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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Polícias civis de Santa Catarina e do Paraná investigam morte de mulher de Barra do Sul

Micheline de Oliveira Cordeiro foi encontrada morta em Guaratuba com requintes de crueldade

Mariana Pereira
Joinville

Policiais civis de Santa Catarina e do Paraná trabalham na investigação de um crime bárbaro, que chocou especialmente a comunidade de Balneário Barra do Sul. O corpo da dona de casa Micheline de Oliveira Cordeiro, de 35 anos, que estava desaparecida desde o dia 8 de junho, foi encontrado no dia 20 de junho, em um local de difícil acesso perto de uma pedreira abandonada em Guaratuba (PR), com a cabeça esfacelada e sem uma das mãos.

A confirmação de que o corpo era o de Micheline veio só nesta sexta-feira (27), quando a família, por meio do ND, denunciou o desaparecimento e conseguiu identificar a vítima pelas tatuagens, isso porque o rosto estava desfigurado por golpes de barra de ferro e a suspeita é de que o corpo tenha sido atacado por jacarés, já que foi encontrado por pescadores perto de um rio. A família dela apurou que perto do corpo, rio abaixo, foi encontrada uma mala com roupas masculinas e pedras. "Acreditamos que tenham amarrado o corpo dela na mala com as pedras, na tentativa de que afundasse e nunca fosse descoberto, mas ele voltou à margem e felizmente pudemos identificá-la e dar um enterro digno, pois mais uns dias e ela seria enterrada como indigente", disse um familiar, logo depois do sepultamento, na manhã de sábado.

Agora, policiais dos dois Estados tentam desvendar o desaparecimento e as causas do assassinato de Micheline. Inclusive, os telefones celulares da mãe dela, Olinda Hoff de Oliveira, já foram entregues à perícia, que deve rastrear a origem dos contatos telefônicos para tentar determinar os locais por onde Micheline passou antes de ser morta. Isso porque, segundo a mãe registrou no Boletim de Ocorrência no dia 23, em que comunicou o desaparecimento, dias depois que Micheline saiu de casa ela recebeu mensagens, uma em que ela dizia que estava na estrada voltando para casa e outra, dias depois, dizendo que estaria em Foz do Iguaçu (PR) e que depois retornaria, o que não ocorreu.
Quando estas mensagens foram enviadas, o marido dela, Cleverson Cordeiro, com quem ela estava vivendo uma relação conturbada e em processo de divórcio, acredita que já estivesse morta. "Ela foi morta com a mesma roupa com que saiu de casa, segundo confirmou minha sogra, e a Micheline era vaidosa, levou todos os seus pertences e não ficaria tantos dias com a mesma roupa", disse Cleverson.
Ainda não foram encontrados os pertences de Micheline e de sua filha. Ela levou todas as coisas da menina, e só não levou a pequena junto porque a mãe não permitiu. Quando saiu de casa, Micheline, que havia brigado com o marido dois dias antes (ele ficou preso por causa desta briga dos dias 6 a 18), a dona de casa disse que queria uma vida nova e queria ser feliz. Já havia confidenciado a uma amiga três dias antes que o processo de divórcio era irreversível e estava com um namorado.

 

Arquivo Pessoal/ND
Polícia ainda investiga quem poderia ter matado Micheline de Oliveira Cordeiro


De acordo com o delegado de Araquari, Rodrigo Gomes Aquino, responsável também pela Delegacia de Barra do Sul, apesar do homicídio possivelmente ter ocorrido no Paraná, a polícia de Santa Catarina vai continuar as investigações para ajudar a elucidar o caso. Segundo ele, com todo o histórico de violência doméstica envolvendo Micheline e o marido, não é descartada nem mesmo a hipótese de que ele tenha participação no crime. Apesar de ter sido preso após uma briga com Micheline, pouco tempo antes do desaparecimento dela, a polícia acredita que ele possa ter sido o mandante.

Um dos suspeitos vendeu carro da

vítima e tentou vender até uma casa dela

Já as suspeitas da família de Micheline recaem sobre o homem com quem ela teria dito que queria construir uma nova vida, quando saiu de casa naquele domingo (8), que atenderia pelo nome de Gabriel Rodrigues de Oliveira, e também está sendo investigado pela polícia.
Gabriel chegou a morar por seis meses em uma casa do casal e saiu sem pagar aluguel. Mas foi ele quem vendeu o carro de Micheline, que ainda estava em nome do antigo dono, Humberto, um amigo do marido dela, para um homem conhecido como Dudu.

O comprador, que prefere não ter seu nome completo divulgado, com medo de represálias, já esteve em uma delegacia de Joinville para prestar esclarecimentos sobre o crime. Ele informou que trabalha com compra e venda de veículos, e teria adquirido o carro por R$ 13 mil, à vista. "Ao contrário do que disseram, não foi por metade do preço. Porque o carro valia R$ 22 mil pela tabela FIP, porém, precisava de reparos que custariam em torno de R$ 4 mil", explica. Ele diz que como Gabriel disse a ele que Micheline queria vender seus bens antes do divórcio, procurou o dono do carro, pelo nome que constava no documento do veículo e começou, e que quando revelou isso a Gabriel, ele misteriosamente passou a não mais atender as ligações telefônicas.

Outro fato curioso diz respeito ao relato de diversas pessoas, de que Gabriel teria tentado negociar a venda de outros imóveis de Micheline, inclusive a casa da rua São Paulo onde ele morou e não pagou aluguel. Além disso, Gabriel também teria tentado vender a Dudu e a empresários de Barra do Sul um restaurante em Guaratuba, justamente na cidade onde Micheline foi encontrada morta.
De acordo com o delegado de Barra do Sul, todas estas versões estão sendo apuradas, mas os detalhes não serão revelados para não comprometer as investigações do caso, que, segundo ele, corre em segredo de Justiça.

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