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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Herói homenageado pelo feriado é pouco lembrado pela população de Joinville

Enquete do jornal Notícias do Dia mostra que moradores da cidade sabem poucos detalhes sobre a vida de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

Suelen Soares da Silva
Joinville
Fabrício Porto/ND
Busto em praça no bairro Floresta, zona Sul de Joinville, retrata um Tiradentes com imagem semelhante à de Jesus

 

Nesta terça-feira, 21 de abril, é comemorado em todo o país o feriado em homenagem a Tiradentes. A maioria, em algum momento da vida escolar, estudou sobre a vida deste personagem da história brasileira. Em Joinville, há no bairro Floresta uma praça com o nome e o busto deste herói nacional. Mas o que a população sabe sobre este participante da conjuração mineira, enforcado em 21 de abril de 1792? O jornal Notícias do Dia fez uma enquete com algumas pessoas e constatou que é baixo o grau de conhecimento sobre Joaquim José da Silva Xavier.

Para o professor de história Maikon Jean Duarte, tradicionalmente o ensino de história é visto como algo cansativo e a preocupação dos alunos é de memorizar o fato, as datas e as consequências. Isso ocorre, segundo ele, porque pouco utilizamos estas informações no dia a dia. Ele afirma que em sala de aula procura trabalhar, além do contexto histórico, as questões sobre a figura polêmica de Tiradentes, o período, entre outros. “Tem vários elementos que podem ser trabalhados, como a construção de um herói nacional. E é normal que eles tentem fazer ligações com os dias atuais e as manifestações, mas se deve ter cuidado porque o momento histórico era outro”, ressalta.

O professor também alerta que o termo inconfidência não é mais utilizado em sala de aula. O termo atual é conjuração. De acordo com ele, desde 1980, esse conceito vem sendo mudado devido aos questionamentos. Inconfidência foi um termo criado pela monarquia portuguesa para se referir à traição contra o governo colonial. E conjuração como um compromisso em torno de um documento entre os indivíduos”, conclui.

 

 

Reconhecimento tardio

Joaquim José da Silva Xavier foi personagem de destaque da conjuração ocorrida em Minas Gerais em 1789. Ele era dentista e alferes, um posto militar, e juntamente com os demais participantes do movimento tinha o objetivo de libertar o Brasil do domínio português.

Segundo a professora Fernanda Borba, a conjuração foi um movimento pró-independência, de origem separatista. A independência do Brasil ocorreu em 1822, e só depois da Proclamação da República, em 1889, é que Tiradentes passou a ser visto como um mártir, afirma a professora. “Os políticos liberais e positivistas desse período fizeram de Tiradentes o ícone que é atualmente. Demorou cem anos para ele ser reconhecido”, destaca.

“Encontramos Tiradentes algumas vezes retratado cabeludo e barbudo. Esta imagem tenta aproximá-lo da figura de Jesus Cristo, diferente das imagens dos livros didáticos”, explica.

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