Publicidade
Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
Descrição do tempo
  • 31º C
  • 22º C

Viajante que percorre o mundo de bike faz parada em Joinville

Ciclista do Azerbaijão, que chegou ao Brasil em um navio italiano, passará por três Estados brasileiros e outros quatro países da América do Sul

Thaís Moreira de Mira
Joinville

Nascido em Baku, capital do Azerbaijão, e morando há 16 anos em Düsseldorf, na Alemanha, Rustam Tagiew, 31, é o que pode se chamar de um típico cidadão do mundo. No último dia 2 de maio, o analista de sistemas decidiu pegar sua bicicleta e se aventurar pedalando sozinho pela Europa, África e América do Sul, com passagem pelo Brasil.

O roteiro do viajante do mundo inclui Joinville, mas a passagem pela maior cidade catarinense foi rápida. Tagiew chegou ao município na manhã desta segunda e, ontem mesmo, já se preparava para pedalar até Blumenau.

“Rustam vai para Blumenau e de lá até Florianópolis, de onde pedala para o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. O objetivo dele é chegar até Santiago, no Chile, e quem sabe depois ao Peru”, enumera Cristian Luís de Mattos, 39, professor de línguas que hospedou o aventureiro durante sua breve passagem por Joinville. Ele conta que faz parte da comunidade virtual Warm Showers (em português banho, quente), que reúne ciclistas de todo o mundo em busca de casas para se hospedar de graça durante suas viagens.

Mattos lembra que Tagiew enviou mensagens para o grupo e os dois entraram em contato. “É uma forma de economizar. Ele não gastou com nada enquanto esteve em Joinville. Ofereci pouso, refeição”. O professor ainda levou o hóspede para passear pelo Centro, com direito a um passeiio em frente ao prédio que abriga a escola de balé Bolshoi. “Não vi muita coisa, mas é um bom lugar, uma cidade bastante europeia”, comentou Tagiew, sobre Joinville.

Na cidade, o ciclista aproveitou o calor para tomar sorvete. E na escola onde Mattos dá aulas, Tagiew pediu para os alunos lhe ensinarem algumas frases em português. “Levei o Rustam na escola onde dou aula e meus alunos curtiram muito conhecê-lo”, disse o professor. “Ele pediu para que os alunos ensinassem como se fala em português as frases que ele mais usa”.

Tagiew, que fala inglês, alemão e francês repetia: “Quanto custa?”, “Posso armar minha barraca?”, “Tomar banho”. O ciclista não faz planos de retornar para Joinville em breve. Mas, quem sabe, daqui 10 anos.

 

Fabrício Porto/ND
Tagiew com sua magrela equipada. Ciclista fala inglês, francês, alemão e agora está aprendendo português


 


Da África para Paranaguá

Para conseguir chegar ao Brasil, o viajante do mundo precisou pegar carona com um navio italiano que estava de passagem pelo Senegal com destino ao Porto de Paranaguá. “Por causa do vírus ebola, ele não conseguiu embarcar em um navio na África. O governo brasileiro não deixa entrar. A passagem aérea sairia muito caro para ele”, explicou Mattos. Depois de desembarcar em Paranaguá (PR), o ciclista passou por Curitiba e pedalou até Joinville.

Em sua viagem pelo mundo, inclusive, Tagiew adota como medida de segurança colocar faixas na barra da bicicleta para deixá-la com aspecto de velha e, em consequência, menos atraente para os ladrões. Contudo, no país o ciclista não passou por nenhuma grande dificuldade como na Mauritânia, na região do Saara. “É um país muito pobre. Tive problemas para conseguir comida. Bebi leite de camelo, que é gordo e doce”, recordou.

Na Mauritânia, Tagiew também conta que teve dificuldades para lavar a roupa. Lá ainda não existe máquina de lavar. Os percalços do caminho, no entanto, valeram a pena quando o ciclista passou pelas Montanhas Atilas, no Marrocos. O viajante descreve que de um lado da estrada era possível ver o azul do horizonte e do outro o amarelo do deserto, num contraste de encher os olhos.

“Este é o melhor jeito de viajar, de bicicleta”, garante Tagiew. Mattos admite que também tem vontade de montar na magrela e conhecer o mundo, ou parte dele. “Vontade eu tenho, mas falta tempo, tenho a mulher, emprego. Ele só tinha a mãe dele na Alemanha”.

Tagiew não é o primeiro viajante que Mattos hospeda na sua casa. Em 2010, o professor lembra que recebeu um japonês. O hóspede em questão estava viajando há oito anos de bicicleta.

“Também já recebi brasileiros que decidiram viajar de bicicleta, um casal de Santa Cruz do Sul e outro de Foz do Iguaçu”.

 

Quem é o viajante

Rustam Tagiew é um ciclista que saiu da Alemanha pedalando. Chegou ao Brasil via Porto de Paranaguá, depois de passar pelo continente africano. Pretende chegar a Santiago, no Chile, passando pelo Uruguai e Argentina. Talvez, o viajante nascido em Baku, capital do Azerbaijão, estenda as pedaladas pela América do Sul até o Peru, onde fica Machu Picchu – a cidade perdida dos Incas.
 

Na web
Para saber mais sobre a comunidade virtual da qual Mattos e Tagiew fazem parte, acesse o site https://pt.warmshowers.org

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade