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Quinta-Feira, 22 de Novembro de 2018
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Pesquisa avalia conhecimento e uso de drogas entre estudantes de Joinville

Trabalho feito pelo Rotary Club Joinville Colon ouviu 8.829 alunos da rede municipal de ensino

Suelen Soares da Silva, Windson Prado
Joinville
Fabrício Porto/ND
Ações contra as drogas: a orientadora educacional, Marisa Fanton (direita) e a professora Joseli Daisy Pollesi trabalham na Escola Municipal Prefeito Baltasar Buschle, no bairro Parque Guarani

 

Uma pesquisa sobre drogas feita pelo Rotary Club Joinville Colon ouviu 8.829 alunos da rede municipal de ensino e fez um levantamento sobre o conhecimento e o uso de drogas entre estudantes com idades de dez a 15 anos matriculados do 5º ano de Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio.

De acordo com a pesquisa, quando questionados sobre uso de drogas legais ou ilegais, 79% dos estudantes afirmaram ter feito uso de álcool, 31% de cigarro e 29% de maconha. Um dado preocupante segundo Freitas, é que 42% dos jovens entrevistados já viram alguém usando drogas ilícitas, destes 36% viram antes dos 12 anos. “Isso assusta, porque são até os doze anos, considera-se que sejam crianças e outra preocupação, é que eles afirmam que não se conversa sobre o assunto em casa”, destaca.

A mesma pesquisa foi executada no ano passado em escolas particulares da cidade e, segundo Freitas, o que os motiva é a possibilidade de gerar o debate sobre a prevenção das drogas dentro do âmbito escolar.

Segundo o membro do Rotary Roberto Freitas, esta é a primeira pesquisa rotária e a única abrangendo tantos estudantes em uma mesma cidade no país. “Esta é a maior pesquisa, pois alcançamos 20% dos estudantes da rede municipal. E através desse trabalho, podemos ter um retrato bem preciso de como estes jovens percebem a droga”, explica.

Os dados deste levantamento feito em parceria com a Seprot (Secretaria de Proteção Civil e Segurança Pública) foram repassados para as secretarias de Educação estadual e municipal, na tarde desta quarta-feira (9), em uma reunião no gabinete do prefeito e deverá servir como material de apoio, nas ações de enfrentamento e combate as drogas nas redes de ensino.

O prefeito Udo Döhler, citou os recentes homicídios ocorridos na cidade e segundo ele, uma das formas de combater o tráfico de drogas, é sensibilizar as crianças e jovens num trabalho em conjunto com a comunidade. “Isso nos dá a oportunidade de usar a pesquisa e fazer mais por meio de multiplicadores do poder público e da comunidade em forma de palestras em escolas, entidades de bairro, esportivas, igreja”, ressalta.

Bom exemplo

 A Escola Municipal Prefeito Baltasar Buschle, no bairro Parque Guarani, na zona Sul de Joinville, é um exemplo de como juntos uma unidade educacional, família e poder público podem agir no enfrentamento às drogas. Com cerca de 650 alunos do ensino fundamental, a instituição promove durante todo o ano ações efetivas de combate às drogas e valorização do ser humano.

De acordo com a orientadora educacional Marisa Fanton, são desenvolvidos projetos com os alunos e a família, que incluem palestras e seminários ligados à segurança e à saúde.  “A gente desenvolve projetos importantes como o Aprendendo a Ser e Conviver e o Jovens de Atitude. Eles consistem em palestras, seminários, aulas especiais, visitas de profissionais ligados à segurança e saúde que levam informações claras aos alunos, não só a questão drogas ilícitas, mas das lícitas também”, destaca.

Segundo a orientadora, neste ano, não houve registro de que alunos estivessem usando drogas dentro da instituição, mas eles tinham o conhecimento de que alguns estudantes faziam o uso, sobretudo de maconha e álcool, nos arredores. “O primeiro passo foi identificar o problema. O segundo foi traçar ações para fazer o combate a estas práticas com informação educação e integração entre a escola, aluno, professores e família. Hoje, podemos dividir nosso colégio em dois momentos e é muito visível o comportamento dos alunos antes e depois de nossas ações afirmativas. Agora, eles estão mais conscientes, responsáveis e unidos e atuam como multiplicadores das ações contra às drogas”, completa.

