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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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A queda de braço entre Carlito e Ulrich continua

Prefeito e sindicalista não abrem mão de suas propostas, e a greve dos servidores públicos entrou na terceira semana. VEJA VÍDEOS

Redação ND
Joinville

Joyce R. Giotti/ND
Assembleia na manhã desta segunda-feira decidiu pela continuação da greve

O décimo-quinto dia de greve começou com uma assembleia do Sinsej (Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Joinville) em frente à Prefeitura de Joinville. Por unanimidade, a categoria rejeitou novamente a proposta de reajuste de 8% em janeiro e de 12% em maio de 2012 oferecida pelo poder público.
Na semana passada, o sindicato tinha enviado uma contraproposta de 6,5% e mais duas parcelas de 2,5% até o final do ano para o município. A greve continua, sem previsão de negociações.

O que fica evidente com esta greve é a dificuldade de ambas as partes – sindicato e prefeitura – de chegarem a um denominador comum. O prefeito, Carlito Merss, e o presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, expõem as suas justificativas sobre o tema.


Confira abaixo as entrevistas com o prefeito de Joinville, Carlito Merss, e o presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter:

Carlito Merss - prefeito

Ausência de negociação
O sindicato nos entregou uma pauta com 35 itens, em tempo hábil nós entregamos. Boa parte dos itens foi atendida, como o salário dos agentes comunitários, a incorporação do abono ao magistério... Não houve diálogo por parte do sindicato.
 

Greve política
Não sou eu, foi o presidente do sindicato quem classificou o movimento. Eu fiz 11 greves na minha vida e há o ônus e o bônus: dias não-trabalhados são dias descontados. A única coisa que nós questionamos foi pedir junto ao Ministério Público que garantisse o direito à vida. Em parte, a Justiça nos deu essa garantia que o sindicato não vem cumprido.   

Saúde
Foram canceladas muitas cirurgias e o atendimento no pronto-socorro do São José está sendo feito com servidores cumprindo dupla ou tripla jornada. E a eles eu quero agradecer.   

Números
Não estamos inventando números. Os limites existem e estão aí, evidentes. Peço a colaboração e o entendimento da população e da maioria dos servidores. Com o sindicato, falta diálogo. Adoraria que a realidade financeira da Pprefeitura fosse outra. Eu fui o relator geral do orçamento da União. Temos uma cidade muito rica e uma Prefeitura muito pobre. O bom senso tem de prevalecer.

 

Ulrich Beathalter - sindicalista

Prejuízos à população
Não é incomum um cidadão procurar um posto de saúde e não encontrar um médico para realizar sua consulta. No dia a dia, nós temos alguns tipos de exames que demoram dois anos para serem realizados. Então, a população é penalizada diuturnamente. A greve acontece também para chamar atenção para estas questões. Reivindicamos não somente o bem-estar do servidor, mas também as melhorias das condições de trabalho que ao fim vão resultar num melhor atendimento para a população de Joinville.

Pretensões políticas
Hoje meu compromisso é com a categoria, com o sindicato. Temos muito a fazer ainda para organizar esta categoria. Não está nos planos atuais uma carreira política. Óbvio que não podemos dizer que isso nunca vai acontecer... Mas não é o que está nos nossos planos no momento.

PT x PT
Não me filiei ao PT motivado por uma pessoa e sim por princípios como o manifesto do partido, na defesa da classe trabalhadora. Eu acredito que o partido ainda expressa esses anseios da sua fundação. Não é intriga interna nem motivação política.

Greve mais longa
Sim, o sindicato e os servidores estão preparados para isso, mas esperamos que não seja necessário. Com a greve, os servidores perdem bastante, a população perde bastante com a falta de atendimento nos serviços básicos. Mas a prefeitura não perde nada, apenas economiza.

Lei de Responsabilidade Fiscal
A lei determina que a prefeitura pode investir até 54% da receita corrente liquida com folha de pagamento. No ano passado, a prefeitura investia no início do ano 52% da sua receita e concedeu o reajuste salarial, pagando até abono e mesmo assim a prefeitura fechou o ano num patamar de 48% de comprometimento. Este ano, a prefeitura tem uma margem muito maior para investir em folha de pagamento. A receita vem crescendo num número muito superior ao comprometimento da folha. Os números que vão sair do balanço do primeiro quadrimestre vão mostrar isso. 

Argumentos de uma greve from Notícias do Dia Joinville on Vimeo.

Greve para um administrador from Notícias do Dia Joinville on Vimeo.

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