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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Obras paralisadas evitariam enchentes e prejuízo milionário no Porto de Itajaí, segundo Fiesc

Complexo Portuário de Itajaí continua fechado e compromete credibilidade do setor em Santa Catarina

Beatriz Carrasco
Florianópolis

Ano após ano, inúmeros municípios de Santa Catarina sofrem com a chuva que causa estragos e resulta no fechamento do Complexo Portuário de Itajaí, composto pelos terminais em Itajaí e Navegantes, na região do Vale. O prejuízo total ainda é incalculável, mas o valor pode passar de R$ 3 milhões por dia de atividades paralisadas. Essa situação, no entanto, poderia ser amenizada com o investimento em uma série de projetos que estão parados tanto junto aos órgãos estaduais quanto municipais.

Daniel Queiroz/Arquivo/ND

 

Após uma semana fechado, o Porto de Itajaí foi reaberto na sexta-feira (16), mas teve as atividades suspensas novamente no fim de semana devido à possibilidade de encalhe das embarcações. Nesta segunda-feira (19), a barra de acesso ao porto foi aberta e dois navios foram retirados, e no final desta tarde a previsão é de haver uma nova tentativa, para atracar outra embarcação.

Segundo a assessoria de imprensa do Porto de Itajaí, na manhã desta terça-feira (20) será feita outra avaliação, por volta das 10h30, em que a Praticagem e a Delegacia da Capitania dos Portos irão medir a profundidade, correnteza e condições de segurança e navegabilidade para a reabertura do local. Apesar das movimentações, a situação continua incerta e o complexo segue à mercê das condições climáticas.

 

Prejuízo incalculável

A cada dia que o porto fica fechado, cerca de 2.500 containers deixam de ser operados e uma média de R$ 1,6 mil deixa de entrar na cadeia logística. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do Porto, o prejuízo total é incalculável, mas o valor pode passar de R$ 3 milhões por dia que o local fica fechado. Só para o armador, a perda diária pelo navio parado fica entre U$S 15 mil a U$S 50 mil, dependendo da carga e tamanho da embarcação.

O estrago, no entanto, vai muito além do rombo financeiro no Complexo Portuário e nos serviços ligados à estrutura. Segundo Egídio Antonio Martorano, secretário executivo da Câmara de Transportes e Logística da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), o fechamento constante resulta na perda de credibilidade dos portos catarinenses, já que exportadores e importadores possuem contratos com prazos para cumprir e dependem da navegação para transportar suas mercadorias, podendo até mesmo perder negócios devido à indisponibilidade.

Martorano destaca como o mercado é competitivo, e que por isso essas empresas acabam por procurar outros portos, que conseguem operar em qualquer condição climática e que muitas vezes ficam fora de Santa Catarina. Assim, o dinheiro vai embora do Estado – apenas em Itajaí, 70% da receita do município vem da movimentação do complexo, que gera impostos e serviços, afirmou o secretário da Fiesc. Outro dado destacado pelo especialista foi os U$ 26 bilhões, entre exportações e importações, gerados em Santa Catarina em 2014, sendo que o Complexo Portuário de Itajaí teve participação de 70% nesse valor.

“Assim você percebe como é uma atividade extremamente importante para todo o Estado”, frisou Martorano, ao destacar a importância do início imediato de obras para melhorar a estrutura do Completo Portuário e permitir que a navegabilidade seja possível em qualquer condição climática. “É um assunto que deve ser tratado pelo catarinense com muito empenho, no sentindo de fazer os suportes e investimentos necessários”, disse.

Daniel Queiroz/Arquivo/ND

 

Obras atrasadas

Para ilustrar a importância de manter a credibilidade dos portos, Martorano relembrou um caso em que também houve paralisação das atividades e uma empresa precisou contratar serviço aéreo para conseguir entregar sua mercadoria dentro do prazo. “O exportador ou importador acaba procurando outra alternativa, e geralmente quando ele acha, é difícil que volte (a utilizar o Complexo Portuário de Itajaí)”, observou.

“Então é muito sério, em termos da credibilidade do Porto. É muito importante para o Estado e Município, (o Complexo) é uma referência para Santa Catarina”, completou.

Ao considerar todos os prejuízos, Martorano afirma que o investimento no setor deve ser considerado “prioritaríssimo”, começando pela dragagem imediata para recuperar a profundidade no canal de acesso, que é comprometida pelas enxurradas. “Hoje só entram navios pequenos. Por isso, a medida emergencial para reestabelecer o Porto é fazer dragagem”, disse o secretário, ao explicar que a verba utilizada é por repasse do governo federal e que o pedido já foi encaminhado.

Depois da dragagem, Martorano aponta para a concretização de outros projetos que tornariam o Complexo Portuário navegável o ano todo, medidas que também evitariam enchentes na região.

“Tem muitas obras que estão na lista e que precisam ser terminadas”, disse o secretário, ao explicar que a Fiesc faz monitoramento da execução dos projetos que são encaminhados às autoridades. Segundo ele, recentemente quatro obras que contribuiriam nesse contexto tiveram os prazos expirados, entre elas medidas para contenção de enchentes, melhoramento fluvial e construção de comportas. “São obras que tem que ser feitas”, ressaltou.

Entre essas obras emergenciais, Martorano ainda destaca o projeto de melhoramento fluvial no canal retificado e no leito antigo do rio Itajaí Mirim, que seria de extrema importância tanto para a comunidade quanto para a navegabilidade, mas que, apesar de ainda não ter tido o prazo expirado, está com o andamento comprometido.

As medidas, segundo ele, deveriam se estender por todos os efluentes, com melhoramento fluvial, obras nos canais, encostas, assoreamento, entre outros. “O que dizemos, em geral, é que todas essas obras merecem atenção especial para que se defina estratégias para amenizar os efeitos (das condições climáticas)”, finalizou.

No site da Fiesc, estão disponíveis informações sobre os projetos de contenção de enchentes.

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