“Nossas ações sempre são interdisciplinares. Às vezes, dependendo da idade e do perfil de uma turma, não trabalhamos a questão da droga propriamente dita, mas sim valores e sentimentos, fortalecendo a autoestima do aluno, despertando a cidadania e o respeito e valorização à vida. Estes temas que contribuem para afastar os estudantes das coisas que não lhe farão bem”, acrescenta a professora de ensino religioso da instituição, Joseli Daisy Pollesi, 43.

Mutiplicadores

Os adolescentes Analice Muller, 13, e Guilherme Henrique Orlando, 15, estudam na Escola Baltazar Buschle e desde o começo do ano participam de atividades da escola. Atualmente eles se tornaram multiplicadores e ajudam no combate às drogas. “Após as palestras e aulas especiais que tivemos, resolvemos montar uma peça de teatro falando a respeito do perigo das drogas, da gravidez na adolescência e da importância do apoio familiar ao jovem. O espetáculo tem dois finais muito diferentes em um dos casos tudo acaba bem, quando a família e escola estão presentes no outro, quando existe ausência da família o final é mais trágico”, comenta Analice, que na encenação dá vida a mãe de uma adolescente que engravida aos 14 anos.

Guilherme acrescenta: “com aulas diferentes, palestras e teatro conseguimos falar dos problemas das drogas de uma forma mais natural e descontraída. Assim, recebemos e transmitimos as informações de como a droga faz mal. Tem dado certo. Este ano consegui ajudar um amigo que usava maconha a largar o vício. Foi uma vitória para todos nós”, finaliza.

Programa de resistência ás drogas

O Proerd (Programa Educacional de Resistência às drogas) foi citado pelos estudantes na pesquisa do Rotary, como um dos melhores meios no combate as drogas. E nesta quinta-feira, 4.500 estudantes participaram as capacitações e os alunos e seus familiares se reúnem no Centreventos Cau Hansen, em Joinville para a tradicional cerimônia de formatura do projeto.

Tanto na Escola Municipal Prefeito Baltazar Buschle quanto nas outras instituições públicas ou privadas com turmas de quinto ano contam com uma importante ferramenta na conscientização dos alunos neste sentido. “Preparamos apresentações da Banda da Polícia Militar de Florianópolis e do grupo Maniacs Crew. Também teremos a presença do Papai Noel e do Leão Dare, mascote do projeto. Outra novidade será o sorteio de 13 tablets, que foram comprados com recursos repassados do Poder Judiciário”, anuncia o cabo Rolf Wolfgang Hendl, um dos coordenadores do programa.

Em Guaramirim, a formatura também ocorre nesta quinta-feira, às 19h30, no Ginásio de Esportes Rodolfo Jahn (rua João Butschardt, s/n).

Alguns números da pesquisa 

Alunos – 8.829

Pais – 454

82,55% dos alunos são da faixa de 10 a 15 anos

A maioria (91%) indicam maconha, cocaína e crack como drogas

79% já usaram álcool

31% já usaram cigarro

29% já usaram maconha

15% já usaram LSD

75,43% pensam que poderiam conversar mais sobre drogas em casa

71,96% disseram que na família ninguém usa drogas ilegais

20,04% têm parentes distantes que usam drogas ilegais (como primos e tios)

5,71% têm parentes próximos que usam drogas ilegais (como irmãos e pais)

2,29% têm parentes que usam drogas ilegais

36,62% viram drogas ilegais até os 12 anos

18,93% comprariam drogas com amigos

23,25% comprariam drogas no bairro

8,24% comprariam drogas na escola

7,37% comprariam drogas em redes sociais

2,5% comprariam drogas de parentes

56,68% dizem que o culpado pelo uso de drogas é a própria pessoa

32,26% dizem que o culpado pelo uso de drogas é a amizade

0,64% dizem que o culpado pelo uso de drogas é a escola

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