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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Onda de violência faz moradores de área rural de Joinville instalarem placas de “aviso”

“Para sua segurança, identifique-se. Sujeito a levar tiros” diz um dos cartazes no bairro Vila Nova

Adrieli Evarini
Joinville

“Devido ao grande número de assaltos e latrocínios não toleramos atitudes suspeitas. Para sua segurança, identifique-se. Sujeito a levar tiros”. As frases ameaçadoras podem ser vistas por quem passa pela zona rural de Joinville. No cruzamento da Estrada Blumenau e Estrada do Salto II uma placa de fundo negro com grandes letras em branco e vermelho chama a atenção de moradores e turistas que visitam a região. A população insatisfeita com a falta de segurança se organizou e espalhou as placas ao longo da estrada. Na entrada das residências, a linguagem, apesar de ser um pouco mais leve, também dá o recado: “Propriedade particular. Entrada proibida. Ao parar identifique-se ou não será bem vindo”.

 

Carlos Junior/ND
Assustados com os números cada vez maiores de furtos e assaltos, os moradores se uniram e, além das placas de “aviso”, se comunicam através de grupos em redes sociais

 

O aviso é claro e, segundo um morador da região que não será identificado por segurança, os resultados desejados estão sendo alcançados. “Faz um mês mais ou menos que as placas foram colocadas e deu uma acalmada”, afirma. “Eles entram na casa, acham que são donos. Os caras não respeitam. Se entrar do portão pra dentro já disse que pode meter bala”, completa.

Assustados com os números cada vez maiores de furtos e assaltos, os moradores se uniram e, além das placas de “aviso”, se comunicam através de grupos em redes sociais. O ápice da violência na região ocorreu no dia 5 de julho, quando o aposentado Oscar Schmucker, de 73 anos, foi encontrado morto, com as mãos e os pés amarrados na cama da própria casa, na Estrada do Salto II. Schmucker havia recebido o dinheiro da aposentadoria poucos dias antes da morte. Hoje, mais de um mês após o crime, a filha do aposentado, que morava próximo à casa do pai, mudou de endereço. “Eles vieram prontos para matar. Ele [Schmucker] deve ter reconhecido eles”, avaliam os moradores.

Com o aviso no portão de casa, um dos moradores que foi criado na região e acompanhou a mudança do local já comprou uma arma há três anos. “Se entrar vai levar mesmo. Se o cara lê o aviso e sabe que tem arma, não vai entrar. Já tem muitas pessoas se armando para se defender”, destaca.

Rotina modificada pela violência

As janelas abertas e as crianças correndo pelo quintal livre de cercas não são mais cenas vistas na zona rural da região oeste de Joinville. Agora, as cercas foram instaladas, as porteiras estão sempre fechadas, os cachorros ficam atentos e as crianças brincam dentro de casa ou sempre acompanhadas dos pais, tios ou avós.

Preocupada com o alto número de roubos e assaltos e depois de ver outro morador da região ser morto dentro da própria casa, uma moradora – que também não quer ser identificada – vê vizinhos mudando de endereço com medo. “Aluga-se” e “Vende-se” são leituras constantes ao longo das estradas da região. “Aqui nunca tinha nada. No verão dava pra deixar a janela aberta a noite toda, dormir com a janela aberta, agora, nem de dia a casa pode ficar aberta”, finaliza.

A Polícia Militar foi procurada para comentar sobre o assunto, mas até o fechamento desta reportagem não houve resposta.

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