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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Ferramenta eficaz, o retrato falado ainda é pouco utilizado em Joinville

Cidade possui sistema digital que gera traços com qualidade de foto

Rosana Rosar
Joinville

Como peças de um quebra cabeça formatos de rostos, olhos, bocas e narizes compõem os retratos falados produzidos em Santa Catarina num sistema digital operado pelo IGP (Instituto Geral de Perícias). Em Joinville, a ferramenta é pouco utilizada, mas já ajudou a localizar pelo menos cinco criminosos na região Norte do Estado desde 2010. A papiloscopista Suzana Preisler é a responsável por orientar as vítimas na união de fragmentos que podem formar imagens decisivas na hora de identificar o autor de um crime. No entanto, não realiza o processo desde 1° de novembro do ano passado.

Rogério Souza Jr./ND
Desde 2010, Suzana fez cerca de 35 retratos falados no sistema digital, 12 deles ano passado

 

 

A confecção de um retrato falado, segundo Suzana, depende de pedidos dos delegados responsáveis pelos casos e da disposição das vítimas em irem até o IGP. “Fazer um retrato falado leva em média duas horas”, detalha. O banco de imagens é alimentado constantemente e dá diversas opções às vítimas. Para que haja mais chance de prisão dos algozes recomenda-se que os agredidos não tenham medo de descrevê-los. “Por mais que muitas vezes a família queira preservar quem sofreu a violência tem que pensar que essa pessoa (agressor) vai continuar sendo violenta com outras”, alerta.

Depois de finalizado o retrato falado é transformado numa imagem ampliada enviada para o delegado que preside a investigação do Inquérito Policial. A autoridade fica responsável por encaminhar essa montagem para a rede de contatos da Polícia Civil em Santa Catarina. “O retrato falado é uma ferramenta, não vai colocar o cara na cadeia, mas vai auxiliar incluindo determinadas pessoas com aquelas características e excluindo outras. Ele é um funil”, analisa Suzana.

No dia 7 de outubro ela ajudou uma vítima de assalto e estupro a montar um retrato falado que mantém um homem, que furtou uma bolsa dois dias depois na Catedral São Francisco Xavier, no Centro, a permanecer detido no Presídio Regional de Joinville. Levado à Central de Polícia depois do furto o preso foi reconhecido. “Quando o policial bateu o olho no cara ele disse: esse é o cara do retrato falado e entrou em contato com a delegada Marilisa (Boehm), que entrou em contato com a vítima, que fez o reconhecimento”, relembra.

 

Semelhança surpreende

 

Dos cerca de 35 retratos falados produzidos desde que recebeu treinamento da papiloscopista Simone Macedo Ramos, em 2010, a papiloscopista Suzana Preisler conta que 12 foram feitos no ano passado. “Cinco de todos que já fiz eu sei que positivaram (tiveram os criminosos encontrados). O restante não tive retorno dos delegados”, informa. Dos cinco reconhecidos Suzana destaca os dois primeiros retratos feitos na carreira. “Foram de uma quadrilha que estava assaltando residências aqui em Joinville e era bem violenta. Eu fiz ali na DIC (Divisão de Investigação Criminal) e os PMs chegaram e disseram: nossa, vocês já estão com as fotos dos caras?”, conta reforçando a semelhança das imagens do retrato falado com os agressores.

 

O que faz um papiloscopista

 

Hoje, há 42 papiloscopistas no IGP (Instituto Geral de Perícias) de Santa Catarina. Eles são responsáveis pelos retratados falados e pela identificação de criminosos por meio das impressões digitais e de elementos encontrados nas cenas dos crimes. “O papiloscopista faz o levantamento papiloscópico no local, coisas que os autores tocaram para tentar coletar as impressões digitais, mas nem sempre somos chamados”, explica Suzana Preisler. Preservar os locais onde ocorrem os crimes, segundo ela, não é um hábito da população.  “Já me aconteceu de chegar no local e terem limpado tudo. Perguntei: os assaltantes nem ficaram no local? Me responderam que ficaram cerca de duas horas. Daí perguntei: mas eles não mexeram em nada? E disseram: nós arrumamos”, lamenta. Outras atribuições da função são: fazer a identificação do preso que não está portando documento de identificação e de cadáveres sem identidade e realizar o levantamento papiloscópico dos materiais trazidos pelos peritos da Polícia Civil.

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