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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Prefeitura avalia medidas para amenizar congestionamentos no início da zona Sul de Joinville

Na região da rua Florianópolis, no bairro Bucarein, projeto inclui mudança no sentido de ruas, implantação de binário e construção de ponte

Windson Prado
Joinville

Transitar pelas ruas do início da zona Sul de Joinville é uma tarefa complexa que requer coragem, paciência e muita atenção, tanto para pedestres como para quem se desloca de bicicleta, moto, carro ou transporte coletivo. A região é afetada pela conjugação do grande fluxo de veículos, ruas estreitas e de mão dupla em sua maioria, poucas ciclovias, calçadas sem acessibilidade, poucos corredores exclusivos para o transporte público e fluxo intenso dos trens de cargas. Em certos trechos, como na rua Florianópolis, filas intermináveis não são mais uma exclusividade dos horários de pico e se formam praticamente o dia todo.

 

Carlos Junior/ND
Congestionamentos acontecem no trecho inicial da rua Florianópolis em vários períodos do dia

 

Nesta quarta-feira, a inauguração de um hipermercado no bairro Bucarein acrescentou um fator extra para o agravamento do trânsito entre os bairros Itaum, Guanabara, Floresta e Anita Garibaldi. Congestionamentos foram intensos durante todo o dia. Um dos pontos mais críticos foi no acesso da avenida Procópio Gomes com a rua Florianópolis. A fila no sentido centro-bairro já começava no cruzamento da avenida com a rua Inácio Bastos. O trajeto de carro ou de ônibus entre a Inácio e a Guanabara chegou a demorar 40 minutos.

Segundo moradores locais, o problema com o trânsito na região dos três bairros é histórico. A professora Maria Sueli da Silva, 54 anos, mora há 16 anos na rua Florianópolis e já foi vítima da imprudência de motoristas e da falta de mobilidade. “Há quase oito anos eu saí de casa e tentava cruzar a rua, na faixa de pedestre, quando fui atropelada por um motoqueiro. Fui parar no hospital. A gente já viu muitas pessoas se machucarem e até morrer aqui. O trânsito é intenso e quando não é o congestionamento é o excesso de velocidade que causa transtornos”, comenta a moradora. Ela sugere a instalação de um binário na rua Florianópolis e mais faixas de pedestres com semáforos para orientar a travessia.

 

Fabrício Porto/ND
“Quando não é o congestionamento é o excesso de velocidade que causa transtorno”, diz Maria Sueli da Silva, moradora da rua Florianópolis

 

Mudança no sentido de ruas

Dados da Fundação Ippuj (Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville), apontam que, só na rua Florianópolis, por exemplo, circula uma média de 20 mil veículos diariamente. A Prefeitura garante que tenta minimizar os problemas do grande fluxo de veículos naquela região. No curto prazo, uma mudança no sentido de quatro vias que cortam a rua Florianópolis deve servir como paliativo para desafogar o trânsito.

O diretor-presidente do Ippuj, Vladimir Constante, explica que o congestionamento na rua Florianópolis, no sentido Centro-bairro se dá devido a quatro semáforos entre as ruas Emílio Stock e Graciosa. “Existem quatro ruas que cortam a Florianópolis entre o final da avenida Procópio Gomes e a rua Emilio Stock, que são de mão dupla. Com isso, os semáforos acabam funcionado em sistema de três estágios, o que ocasiona uma retenção por um tempo significativo do fluxo de veículos na rua Florianópolis. Estamos estudando algumas mudanças no sentido destas vias, e isso deve dar mais fluidez ao trânsito”, comenta.

O projeto do Ippuj prevê que a rua Graciosa, que hoje tem pontos em que o trânsito segue em mão dupla e única, seja transformada toda em mão única, partindo do Parque da Cidade até a rua Monsenhor Gercino. Mesma medida seria adotada para a rua Valença, que seguiria em direção única da rua Guanabara até a rua Arlindo Pereira de Macedo. Para fazer o contrafluxo, as ruas Guanabara e Emílio Stock seguem em mão única no outro sentido.

“Esta proposta está sendo discutida com a associação dos moradores daquela região. Nossa conversa está avançada e a sugestão na mudança das vias tem repercutido de forma positiva. Se tudo der certo, os sentidos das vias podem ser alterados ainda neste semestre”, anuncia o presidente do Ippuj.

 

Assegurados recursos para binário

Uma alteração mais complexa no trânsito entre os bairros Bucarein, Itaum e Guanabara deve acontece em 2017, quando a prefeitura pretende implantar um binário entre as ruas Florianópolis e Monsenhor Gercino. A primeira faria o trajeto exclusivo no sentido bairro – centro, enquanto a Monsenhor faria o acesso no sentido ao bairro. O binário começaria no final da avenida Procópio Gomes e no início da rua Monsenhor Gercino e seguiria até a rua Arlindo Pereira de Machado, em frente ao Cedup (Centro de Educação Profissional Dario Geraldo Salles).

O recurso para implantação do binário está assegurado e faz parte do Programa PAC 2 da Mobilidade do Governo Federal, que destinou R$ 105 milhões para obras de mobilidade em Joinville. “Este projeto está em fase de desapropriações de alguns terrenos, pelos quais serão feitas as ligações entre as ruas Monsenhor Gercino e Florianópolis, na lateral do Hiper Condor. As obras devem começar no próximo ano”, acredita o diretor-presidente do Ippuj, Vladimir Constante.

Outra proposta que está no Plano Diretor de Joinville é o alargamento da rua Florianópolis. Constante afirma que este projeto continua no Plano Diretor, mas sem data para ser colocado em prática por conta da complexidade e quantidade de desapropriações que precisariam ser custeadas pelo Executivo.

 

Pontes

Ainda a respeito da mobilidade no trânsito da zona Sul, há os projetos de quatro pontes que já deveriam estar prestes a serem inauguradas, mas sequer saíram do papel. Três devem ter as obras iniciadas neste ano. Uma das que está em estágio mais avançado é a que vai ligar o Bucarein ao Guanabara, entre as ruas Coronel Francisco Gomes e Nacar, passando por trás da Arena Joinville. Segundo o diretor-presidente do Ippuj, Vladimir Constante, o projeto de construção da ponte está sendo finalizado para ser encaminhado para a aprovação do SPU (Serviço de Patrimônio da União).

Outra ponte no Guanabara será a que vai ligar a rua Anêmonas com a rua Esteves Junior, passando por trás do terminal do transporte coletivo do bairro. Esta também está na fase de encaminhamento da documentação para aprovação da obra pelo SPU. Já a ponte que ligará o bairro Bucarein ao Boa Vista, unindo as ruas Morro do Ouro e Aubé está em fase de atualização de orçamento para então ser licitada.

Por fim, a ponte entre os bairro Adhemar Garcia e Boa Vista, importante obra para descongestionar a malha viária da zona Sul, ainda precisa de recursos para sair do papel. O diretor-presidente do Ippuj afirma que alguns estudos ambientais e projetos arquitetônicos já foram realizados. Duas licitações para a produção dos projetos executivo e ambiental da ponte já foram feitas e as empresas ganhadoras aguardam a liberação de recursos de aproximadamente R$ 3 milhões, do poder público, para dar início aos projetos. Depois disso, a Prefeitura ainda precisará buscar formas de conseguir os recursos para a construção da ponte. O custo da obra está estimado em R$ 60 milhões.

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