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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Pesca recorde anima organizadores da Festa da Tainha de Balneário Barra do Sul

Cerca de 70 toneladas já foram pescadas desde maio na região

Windson Prado
Joinville

O clima colaborou e elas vieram. Chegaram em grandes cardumes para a alegria dos pescadores artesanais que tiveram uma safra recorde neste ano. Os números ainda não estão contabilizados, mas de acordo com a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) de Balneário Barra do Sul, cerca de 70 toneladas de tainha já foram tiradas do mar desde que a época do pescado começou, no fim de maio.

 

Fabrício Porto/ND
“Tivemos uma safra maravilhosa”, diz Lucimar Silva de Oliveira

 

Parte da produção já foi vendida às peixarias da região, mas muitas tainhas foram reservadas para um evento muito esperado no Balneário: a tradicional Festa da Tainha, que neste ano ocorre de 6 a 11 de julho. Nesta semana, pescadores e comerciantes iniciaram os preparativos do prato principal da culinária barrasulense.

Lucimar Silva de Oliveira, 61 anos, é uma delas. Há 21 anos, a mulher que sobrevive da pesca com o marido, aproveita a Festa da Tainha para reforçar o orçamento doméstico. Os freezers da casa dela e dos amigos ficam abarrotados de tainha nesta época do ano. Algumas já foram temperadas e recheadas, estão prontas para serem assadas e servidas aos participantes do evento. “Tivemos uma safra maravilhosa, não recordo de termos visto isso há muitos anos. Os peixes estão graúdos, bonitos e bem saborosos. Quem vier à Festa da Tainha poderá se deliciar com vários pratos à base do peixe”, comenta Lucimar.

Todos os anos a pescadora vende aproximadamente 500 tainhas, na festa. “Tem tainha frita, assada servida com arroz e pirão. Também oferecemos porções de camarão e frutos do mar em geral. Nos cinco dias da festa, o trabalho é intenso. A gente não tem tempo para nada, não dá nem para dormir mais do que duas ou três horas. Por isso, é preciso deixar tudo preparado, para atender bem aos clientes e garantir um prato gostoso e recuperar os investimentos da festa”, explica a pescadora.

 

Custos elevados

Os valores que cada pescador ou comerciante investe para participar da Festa da Tainha são consideráveis. Segundo Lucimar, em média, uma tainha de dois quilos com ova, recheada e servida com acompanhamentos, custa entre R$ 80 a R$ 90, prato que segundo a pescadora alimenta bem até quatro pessoas. “O preço pode parecer alto, mas nossos custos também são bem elevados. Só o espaço para participar da festa custa R$3.500. Aí tem o preparo, a locação ou aquisição de fornos, geladeiras, freezers, sem falar nos custos da pesca. A malha, a rede que é colocada no mar é muito cara. É preciso várias idas ao mar, para encontrar um cardume, o que deixa a produção bastante cara”, explica a pescadora que investiu R$ 15 mil para participar da festa.

Ela garante que vale a pena participar da Festa da Tainha. “A festa é uma tradição. A gente fica aguardando o ano todo pelos lances de tainha, e se prepara para fazer uma festa que agrade e conquiste nosso turista. Eu já tenho meus clientes que a cada edição da festa vem me visitar, só para comer a tainha que é preparada por mim. Este carinho é muito bom e preservar esta tradição é o que nos motiva”, finaliza.

 

O ritual da pesca da tainha

“É quase um ritual, daqueles que deixam a gente emocionada e faz os olhos brilharem ao ver cena tão bonita. A pesca da tainha, ver elas pulando em meio a rede é a melhor, é a mais fascinante e divertida experiência para o pescador”. É assim que Moizés de Souza, 61 define o sentimento que vive a cada vez que vai ao mar em busca das tainhas. Ele pesca desde os cinco anos em Balneário Barra do Sul e aprendeu o ofício com o pai.

 

Fabrício Porto/ND
É quase um ritual, daqueles que deixam a gente emocionada”, garante Moizés de Souza

 

Desde então ele pesca de tudo, mas é na safra da tainha que ele mais gosta de sair para o mar. “Ver aquele cardume borbulhando, deixando a água mais escura, conseguir passar a rede no entorno dos peixes e começar a ver eles saltarem é inexplicável”, reforça. “Mas a pesca da tainha não é barata. Exige um investimento muito grande por parte do pescador”, salienta o profissional.

Entre os custos citado por Moizés como a montagem da equipe e preparo da equipe que vai sair ao mar, adquirir e manter o barco de pesca, o gasto com o óleo diesel das embarcações, é a aquisição de equipamentos necessários à pesca da tainha que mais pesa no bolso do pescador. “Para a tainha é necessário ter uma rede especial, tem que ser comprida e grande o bastante para encostar no fundo. A malha desta rede é cara. Para se ter uma ideia uma rede de 500m pode chegar de R$10 mil a R$15 mil. E esta mesma rede só pode ser usada para pegar tainha, só entre o fim de maio e julho”, explica.

 

Problema na pesca industrial favoreceu produção artesanal

A boa safra da tainha no Norte Catarinense, pode ter sido o resultado de alguns impasses com a pesca industrial que no Estado começou mais tarde este ano, segundo os pescadores. “Quando as tainhas saem do Rio Grande do Sul muitas, a grande parte, acaba capturada pela pesca Industrial. Neste ano, a pesca industrial começou um pouco mais tarde, e muitas embarcações não conseguiram licenças para explorar a atividade. Este é um dos fatores que explicam para a safra recorde”, explica o técnico da Epagri de Barra do Sul, José Eduardo Calcinoni.

Só na região Norte, a Epagri estima que mais de 100 toneladas de tainha foram capturadas. Uma das melhores safras do Estado, segundo a Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina, aconteceu em 2007 quando foram capturadas 2.138 toneladas. Neste ano, a federação calcula que pelo menos 2.480 toneladas do pescado foram tiradas do mar.

Festa da Tainha terceirizada

A novidade da 24ª Festa da Tainha, realizada em Balneário Barra do Sul, de 6 a 11 de julho, é que esta edição do evento mais tradicional da cidade foi terceirizada. O prefeito Ademar Borges (PMDB) justifica a crise financeira como o principal motivo da mudança. “Todos os anos a Festa da Tainha era feita e paga pelo município. No ano passado o evento custou R$ 500 mil entre locação da estrutura em geral e os shows. Neste ano investimos R$ 100 mil e decidimos licitar a festa. Uma empresa de Curitiba, especializada em eventos, ganhou a concorrência, e para nossa felicidade decidiu manter todas as características da festa”, explica Borges.

O prefeito comenta que a empresa fica com os valores arrecadados com a venda de ingressos dos shows e locação dos espaços da praça de alimentação e outros estandes. “A festa continua tendo entrada gratuita, com shows regionais no palco alternativo. As atrações nacionais se apresentam em uma arena que terá ingressos a preços populares, como já acontecia em outros anos. Estamos preparando uma festa linda para os barrasulenses e turistas de toda região. Venha para visitar a nossa cidade, aproveitar nossas delicias gastronômicas e as atrações da melhor festa da Tainha”, convida o prefeito Ademar Borges.

 

Confira a programação da 24º Festa da Tainha

Dia 6 de julho | quarta-feira
17h - abertura dos estandes
18h - abertura da praça de alimentação
19h - abertura da festa (palco principal) - livre
20h - eleição da rainha (palco principal) - livre 
22h30 - show com Portal Gaúcho (palco principal) - livre 

Dia 7 | quinta-feira
10h - abertura dos estandes
10h30 - abertura Espaço Cultura
11h - abertura da Praça de Alimentação
18h - aula de Zumba Fitness (palco alternativo)
19h - Festival Gospel com Irmãos Viana (palco principal) - livre
20h - Irmãos Galvão (palco alternativo) 
21h30 Vitor e Vanessa (palco alternativo) livre
0h - baile com Junio e Julio (palco principal) livre

Dia 8 | sexta-feira
10h - abertura dos stands
11h - abertura da Praça de Alimentação
12h - Acústico Chipas (rádio festa)
16h30 - apresentação cultural de danças urbanas (palco alternativo)
19h - apresentação cultural de alunos da Apae (palco alternativo)
20h - banda Mariskal (palco alternativo)
22h - DJ Bruno (palco alternativo)
22h30 - Show Nacional com Igor Ferraz (palco principal) - bilheteria
1h30 - DJ Bruno (palco alternativo)

Dia 9 | sábado
10h - abertura dos stands
11h - abertura da Praça de Alimentação
12h - acústico alemão (rádio festa)
15h- apresentação grupo Paulo Cezar Ramos (palco alternativo)
16h - apresentação de dança (palco alternativo)
17h - apresentação da aldeia indígena  (palco alternativo)
17h30 - Imujor - Instituto de música de Joinville e região (palco alternativo)
18h30 - Apresentação Grupo Paulo Cezar Ramos
19h - Coral Municipal Cante e Encante  (palco alternativo)
20h - Premiação da Safra da Tainha  (palco alternativo)
20h30 - Cloriformitos  (palco alternativo)
22h30 - Matheus e Ariel  (palco alternativo)
23h - Gabriel Fernando  (palco principal) bilheteria
0h30 - Gabriel Valim (palco principal) bilheteria
2h - Ruan Suíço  (palco alternativo)

Dia 10 - domingo
10h - abertura dos stands e da Praça de Alimentação
11h - apresentação cultural (palco alternativo)
12h - Acústico Chipas (rádio festa)
14h30 - apresentação cultural (palco alternativo)
15h - apresentação grupo Paulo Cezar Ramos (palco alternativo)
16h - danças urbanas (palco alternativo)
17h - Banda Etc e Tal (palco alternativo)
18h30 - Banda Remanescentes (palco alternativo)
20h - Franco (palco alternativo)
21h30 - Show com João Neto & Frederico (palco principal) bilheteria

Dia 11 - segunda-feira
10h - abertura dos stands e da Praça de Alimentação
14h30 - baile da 3ª idade com Banda Contato Musical (palco principal)
17h - Juliano e seus teclados (palco principal) livre
20h - baile com Banda San Francisco  (palco principal) livre

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