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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Presos da unidade prisional de São Francisco do Sul trabalham para reduzir a pena

Detentos embalam saboneteiras e copos para crianças. Cada três dias trabalhados correspondem à redução de um dia na pena

Aline Machado Parodi
Joinville
Rogério Souza Jr.

A cada três dias trabalhados, um dia a menos na pena


Um projeto está mudando a rotina dos detentos da UPA (Unidade Prisional Avançada) de São Francisco Sul. Ao invés de ficarem 22 horas ociosos nas celas, os 108 presos passam o dia trabalhando.  Eles embalam saboneteiras e copos para crianças para uma empresa de Blumenau. A iniciativa foi trazida para São Francisco do Sul pelo diretor da unidade, Sandro Orival Maciel, que já realizava um trabalho semelhante no Presídio de Blumenau.

Os presos recebem R$ 20,00 a cada mil peças embaladas e cada três dias trabalhados, representa um dia a menos na pena. “É uma forma de reabilitação dos presos. Assim eles também têm uma ocupação durante o dia. Ganham dinheiro para ajudar suas famílias e tem redução da pena”, comentou o diretor. Em Blumenau a ideia deu tão certo que a empresa RDC Plástico já contratou 90 ex-presidiários.

O trabalho é realizado de duas formas. Quatro presos ganharam o privilégio de trabalharem em um galpão ao lado da UPA. Os demais trabalham dentro das celas. “Esse é um projeto piloto aqui. A minha intenção é ampliar para 20 o número de detentos que possam trabalhar no galpão”, explicou Maciel. Mas esse é um processo demorado, pois depende de autorização da Justiça. “O Judiciário tem que aprovar o benefício para esses presos, que tem bom comportamento. Também preciso aumentar o efetivo de agentes prisionais para garantir a segurança”, disse.  A intenção de Maciel é contratar mais 12 agentes no próximo ano.

Marcelo Veiga, 33, passa mais de seis horas etiquetando e embalando saboneteiras. Ele é um dos presos que ganharam o beneficio de trabalhar no galpão. Condenado a quatro anos e dois meses de prisão por tráfico de drogas, ele comentar que o trabalho é uma ocupação para a mente. “Assim o tempo passa mais rápido e a pena fica menor”, disse. Ele está na unidade desde setembro, mas já cumpria dois anos e quatro meses no Presídio de Joinville.

Gaúcho de Santa Rosa, Veiga morava sozinho em São Francisco do Sul, por isso o dinheiro que ganha ele utiliza para compra de produtos de higiene e guarda para recomeçar a vida fora das grades. Assim que sair da prisão ele pretende voltar a trabalhar na Enseada, onde vendia bebidas na praia.

O promotor de eventos Jorge de Mira Júnior, 60, está contando os meses para deixar a UPA. Ele está preso há um ano e nove meses, também por tráfico de drogas, e deve ganhar a liberdade em quatro meses. Para Júnior todos os presídios deveriam oferecer oportunidade de trabalho aos presos. “É difícil o lugar que tem esse tipo de trabalho. E é muito bom para não ficarmos só trancados na cela”, afirmou Júnior.

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