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Pedestres e ciclistas arriscam a vida ao atravessar três faixas no Centro de Florianópolis

Clubes de remo apoiam campanha por meio de um abaixo-assinado virtual, que circula pelas redes sociais, para a construção de uma passarela entre o Parque Náutico Walter Lang e a Rodoviária Rita Maria

Michael Gonçalves
Florianópolis
15/08/2018 às 11H19

Para atravessar as seis pistas da rua Antônio Pereira de Oliveira Neto, entre o Parque Náutico Walter Lang e o Terminal Rodoviário Rita Maria, no Centro de Florianópolis, o tatuador André Quint, 27 anos, arrisca a vida todos os dias. Sobre a bicicleta, o morador de Coqueiros chega à Ilha de Santa Catarina pela ponte Pedro Ivo Campos e aguarda até cinco minutos para conseguir passar entre os veículos, que normalmente estão a 80 km/h. Com mais de 200 praticantes, os três clubes de remo apoiaram uma campanha por meio de um abaixo-assinado virtual, que circula pelas redes sociais, para a construção de uma passarela para pedestres. Enquanto isso não acontece, uma faixa de pedestres já traria mais segurança.

Passarela para pedestres Rita Maria - Daniel Queiroz
Passarela para pedestres Rita Maria - Daniel Queiroz

Além de atravessar as pistas, as pessoas ainda têm de passar pelos guard-rails para chegar à calçada em segurança. “Atravessar aqui é uma aventura todos os dias. Chego a ficar de dois a cinco minutos esperando uma brecha para passar entre carros e motos. Uma vez quase fui atropelado por uma moto, porque estamos em uma entrada de curva e os veículos vêm com velocidade acentuada”, conta Quint.

Além das pessoas que se deslocam do Continente para a Ilha e vice-versa, a região tem um grande movimento pelos atletas e alunos dos clubes de remo. O presidente do Clube de Regatas Aldo Luz, Adriano Miranda, 47, informa que dezenas de pais impedem os seus filhos de praticarem a modalidade em função da falta de um acesso seguro.

“Fizemos uma peneira no IEE [Instituto Estadual de Educação] e trouxemos mais de 200 jovens para o clube, mas apenas dez continuaram pela falta de uma passarela ou uma faixa de pedestres. Os pais têm medo de mandar os seus filhos para um local onde arriscarão a vida, pelo menos duas vezes por dia”, diz. “Um dos nossos remadores, com mais de 80 anos, caiu ao passar pela proteção metálica e cortou o queixo. Eu mesmo não consigo atravessar com a minha prótese”, completa Miranda, que teve uma perna amputada em um acidente de trânsito.

O abaixo-assinado criado no dia 3 de agosto tem o objetivo de conseguir 300 assinaturas. Até este terça-feira (14), 263 pessoas já haviam assinado o documento.

 

Como participar do abaixo-assinado

https://secure.avaaz.org/po/petition/Prefeitura_de_Florianopolis_Passarela_de_pedestres_ao_lado_do_Elevado_Rita_Maria/?zmlprnb

 

Faixa de pedestres seria um paliativo

Uma vez por semana, o segurança Eduardo Martins dos Santos, 38 anos, caminha do bairro Agronômica até o bairro Estreito, no Continente, para trabalhar. Durante o trajeto, o local mais arriscado é a travessia da rua Antônio Pereira de Oliveira Neto. Ele teme pelo pior. “Aqui não há espaço para erros. Se tropeçar e cair durante a travessia, provavelmente o pior vai acontecer. É um absurdo não ter pelo menos uma faixa de pedestres, quando a prefeitura diz que incentiva a mobilidade por outros modais”, lamenta.

O diretor do Aldo Luz, Ricardo Mesquita, 55, defende a pintura de uma faixa de pedestres e a colocação de redutores de velocidade. “Alguém precisa tomar uma providência antes que algo mais grave aconteça, pois a preservação da vida vem em primeiro lugar. Se não der para construir a passarela agora, acreditamos que uma faixa de pedestres é viável”, argumenta.

Para ter acesso seguro às pontes e ao parque náutico, pedestres e ciclistas precisam fazer um caminho bem longo: passar pela passarela do CentroSul, na avenida Gustavo Richard, e caminhar pelo aterro da baía Sul até os clubes de remo.    

Prefeitura aguarda reforma das pontes

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Florianópolis informou que aguarda o cronograma das obras de reforma das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo, que serão realizadas pelo governo do Estado. Assim, o município vai avaliar a possibilidade de elaborar projeto de execução de passarela de pedestres. Ainda, segundo a nota, a estrutura precisaria adequar-se ao projeto de implantação do anel viário, que prevê uma faixa de pedestres para o local.

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