior, comerciante

“Quanto à educação não sei, mas digo uma coisa: também ficamos bravos quando repreendidos, ainda mais na frente de todos. Infelizmente a lei está aí, nem eu conhecia, e a maioria dos motoristas mal educados que tem este hábito de jogar as coisas pela janela. Acredito que se cada cidadão que passasse pela experiência, sendo ele de carro, moto, bicicleta, dentro de um ônibus ou mesmo a pé, parasse de jogar as coisas no chão ou pra fora do seu quadrado, acho que teríamos uma sociedade melhor. Veja tenho carro (com uma sacola para lixo, tenho cinzeiro, mesmo não fumando), e moto (corro risco trafegando perto desses mal educados que tem o costume de jogar as coisas pela janela). Parece que nem estão aí pela segurança dele e dos outros e, na verdade, nunca deu em nada, então continua fazendo. Agora também ficaria nervoso, pois tem tanta gente solta por aí e ninguém faz nada, mas é um começo, pena é que esta pessoa que originou esta "polêmica" poderá ser afastada.

 Está na hora de sermos um pouco mais educados. Gostaria de saber como este cidadão se sentiria se alguém jogasse dentro do carro dele uma xepa?

Não é multando que vamos mudar, infelizmente, pois quem tem paga e continua a fazer. E o pior, na frente dos filhos se achando o certo e que estes vão dar continuidade a estas impunidades, pois tem como exemplo seus pais irmãos e afins.

Parabéns pela matéria. Não vai mudar, mas talvez consiga fazer alguns refletirem um pouco com a segurança e o bem estar de todos.

Sergio Kasten

“A mim, cabe aplaudir a agente de trânsito. Muitas vezes me indispus com motoristas e passageiros que jogam lixo pela janela dos carros. Embora a lei seja desconhecida pela maioria das pessoas, as regras de educação, higiene e boa convivência vêm de berço. O cidadão que joga lixo pela janela do carro não merece condescendência. Tem de ser punido. Aliás, a menos que a esposa e o filho sejam fumantes, esse motorista já faltou com respeito à saúde dos seus, fumando dentro do carro. Os habitantes do hemisfério Norte não são melhores do que nós. A diferença é que lá a indisciplina é punida com multa. Somente mexendo no bolso as pessoas mudam de atitude, infelizmente.”

Renni Schoenberger, jornalista

Comentários no site NDonline.com

“Fumar é prejudicial a saúde o gesto do condutor é questão de educação”, Marcelo.

 “Ele está tentando justificar o seu erro, repassando a culpa ao agente da Conurb”, Antônio

 “Vamos preservar nosso meio ambiente”, Fabiano.

 “Parabéns ao agente da Conurb”, Heron.

“Parabéns Agente de Trânsito. Que você deva ser exemplo para os outros. Desconhecimento da lei não é desculpa. Humilhando? Não, estava ensinando boas maneiras para você e sua familia e aplicando a lei”,  Jaqueline Sezra Rhoden.

“Meus parabéns ao agente de trânsito. O carro dele deve ser meio pequeno para não ter lugar para colocar uma xepa de cigarro, ai é claro, é mais fácil jogar pela janela! Esses tipos de “porcão” vemos todos os dias pela cidade. Aposto que na próxima ele vai pensar 2x! E se ele desconhece a lei, deve ter comprado a carteira, porque eu fiz a carteira e está lá escrito!”, Giliardi.

 “Quando as pessoas fazem algo errado sempre procuram justificar seus erros. Ele acha humilhante juntar o lixo que jogou no chão? E se alguém jogasse lixo da sua casa, ele não iria querer que quem jogou juntasse? A cidade é de todos. É interessante que, ao juntar o lixo que ele jogou, ele pode estar dando exemplo ao filho que estava no carro. Ou será que ele prefere que o filho aprenda a jogar lixo na cidade? E depois reclamam que as bocas de lobo estão entupidas... Parabéns a agente de trânsito.”, Jair.

 “É isso aí... Excelente iniciativa da agente de transito... Fumante tem que aprender a usar o cinzeiro do carro”, Weber

 “Muito bem aplicada esta multa. Para educar essas pessoa que sujam as ruas, só mexendo em seus bolsos”, Alexandre.

“Todos querem um país desenvolvido, mas ninguém quer assumir responsabilidades. Falta muita educação para se chegar ao desenvolvimento desejado”, Marcos.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade